David Arioch – Jornalismo Cultural

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Caninus, a história de uma banda vegana liderada por pit bulls

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Proposta era conscientizar sobre vegetarianismo, veganismo e adoção de cães abandonados

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Fundada em 2003, a banda nova-iorquina de grindcore Caninus, que chegou definitivamente ao fim no início de 2016, conquistou muita popularidade ao longo dos anos por ter duas cadelas da raça pit bull terrier como vocalistas – Basil e Budgie. Com uma proposta de promover o vegetarianismo, veganismo, a importância da adoção de cães abandonados e a conscientização em torno da desinformação sobre os pit bulls, a banda surgiu por iniciativa do guitarrista Justin Brannan e da guitarrista Rachel Rosen, da banda de Metalcore Most Precious Blood, que são ativistas dos direitos animais.

“As duas cadelas eram muito vocais, sempre brincávamos com elas, e elas possuíam rosnados excelentes. Crescemos ouvindo Cannibal Corpse, Napalm Death e Terrorizer [bandas de metal extremo], então achamos que seria engraçado fazer um som com elas rosnando sobre a música”, conta Brannan.

O que começou como uma brincadeira que entraria como bônus em um CD do Most Precious Blood, se tornou algo mais sério. Eles receberam propostas para gravar alguns discos, sem qualquer compromisso, e aceitaram. “O Caninus surgiu com uma mensagem bem direcionada – direitos animais, vegetarianismo, veganismo e adoção de animais. Nosso propósito maior era esse, até porque Budgie e Basil foram adotadas, eram cães resgatados por nós”, garante o guitarrista.

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A princípio, muita gente achou que o Caninus era uma sátira às bandas de grindcore e brutal death metal, porém Justin e Rachel fazem questão de deixar bem claro que isso não era verdade. “Todas as bandas de death metal têm caras que tentam soar como animais, e percebemos que poderíamos dar isso a eles da forma mais verdadeira possível. Somos fãs desses estilos. Não fazemos piadas disso. Foi tudo uma boa diversão. E os cães eram as estrelas. Somos os anônimos, seres humanos descartáveis”, esclareceu Brannan.

Até 2011, o grupo lançou o álbum “Now the Animals Have a Voice”, de 2004, um split com o projeto Hatebeak – que tem como vocalista um papagaio do congo chamado Waldo, e outro split com a banda também vegana Cattle Decapitation, os dois em 2005 e lançados pela War Torn Records. Entre as músicas mais conhecidas do Caninus estão “Brindle Brickheads (Unprecedent Ferocity)”, “No Dogs, No Masters”, “Fear of Dogs (Religious Myths)”, “Human Rawhide”, “Bite the Hand That Breeds You”, “Locking Jaws” e “Fuck The American Kennel Club”.

Esta última é uma crítica ao American Kennel Club, um dos maiores clubes de registro de genealogias de cães dos Estados Unidos, que realiza um trabalho que vai contra tudo aquilo que o Caninus defende, já que a banda entende que esse tipo de entidade só existe porque há pessoas criando animais de raças que são visadas comercialmente, assim estimulando a venda de cães como produtos e inviabilizando a adoção de animais abandonados.

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“As canções dizem respeito a questões que os pit bulls enfrentam hoje. É a raça mais mal compreendida e abusada lá fora”, acrescentou Brannan. Entre os bateristas que participaram do Caninus, um dos grandes colaboradores foi Colin Thundercurry. Em 2008, o baterista Richard Christy, que tocou com importantes bandas de metal como Death, Control Denied e Iced Earth participou de algumas músicas do Caninus.

Todo o processo de gravação da banda só foi colocado em prática com os cães bem à vontade, e livres para serem eles mesmos. Justamente para não condicioná-los, Justin Brannan e Rachel Rosen optaram por não fazer shows.

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Mesmo assim, o trabalho do Caninus foi longe, e teve um retorno tão positivo e inesperado para os músicos que até celebridades como as atrizes Susan Sarandon e Bernadette Peters declararam o seu amor pela banda e pela proposta de conscientização sobre os direitos animais.

Infelizmente, em 5 de janeiro de 2011, Basil faleceu aos dez anos, e sua morte se tornou notícia em diversos sites especializados em heavy metal. O Metal Sucks, um dos mais populares, publicou um texto em que declarou: “Sabemos como os animais podem tocar a vida das pessoas e sentimos sinceramente ao saber da passagem de Basil, R.I.P., nossas condolências a Justin e Rachel.”

