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Por que torcer para que tudo dê errado na gestão de um político?

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Uma das piores coisas que você pode fazer quando um candidato é eleito é torcer para que tudo dê errado, porque isso faz parecer que a sua prioridade é mostrar aos outros que eles estão errados. Ou seja, o que importa não é a coletividade, mas um anseio individualista, que é o triunfo da sua visão política. Torcer para que o outro esteja errado é melhor do que aceitar a possibilidade de que você pode ter uma boa surpresa? Acho que não.

Written by David Arioch

fevereiro 8, 2017 at 10:40 am

Publicado em Reflexões

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Sobre discussões políticas

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Política parece-me um bom pretexto para pessoas provarem que no fundo são incapazes de demonstrar respeito por quem não partilha da mesma opinião. De certo, faz muito sentido xingar quem não pensa como você. Acho que mais do que democracia, falta humanização.

Written by David Arioch

setembro 1, 2016 at 4:15 pm

Publicado em Autoral

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Uma situação que diz muito sobre a nossa política

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coersion

Deputados se apropriando de parte do salário de seus assessores não é prática incomum na Alep (Arte: Reprodução)

Depois de ler uma matéria sobre o secretário estadual acusado de ter mantido dois funcionários fantasmas em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) em 2014, quando atuava como deputado estadual, lembrei de uma história que um amigo me contou há algum tempo.

A sua prima foi convidada para trabalhar como assessora de um deputado na Alep, só que o que ela não imaginava era que 50% do seu salário teria de ser entregue ao deputado, provavelmente para o “caixinha” da próxima campanha ou talvez para ajudar a financiar o partido.

Constrangida com a situação e também em ser conivente com tal improbidade, ela optou por pedir exoneração do cargo. Não tenho dúvida alguma de que a prática seja muito comum. O problema é que não há tantas notícias sobre o assunto porque muitos ainda são coniventes. Enfim, uma lástima que endossa o fato de que há muita gente capaz de abrir mão da honra e da dignidade por causa de dinheiro.

Política e desconforto

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Pintura "Doubt", de Ralph McDonald

Pintura “Doubt”, de Ralph McDonald

Um grande problema que percebo hoje em dia é a dificuldade de muitas pessoas em aceitar que alguém não se sinta confortável em apoiar a qualquer custo nenhuma ideologia política, ainda mais levando em conta o nosso mais do que híbrido cenário atual.

A partir do momento que você defende cegamente qualquer lado, seja de situação ou oposição, você está deixando claro que não reprova nem mesmo falhas excruciantes. E isto é um grande problema de algumas formas de militância da atualidade, a incapacidade em reconhecer erros.

E vejo muito desse “maniqueísmo ideológico e político” na internet. Existe uma unilateralidade visceral de raciocínio. Tenho opinião formada sobre algumas coisas, mas elas podem e em certas circunstâncias até devem ser mutáveis.

Written by David Arioch

maio 23, 2016 at 11:53 pm

A política no Brasil é tratada como uma prostituta

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Mesmo com a saída de Dilma, Ricardo Barros foi convidado a assumir o Ministério da Saúde (Foto: Reprodução)

A política no Brasil é tratada como uma prostituta. E uso um exemplo simples para ilustrar isso. O atual ministro da saúde, Ricardo Barros, foi da base governista da Dilma até pouco tempo atrás, quando era deputado federal. Já sua esposa, Cida Borghetti, se lançou como vice-governadora do Paraná ao lado de Beto Richa, do PSDB, em 2014. Ou seja, supostamente lados opostos. Curioso, não? Ainda mais levando em conta que os dois sempre tiveram inclinações políticas convergentes. Esse é o clássico exemplo de win-win situation.

No dia 7 de abril de 2016, há pouco mais de um mês, a Gazeta do Povo publicou uma reportagem destacando que Barros era o mais cotado para assumir o Ministério da Saúde, caso Dilma conseguisse se manter no cargo. Mas o mais intrigante é que foi justamente com a queda dela que Ricardo Barros assumiu a pasta. Na minha opinião isso deixa bem claro que a maior parte dos políticos não têm ideologia alguma, caso tivessem, provavelmente a conduta seria bem diferente.

Enquanto muitas brigas são travadas entre quem é de situação e quem é de oposição, os políticos simplesmente fazem seus acordos e seguem suas vidas como se nada mais importasse ou tivesse valor. Partidos e suas políticas hoje em dia pouco significam em meio a tantas negociatas. A verdade é que leva a melhor quem tem mais a oferecer.

As controvérsias do comunismo e do socialismo

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comunismo

Houve sim uma grande apropriação de ideias que serviram tão somente como mecanismo de propaganda (Arte: Reprodução)

Várias vezes já me perguntaram o que eu acho dos governos considerados “comunistas” ou “socialistas” no decorrer da história moderna. Bom, não acho fácil responder uma questão como essa porque acredito que seja importante fundamentar bem qualquer resposta. De qualquer modo, meu raciocínio costuma seguir por essa linha:

Basicamente eu acredito que nunca existiu de verdade um governo comunista ou socialista. Na minha opinião o que foi ou o que deveria ser o comunismo e o socialismo nunca saiu da teoria. O que a história mostra é que a partir dessas ideologias houve sim uma grande apropriação de ideias que serviram como mecanismo de propaganda, um recurso para camuflar alguns regimes totalitaristas que em um primeiro momento precisavam conquistar a simpatia das classes mais baixas, principalmente do proletariado.