O Caninus ainda realizou alguns registros ocasionais, inclusive assumiu o compromisso de lançar um novo disco em 2016, mais uma vez sem finalidade comercial, porém, a vocalista Budgie faleceu em 3 de janeiro de 2016, aos 16 anos, assim marcando o fim definitivo da banda. Em homenagem à ela, Justin e Rachel publicaram um texto emocionado:

É com grande tristeza que devemos transmitir esta mensagem:

Budgie, a fundadora e único membro original do Caninus, faleceu. Ela tinha 16 anos. Originalmente chamada Shelby, depois de ter sido atirada de um Mustang e deixada para morrer com uma pesada corrente ao redor do seu pescoço, ela foi adotada por Belle [Rachel] and Sudz [Justin], do North Hempstead Animal Shelter, e renomeada Budgie. Ela ganhou uma nova vida no Brooklyn no verão de 2000.

Budgie era muito parecida com o Lemmy [Kilmister]. Desde o primeiro dia, ela viveu sua vida baseada em suas próprias regras. Era uma apaixonada e tinha o coração de um campeão. Eles dizem que os cães nos ensinam tudo que precisamos saber sobre a vida sem dizer uma palavra – esta era Budgie. Há alguns meses, Budgie gravou vocais para o lançamento do último trabalho do Caninus, que deve ver a luz do dia em breve.

Todos nós fomos sortudos por tê-la conosco pelo tempo que foi possível. Ela tocou muitas vidas, lambeu muitos rostos, empurrou muitas pessoas para fora da cama, roubou muitas fatias de pizza, comeu muitos burritos e, mais importante, inspirou muita gente a adotar animais de abrigos em vez de comprá-los em pet shops ou de vendedores online.

Saiba Mais

Antes do surgimento do Caninus, Justin Brannan e Rachel Rosen já realizavam trabalho voluntário no North Hempstead Animal Shelter, uma das entidades mais respeitadas no resgate de animais abandonados em Nova York.

No site do Caninus, eles divulgavam produtos livres de crueldade contra animais e também dicas para veganos e para quem tinha interesse em aderir ao veganismo, além de informações sobre doações e resgate de animais.

Referências

Caninus

http://www.verbicidemagazine.com/2013/08/08/caninus-grindcore-death-metal-band-dog-vocalist-singers-brindle-brickheads/

http://www.metalinsider.net/in-memoriam/r-i-p-budgie-pit-bull-and-caninus-vocalist

http://www.mtv.com/news/1525305/for-those-about-to-squawk-metal-bands-with-non-human-singers/

Snapcase: “Eu nunca iria matar um animal e comê-lo. Então por que eu iria simplesmente comprá-lo?”

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Taberski: “Isso não faz diferença só porque alguém matou e realizou todo o processo”

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O Snapcase foi fundado em 1991 (Acervo: Modern Fix)

Uma das bandas mais importantes do cenário de hardcore punk do estado de Nova York, a banda Snapcase, fundada em Buffalo em 1991, surgiu por iniciativa de três amigos; um deles é o vocalista Daryl Taberski, que é vegano e único integrante da formação original que ainda continua no grupo. Embora o Snapcase não tenha o veganismo como temática primária em suas músicas, algumas de suas composições vão por esse caminho, mesmo que não de forma tão direta. Um exemplo é a música “Guilty By Ignorance”, do álbum “Progression Through Unlearning”, de 1997.

Na letra, Taberski fala sobre como somos culpados pela nossa própria ignorância quando temos condições de melhorar o mundo em que vivemos, mas optamos por dar dinheiro a empresas que matam sem demonstrar qualquer remorso, porque visam simplesmente os lucros. “E você não se importa de saber que sua vida rouba vidas. Então dê uma olhada em sua consciência vazia, porque ignorância não é inocência. Você se tornou, você se tornou o inimigo daqueles que são vítimas da ganância”, grita o vocalista em um trecho de “Guilty By Ignorance”.

Em “Box Seat”, do álbum “Designs for Automotion”, o Taberski fala sobre a cultura de consumo e como nos diluímos nesse meio, ignorando inclusive quem somos. “Não nos venda uma imagem perfeita. Nós vamos lutar para nos encontrarmos. Queremos o desafio impopular, queremos testar o nosso intelecto, teste nosso intelecto. Estamos programados, condicionados. Sem sentido, emoções sem sentido. Perdemos nosso desejo de pensar sozinhos, de pensar sozinhos, de pensar sozinhos…”, berra em “Typecast Modulator”, do disco “Designs for Automotion”, de 2000.

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Taberski: “Para mim, [ser vegano] é ir ao fundo das coisas” (Acervo: Art Voice)

Em entrevista a Mike Bushman, do Modern Fix, Daryl Taberski contou que se tornar vegano fez com que ele entendesse muitas coisas de forma diferenciada. “Não é uma coisa difícil de fazer. Eu nunca iria matar um animal e comê-lo. Para mim, [ser vegano] é ir ao fundo das coisas. Então por que eu iria simplesmente comprá-lo? Isso não faz diferença só porque alguém matou e realizou todo o processo”, argumentou.

Taberski declarou que hoje em dia as pessoas estão mais conscientes sobre o que é o veganismo, ao contrário de anos atrás quando um vegano era facilmente considerado uma “aberração”. ‘As pessoas perguntavam: ‘Vegano? O que é isso?’”, exemplificou. O músico também reconheceu que tem se tornado cada vez mais fácil encontrar comida sem ingredientes de origem animal. “Até mesmo os grandes supermercados de Buffalo, onde vivemos, dedicam uma sessão inteira à comida vegetariana e vegana”, disse em entrevista ao Enzk Punk and Hardcore Fanzine.

De 1994 a 2003, o Snapcase, que hoje tem Daryl Taberski como único membro fundador, lançou os álbuns “Lookinglasself”, “Progression Through Unlearning”, “Designs for Automotion”, “End Transmission” e “Bright Flashes”.

Saiba Mais

Originalmente, Daryl Taberski era baixista do Snapcase. O posto de vocalista era ocupado por Chris Galas.

Os discos “Designs for Automotion” e “Progression Through Unlearning” são apontados como as maiores contribuições da banda ao hardcore punk.

Referências

http://www.modernfix.com/interviews-2/feature-4/

http://www.angelfire.com/wi/enzk/snapcase.html

http://snapcase.com/

8 Foot Sativa, metal contra a exploração animal

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Banda neozelandesa que conquistou projeção internacional é formada apenas por músicos veganos

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8 Foot Sativa é uma banda de metal de Auckland, na Nova Zelândia, que foi fundada em 1998 e traz na formação somente músicos veganos. Também é considerada uma das bandas de metal mais bem-sucedidas internacionalmente da história do país.

Com uma postura vegana e favorável ao abolicionismo animal, o 8 Foot Sativa já excursionou com bandas como Motörhead, Fear Factory, Corrosion of Conformity, Soufly, Disturbed, Slipknot, Korn, System of a Down e Children of Bodom, o que tem ajudado a espalhar a sua mensagem contra a exploração animal.

Em 2007, eles lançaram o álbum “Poison of Ages”, baseado em nove músicas que apresentam o ponto de vista de um vegano sobre diversos temas, mas principalmente sobre a maneira como a humanidade vem destruindo o planeta ao longo dos tempos.

Formado por Justin “Jackhammer” Niessen (vocal), Nik Davies (guitarra), Gary Smith (guitarra), Htims “Rom” Mor (Baixo) e Corey Friedlander (bateria), o 8 Foot Sativa lançou em janeiro de 2009 um single intitulado “Sleepwalkers”. No clipe de divulgação da música homônima, que faz referência ao fato do ser humano agir como um sonâmbulo em relação à exploração animal, o espectador é convidado a seguir um bezerro que é levado de uma fazenda para um matadouro.

Depois, vemos uma família comprando a carne do bezerro em um mercado, o que é uma alusão ao fato de que financiamos esse tipo de morte quando consumimos carne. “Sleepwalkers” é um vídeo visceral que mostra também como são tratados porcos e galinhas, animais mantidos confinados em pequenos espaços. Para intimidar ainda mais o público, ao final a banda informa: “Milhares de animais foram prejudicados na produção deste vídeo.”

Em fevereiro 2013, a banda lançou a coletânea “Ten Years of Sativa”, que traz a música “Sleepwalkers”. Antes do surgimento do 8 Foot Sativa, os integrantes formaram uma banda no colegial e tocaram covers de Sepultura, Slayer, Pantera, Metallica, Judas Priest e Iron Maiden, algumas das suas principais influências. De 2002 a 2013, eles lançaram os álbuns “Hate Made Hate”, “Season for Assault”, “Breed the Pain”, “Poison of Ages” e “The Shadow Masters”.