Gosto de citar um exemplo também para ilustrar essa ideia: “O que houve com o comunismo e o socialismo foi o que aconteceu com a suástica, uma apropriação de algo que em essência significava uma coisa, mas que por uma obliteração simbólica e semântica perdeu quase que completamente o sentido original e diverso.”

Aí alguém pode me perguntar se acho que o comunismo ou o socialismo em essência funcionariam. Sinceramente, não sei. O que posso dizer é que sou avesso a qualquer forma de governo que interfira nas liberdades individuais. Além disso, políticas precisam ser pensadas dentro de um contexto atual. E se a política vai mal é exatamente porque ela não atende essas necessidades. Em breve pretendo publicar um texto em que abordo com alguma profundidade esse assunto mais do que controverso.

Written by David Arioch

maio 4, 2016 at 3:09 pm

Há diferenças entre viver na época da ditadura e entendê-la enquanto poder político

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Analfabetismo no Brasil da década de 1960 chegava a 60 e até 70% em muitos estados

Góes Monteiro, general que inspirou a Ditadura Militar no Brasil (Foto: Divulgação)

Góes Monteiro, general que inspirou a Ditadura Militar no Brasil (Foto: Divulgação)

Me sinto deslocado lendo tantos comentários que enaltecem a ditadura militar em páginas de notícias. “Meu pai, minha mãe, meu avô, minha avó, meu tio, minha tia e tantos outros contam que só apanhava na época da ditadura quem era bandido”, dizem muitos.

Francamente? Todo mundo tem alguém na família que diz isso e não é algo que me surpreenda porque interpreto de uma forma completamente diferente. Eles não reclamavam e ainda não reclamam da ditadura porque na realidade não se importavam muito com os rumos da política brasileira. Também gozavam de pouco entendimento sobre as responsabilidades de se viver em sociedade.

O individualismo naquela época já era uma coisa aberrante e foi exatamente isso que fez com que a ditadura perdurasse por 21 anos no Brasil. Ademais, tinha uma face sombria e uma néscia. A sombria era encampada por aqueles que se beneficiavam do sistema político vigente e a néscia era a dos menos instruídos ou incultos que tinham linha de raciocínio azêmola e solene, e por assim dizer até macabra de que “se o governo não me incomoda, tudo está perfeito, mesmo que pessoas morram à minha volta”.

A verdade que vejo pouca gente divulgando nos debates sobre o assunto é que nos tempos da DITADURA MILITAR havia uma grande massa de pessoas que não se importavam realmente com a democracia ou a liberdade de expressão. Muitos nem sabiam o significado dessas palavras, o que é aceitável, levando em conta que o analfabetismo no Brasil da década de 1960 chegava a 60 e até 70% em muitos estados, segundo o IBGE.

Por isso grande parcela da população brasileira da atualidade não teve e não tem familiar que foi perseguido nessa época, o que é muito normal, levando em conta que quando a ditadura chegou ao fim o Brasil contava com mais de 136 milhões de pessoas. E tudo isso pode ser usado para reforçar o discurso falseado de que só os “piores cidadãos” eram perseguidos pelos militares. A mim isso significa algo bem simples. O que veio depois não foi graças ao esforço da maioria, o que na minha modesta opinião endossa mais ainda as histórias de luta de quem seguiu na contramão da obviedade.

Pondero que ter vivido na época da ditadura e tê-la compreendido na essência são coisas completamente diferentes. Conheço muitos idosos que a enaltecem, inclusive da minha família, mas esses não desempenhavam atividades intelectuais, culturais, artísticas ou econômicas que pudessem ser cerceadas. Sendo assim, considero no mínimo incoerente citar um familiar que pouco ou nada contribuiu para os rumos da democracia no Brasil, mesmo que não exercida na sua plena funcionalidade.

Em Paranavaí, no Noroeste do Paraná, tivemos até obras musicais e poemas censurados no Festival de Música e Poesia de Paranavaí (Femup), principalmente nas décadas de 1960 e 1970, porque o Dopes suspeitou que havia conteúdo subversivo nos trabalhos enviados, o que não era verdade. E são pessoas que qualificam a ditadura militar como revolução que falam mal de ditadores. Ou seja, um entranhado e estrambólico paradoxo.

Além disso, acredito que embora o Golpe de 1964 tenha sido colocado em prática como uma promessa de transformar o Brasil em um país do futuro, o que ele fez foi instituir uma retrógrada forma de colonialismo baseada em relações de trabalho fundamentadas no barateamento e precarização da mão de obra, o que já acontecia na Europa e nos Estados Unidos na década de 1920.

Ou seja, inspirados na velha Doutrina Góes Monteiro, da Era Vargas, os generais fizeram com que o Brasil evoluísse sim em industrialização, não tenho dúvida disso, mas um progresso que a exemplo de outras versões beneficiou a menor parcela de brasileiros.