Referências

http://www.8footsativa.co.nz/

https://www.facebook.com/8FOOTSATIVABAND/

http://www.muzic.net.nz/artists/512.html

http://www.metal-archives.com/bands/8_Foot_Sativa/14412

 

 

Mayim Bialik: “Toda vez que um animal é mantido cativo para dar origem a um produto, ele sofre”

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“Meu profundo amor e respeito pelos animais começou a ter grande peso em minhas decisões”

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Mayim Bialik em campanha da Cruelty Free Internacional, contra testes em animais (Foto: CFI)

A atriz e neurocientista estadunidense Mayim Bialik, que conquistou fama com seus singulares personagens em séries como “Blossom” e “The Big Bang Theory”, se tornou vegetariana aos 19 anos e mais tarde aderiu ao veganismo. Em entrevista ao Vegetarian Times, ela contou que começou a sentir aversão ao gosto de carne e simplesmente parou de comer.

“Então meu profundo amor e respeito pelos animais começou a ter grande peso em minhas decisões. Eu tinha uma sensação inata de querer ser vegana, mas eu precisava de mais informações. A mudança foi gradual, o que me permitiu pensar em cada passo”, explicou.

A transição aconteceu em 1994, e mesmo ainda consumindo ovos e laticínios, ela percebeu como as pessoas consideravam estranho alguém se alimentar dessa forma em um país como os Estados Unidos, onde a dieta padrão já elevava a carne a alimento essencial.

“Minha mãe ficou irritada porque ela teve que se adaptar aos meus ‘estranhos hábitos’. Meu pai pensava que isso significava consumir apenas nozes, e eu não conhecia restaurantes vegetarianos. Naqueles dias, eu comia muita salada, batata-frita e macarrão”, relatou no artigo “Yes, there is a jewish connection to my veganism”, publicado no Kveller em 14 de outubro de 2015.

Por outro lado, ela reconheceu que sua mãe era uma mulher bastante progressista em seu tempo, e costumava preparar misturas crudívoras. Por isso, diferentemente de um lar comum ao padrão estadunidense, com cereais açucarados, ela se recorda que consumia rotineiramente alimentos naturais na infância. “Fui criada com muito disso, mas nunca apreciei, até que me tornei uma mãe”, disse ao Vegetarian Times.

Ela contou que com 19 anos não queria comer animais de modo algum, e chegou a se desesperar na busca por um meio de não fazer isso. Com o tempo, ganhou uma compreensão mais ampla de outros aspectos do veganismo. “Depois de cortar a maioria dos laticínios na faculdade, minha saúde melhorou significativamente. Não tive mais alergias sazonais. Não tive que tomar mais antibióticos nem tive mais crises por causa da sinusite”, admitiu em entrevista a Esther Sung, do Epicurious, em 30 de janeiro de 2017.

Quando o primeiro filho da atriz nasceu, ela ainda consumia alguns alimentos com ingredientes de origem animal. Porém, percebeu durante a amamentação que seu filho não tolerava o seu leite, o que significava que Mayim Bialik tinha algum tipo de intolerância. “Continuei evoluindo. Li ‘Comer Animais’, de Jonathan Safran Foer e, depois disso, cortei todos os ovos e laticínios, e resolvi o problema. Sou vegana por questões ambientais, nutricionais, de saúde e ética. É incrivelmente gratificante”, declarou a Esther.

Também foi com o livro de Foer que Mayim, que já participou de campanhas da Peta e da Cruelty Free International, começou a refletir com mais profundidade sobre a criação de animais para consumo humano e também sobre o impacto que isso causa ao meio ambiente. “Isso leva à destruição de terras e recursos sobre os quais estamos começando a ouvir cada vez mais. Tenho aprendido por meio de pesquisas sobre a forma como os animais são sistematicamente tratados e maltratados em fazendas, mesmo aquelas que dizem ser livres de crueldade, em que os animais são criados livremente. Não posso continuar participando disso”, ponderou no artigo “Yes, there is a jewish connection to my veganism”.

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Em 2016, ela ficou chocada ao testemunhar uma reação anti-vegana em uma publicação sobre soldados israelenses terem conquistado o direito de pedir botas sem couro, boinas sem lã e refeições veganas: “Eu estava preparada para ouvir muitos comentários contra Israel, mas os comentários que vi eram simplesmente anti-veganos. Muitos diziam ‘este fanatismo liberal está fora de controle’ e ‘Por que estamos atendendo a um bando de aberrações liberais?’”

Para a atriz vegana, exemplos como esse mostram que muitas pessoas ainda não entendem e não se interessam em entender do que se trata o veganismo. Por isso, julgam como mais fácil criticar sem saber quais são as reais motivações.

“Eles não entendem por que veganos não usam lã ou subprodutos animais, mesmo que não envolva matá-los. Vou clarear isso. Toda vez que um animal é mantido cativo para dar origem a um produto, ele sofre. É um ambiente em que não há respeito pela vida dos animais ou dos trabalhadores. Você pode não se importar com a forma como as ovelhas são criadas para a extração de lá, mas é um direito meu me preocupar com isso”, desabafou no artigo “Why do some people hate vegans”, publicado no Grok Nation em novembro de 2015.

E sobre a existência de “fazendas de ovelhas felizes”, Mayim Bialik considera um engodo, ainda mais levando em conta que a maior parte da produção de lã não costuma ser proveniente de “fazendas felizes”. A atriz enfatiza que se vivesse em um lugar frio, provavelmente teria que ser bem criativa sobre como se manter aquecida.

“Mas as pessoas aprendem a lidar com isso. Estou muito assustada com a forma como as pessoas veem os veganos, como uma ameaça ao seu direito de consumir carne em qualquer quantidade, e chegam a tratar a existência e a perspectiva dos veganos como uma afronta aos seus direitos civis”, reclamou no artigo.

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Em 2016, ela também publicou um gráfico no Instagram, mostrando uma estatística comprovada por médicos de que a dieta vegana é muito benéfica para pessoas com asma: “Alguém até mesmo optou por não me seguir por causa disso. Há uma pesquisa que comprova como o diabetes pode ser revertido com uma dieta vegana e crudívora. O documentário ‘Forks Over Knives’ discute isso de forma bem ampla, assim como filmes como ‘Fat, Sick and Nearly Dead’ e Vegucated’”, complementou.

Para Mayim Bialik, os custos para o meio ambiente por causa da quantidade de carne, ovos e laticínios que consumimos são reais, e citou como exemplo o surgimento de doenças que estão associadas ao consumo de alimentos de origem animal. “Ter uma sensibilidade geral de criar um mundo livre do sofrimento humano está ligado à bondade em relação aos animais. Há aqueles que continuarão a afirmar que o veganismo é uma tendência elitista irritante, que é culpa de liberais fanáticos, mas optei por ter uma dieta baseada em vegetais para ajudar o nosso meio ambiente, nossa economia, nossa saúde, e nosso bem-estar em geral”, argumentou no artigo “Why do some people hate vegans?”.

Pelo fato de ser judia, ao longo dos anos, a atriz recebeu muitas perguntas sobre como ser vegetariana ou vegana. Ela revelou que normalmente as pessoas querem saber se existe uma conexão entre judaísmo e veganismo. “Na verdade, existe. Por milhares de anos, a importância de respeitar a vida animal e minimizar a dor e o sofrimento dos animais foi parte da tradição judaica.  A Torá discute inúmeras maneiras de minimizar a crueldade contra os animais, e enfatiza seu tratamento, incluindo por exemplo, a exigência de que os animais sejam alimentados antes de nos sentarmos para comer. Também discute as relações que temos com os animais e designa os direitos animais como únicos e valiosos”, elucidou.

Por outro lado, há controvérsias, como a questão dos sacrifícios de animais. No entanto, Mayim defendeu que isso já é visto de outra forma no contexto do judaísmo. Além disso, é comum o incentivo à diminuição do consumo de carne. Prova dessa mudança é a existência de vegetarianos, veganos e organizações judaicas que são contrários à exploração animal, e veem o veganismo como um “ideal judaico”. “Uma dessas organizações é a Jewish Veg [anteriormente JVNA]. Desde 1975, eles têm sido uma grande fonte de apoio, receitas e informações sobre judeus veganos. Sou grata pela existência de organizações como a Jewish Veg”, frisou.

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Livro de receitas lançado pela atriz em 2014 (Arte: Reprodução)

Por ser vegana, na páscoa judaica, a família da atriz consome sopas, saladas, chips de couve e couve-de-bruxelas, leite de amêndoas, quinoa e salada marroquina de legumes – uma de suas preferidas para a páscoa. “Atualmente estou mais focada em gorduras saudáveis. Crio muitos queijos de nozes. Os queijos de castanha-de-caju e macadâmia que faço são muito fáceis. Também faço spanakopita [uma torta salgada]. Abacate é o meu alimento favorito, e um dos melhores que você pode dar às crianças”, recomendou em entrevista ao Vegetarian Times. Refeições de fácil preparo e que podem ser congeladas, baseadas em ingredientes para burritos, feijões e arroz, fazem parte do cotidiano da família da atriz.

Questionada sobre como é criar filhos veganos, Mayim Bialik esclareceu que está sempre em busca de um ponto de equilíbrio entre dar informações adequadas à idade deles e deixá-los encontrarem o seu próprio nível de consciência em relação aos alimentos. “Não quero que se sintam superiores nem privados”, garantiu.

Em 2014, a atriz e neurocientista publicou o livro de receitas veganas “Mayim’s Vegan Table: More Than 100 Great-Tasting and Healthy Recipes from My Family to Yours”, lançado pela Capo Books. É uma obra com dicas saudáveis e com uma boa quantidade de receitas fáceis e apresentadas em tom casual.

Saiba Mais

Mayim Bialik nasceu em San Diego, na Califórnia, em 12 de dezembro de 1975.

Ela obteve um doutorado em neurociência pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), em 2007.

Referências

http://www.vegetariantimes.com/article/one-on-one-with-mayim-bialik

http://www.kveller.com/mayim-bialik-yes-there-is-a-jewish-connection-to-my-veganism/

http://www.epicurious.com/holidays-events/a-vegan-passover-with-mayim-bialik-article

http://groknation.com/culture/why-do-some-people-hate-vegans/

Written by David Arioch

março 17, 2017 at 9:58 pm

Para o filósofo grego Teofrasto, a humanidade tem uma dívida de justiça para com os animais

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Sucessor de Aristóteles dizia que matar os animais é uma forma de perpetuar danos injustificáveis

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Sucessor de Aristóteles, o filósofo grego Teofrasto (372 a.C 287 a.C) defendia, segundo Porfírio em “De Abstinentia”, que a humanidade tem uma dívida de justiça para com os animais porque o futuro da existência como um todo depende do equilíbrio entre humanos e animais, além dos níveis de afinidade – o que naturalmente exige que os seres humanos se abstenham de sacrificá-los e de comê-los.

Para Teofrasto, explorar, torturar ou matar animais significa privá-los de suas vidas e, assim, perpetua-se um ciclo de danos injustificáveis. A crítica do filósofo grego serviu como referência ao filósofo dos direitos animais estadunidense Tom Regan para argumentar que a morte dos animais é moralmente errada porque é uma forma de privação da oportunidade de experimentar qualquer escolha futura, o que leva à conclusão de que a morte dos animais como consequência da exploração racionalmente humana é uma perda irrecuperável, ou seja, final.

Pesquisador da questão animalista na Grécia Antiga, o filósofo estadunidense Stephen Newmyer, professor da Universidade Duquesne, em Pittsburgh, na Pensilvânia, diz que um dos conceitos-chave desenvolvidos por Teofrasto, e que influenciaria os direitos animais, é o conceito de Oikeiotês, que combina ideias de pertencimento, parentesco e relacionamento. Embora tenha sido frequentemente considerado como sendo de origem estoica, alguns estudiosos a reconhecem como sendo de autoria de Teofrasto. E isto tendo como referência o trabalho de Porfírio em “De Abstinentia”, quando discorre sobre a filosofia de Teofrasto.

O discípulo de Aristóteles acreditava no parentesco humano com os animais, que necessitavam de um tratamento mais simpático e justo por parte dos seres humanos. “Esta mesma simpatia pelos animais como criaturas sofredoras inspirou Teofrasto a desenvolver o conceito de Oikeiotês, que está em evidência no tratamento que Porfírio dá aos animais em ‘De Abstinentia’”, declara Newmyer no livro “Animals, Rights and Reason in Plutarch and Modern Ethics”, publicado em 2005.

Em “De Pietate”, Teofrasto discute as precedentes especulações gregas em torno da racionalidade animal, caminhando para o que se pode chamar de questões de familiaridade na relação entre seres humanos e outros animais. Por isso, assim como “De Esu Carnium”, de Plutarco, “De Pietate” é considerada uma das duas defesas mais antigas do estilo de vida vegetariano – e referência em direitos animais. De acordo com Newmyer, “De Abstinentia”, de Porfírio, oferece uma defesa cuidadosa da ideia de que o homem primitivo só seria capaz de não matar um animal ao reconhecer nele algum tipo de parentesco.

Na ótica de Porfírio, os seres humanos não se assemelham aos outros animais somente no que diz respeito às paixões, pulsões e sentidos, mas também, em níveis distintos, nas faculdades de raciocínio. Portanto, o conceito Oikeiotês concedeu status moral aos animais e os colocou dentro da preocupação moral humana. “A relação que os animais têm com os seres humanos é, em sua opinião, de natureza jurídica, pois os seres humanos devem tratamento justo às criaturas que são relativamente semelhantes a ele em suas capacidades mentais”, reforçou Stephen Newmyer.

theofrastos_eresios_1Também defendida por Pitágoras, a concepção de parentesco entre seres humanos e outros animais foi ofuscada por Aristóteles que, seguindo por outra via, encontrou maior aceitação em uma sociedade cada vez mais antropocêntrica. “Os agrupamentos irracionais ocorrem tão somente pelo instinto, pois, entre os animais, somente o homem possui a razão, tendo noções de bem e mal, justo e injusto”, simplificou Aristóteles. Afirmações como essa serviram como justificativa para que o ser humano continuasse subestimando a capacidade animal, colocando-os em um nível de inferioridade que influenciaria mais tarde a maneira como os seres humanos continuariam se relacionando com os animais.

No entendimento de Aristóteles, os animais “irracionais” não possuem capacidades mentais para assegurar que seus interesses sejam respeitados. Por outro lado, o seu discípulo Teofrasto, além de reconhecer a existência do intelecto animal, viu exatamente nessa suposta incapacidade animal apontada por Aristóteles uma razão moral para que os seres humanos não se colocassem acima dos animais nem se aproveitassem de sua vulnerabilidade. E esse aspecto da filosofia aristotélica teve continuidade com influentes pensadores como o italiano Tomás de Aquino.

Sendo assim, o interesse de Aristóteles pela questão animal difere substancialmente do interesse de seus discípulos, como Teofrasto, que reconheceu o direito à vida animal. O caso de Aristóteles contra a racionalidade animal possivelmente tinha apenas intenções parcialmente científicas, sem ponderar sobre as consequências morais de seus argumentos.

Porém, foi exatamente essa negação aristotélica que formou parte da base da atitude cristã ocidental em relação aos animais como criaturas que poderiam ser privadas de justiça e da própria existência, e mais – que poderiam ser usadas como o ser humano bem entendesse. Uma conclusão que também é partilhada por Newmyer.

Também foi esse caminho trilhado por Aristóteles, sem antever o futuro, que impediu que teorias filosóficas mais empáticas aos animais, como as de Pitágoras, Teofrasto, Plutarco e Porfírio fossem lançadas à luz, não à escuridão. Assim não é equivocado dizer que a consciência antropocêntrica que persiste ainda hoje é uma consciência de influência aristotélica.

Saiba Mais

Teofrasto, grego de Eresso, em Lesbos, foi o sucessor de Aristóteles na escola peripatética. Ele chegou a Atenas ainda muito jovem, e inicialmente estudou na escola de Platão. Após a morte de Platão, ele se ligou a Aristóteles, que levou os seus escritos a Teofrasto. Quando Aristóteles fugiu de Atenas, Teofrasto assumiu o Liceu.

Ele presidiu a escola peripatética por 35 anos, período em que a escola se desenvolveu bastante -tinha mais de dois mil estudantes. Ele é considerado o “Pai da Botânica”, por causa de seus trabalhos com as plantas.

Após sua morte, os atenienses o honraram com um funeral público. Seu sucessor foi Estratão de Lâmpsaco. Teofrasto faleceu aos 85 anos, de acordo com Diógenes. Uma de suas frases mais famosas é: “Morremos apenas quando estamos começando a viver.”

Curiosidade

O estoicismo foi uma escola de filosofia helenística que defendia uma visão unificada do mundo consistindo de uma lógica formal, uma física não dualista e uma ética naturalista.

Referências

Porphyry: On Abstinence from Killing Animals (Ancient Commentators on Aristotle). Bristol Classical Press; Reprint edition (2014).

Newmyer, Stephen. Animals, Rights and Reason in Plutarch and Modern Ethics – Páginas 20 a 25. Routledge; 1 edition (2005).

https://en.wikisource.org/wiki/1911_Encyclop%C3%A6dia_Britannica/Theophrastus

O pequeno dourado

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gold-fish-in-waterNunca gostei de pescaria, mas me recordo claramente de um episódio em que meu pai tinha recém-comprado uma vara de pescar. Eu era criança e estávamos na divisa entre o Paraná e o Mato Grosso do Sul, onde ele lançou o anzol de cima de uma balsa. Não sei se para a sorte dele ou azar do peixe, um pequeno dourado, talvez ainda inexperiente nas águas do Rio Paraná, fisgou a isca.

Meu pai o puxou no mesmo instante em que a vara tremulou. E a poucos metros de distância, vi o dourado sendo içado a contragosto – se contorcendo, preso ao anzol. Mesmo miúdo, se debatia com violência, não sei se por instinto ou paixão – ou os dois, num sobressalto para não ceder à morte. Notei o desespero nos olhos vibrantes daquele pequeno animal que cintilava como a última luz do poente.

Foi como testemunhar um ser humano se afogando, e me recordei de quando ainda muito ingênuo, quase fui engolido pelo mar. O desespero do dourado não parecia diferente do meu enquanto me afogava – durou mais do que segundos, talvez tenha sido uma eternidade. Mas quando meu pai percebeu a minha reação de espanto e a do meu irmão, ele o lançou de volta.

O peixe partiu veloz, recortando as águas do Rio Paraná. E o sol que até então iluminava somente o leito do rio, aqueceu nossas cabeças por um instante. Eu já não sentia ou reconhecia a chegada da morte, somente da vida que prevalecia e resplandecia.

Brian Fair sobre o consumo de carne: “É um mito tão grande que se tenha que matar para sobreviver”

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“Eu não quis mais fazer parte de algo que tirasse vidas para o meu próprio prazer”

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Quando estava na oitava série, o vocalista da banda de metal estadunidense Shadows Fall, Brian Fair, que faz jus ao sobrenome, ouviu Meat Is Murder (Carne é Assassinato), do The Smiths. A experiência foi o suficiente para que ele se sensibilizasse com a realidade dos animais reduzidos à comida. “Eu não quis mais fazer parte de algo que tirasse vidas para o meu próprio prazer”, justificou em um vídeo que ele gravou e foi publicado no YouTube.

Na adolescência, ele contou com o apoio de um tio que era vegetariano e estava envolvido com a produção de alimentos orgânicos. Mais tarde, também fez amizade com o vocalista vegano Ray Cappo, das bandas Youth of Today, Shelter e Better Than a Thousand, de quem recebeu boas dicas.

Muitas vezes os fãs perguntaram a Fair por que ele parou de comer carne. Educado e compreensivo, sempre fez questão de explicar que foi motivado por uma transformação interna, um sentimento de justiça – na sua perspectiva, um compromisso com mudanças sociais positivas, o que tem tudo a ver com o heavy metal e o hardcore, que nasceram da contracultura. “É um mito tão grande que se tenha que matar para sobreviver. Comer carne não se trata de sobrevivência porque podemos viver de outra maneira”, declara.

Brian Fair sugere que as pessoas procurem na internet por vídeos sobre os bastidores da indústria da exploração animal, e vejam o que existe por trás dos alimentos comprados com tanta comodidade. Ele argumenta que é fácil consumir alimentos de origem animal quando tudo é entregue embalado e dissociado de sua origem. “Hoje em dia, há muitos produtos livres de crueldade animal”, pondera e acrescenta que as pessoas não imaginam quantos pequenos coelhos e outros pequenos animais são torturados para a realização de testes e extração de pele.

Se pautando em transmitir uma mensagem positiva sobre vegetarianismo e do veganismo, Brian Fair afirma que as pessoas normalmente subestimam a si mesmas quando não experimentam uma alimentação livre da exploração animal. “Não têm ideia de como é fácil quebrar esse ciclo”, enfatiza.

Brian Fair também se oferece para ajudar na transição de quem se sente inseguro em tornar-se vegetariano ou vegano. “Podem mandar perguntas. Ajudarei vocês no que eu puder”, promete. O vocalista do Shadows Fall já participou de algumas campanhas da Peta, com a intenção de motivar principalmente jovens.

Saiba Mais

Um dos fundadores do Shadows Fall, Brian Fair gravou sete álbuns com a banda entre os anos de 1997 e 2012.

Ele se graduou em literatura pela Universidade de Boston.

Fanpage oficial do Shadows Fall no Facebook 

https://www.facebook.com/shadowsfall/

Referências

http://www.blabbermouth.net/news/shadows-fall-frontman-brian-fair-you-don-t-have-to-kill-in-order-to-live/#z8UVROK308tz6CRc.99

https://www.peta2.com/news/shadows-falls-brian-fair/

Written by David Arioch

março 16, 2017 at 5:52 pm