David Arioch – Jornalismo Cultural

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Caninus, a história de uma banda vegana liderada por pit bulls

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Proposta era conscientizar sobre vegetarianismo, veganismo e adoção de cães abandonados

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Fundada em 2003, a banda nova-iorquina de grindcore Caninus, que chegou definitivamente ao fim no início de 2016, conquistou muita popularidade ao longo dos anos por ter duas cadelas da raça pit bull terrier como vocalistas – Basil e Budgie. Com uma proposta de promover o vegetarianismo, veganismo, a importância da adoção de cães abandonados e a conscientização em torno da desinformação sobre os pit bulls, a banda surgiu por iniciativa do guitarrista Justin Brannan e da guitarrista Rachel Rosen, da banda de Metalcore Most Precious Blood, que são ativistas dos direitos animais.

“As duas cadelas eram muito vocais, sempre brincávamos com elas, e elas possuíam rosnados excelentes. Crescemos ouvindo Cannibal Corpse, Napalm Death e Terrorizer [bandas de metal extremo], então achamos que seria engraçado fazer um som com elas rosnando sobre a música”, conta Brannan.

O que começou como uma brincadeira que entraria como bônus em um CD do Most Precious Blood, se tornou algo mais sério. Eles receberam propostas para gravar alguns discos, sem qualquer compromisso, e aceitaram. “O Caninus surgiu com uma mensagem bem direcionada – direitos animais, vegetarianismo, veganismo e adoção de animais. Nosso propósito maior era esse, até porque Budgie e Basil foram adotadas, eram cães resgatados por nós”, garante o guitarrista.

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A princípio, muita gente achou que o Caninus era uma sátira às bandas de grindcore e brutal death metal, porém Justin e Rachel fazem questão de deixar bem claro que isso não era verdade. “Todas as bandas de death metal têm caras que tentam soar como animais, e percebemos que poderíamos dar isso a eles da forma mais verdadeira possível. Somos fãs desses estilos. Não fazemos piadas disso. Foi tudo uma boa diversão. E os cães eram as estrelas. Somos os anônimos, seres humanos descartáveis”, esclareceu Brannan.

Até 2011, o grupo lançou o álbum “Now the Animals Have a Voice”, de 2004, um split com o projeto Hatebeak – que tem como vocalista um papagaio do congo chamado Waldo, e outro split com a banda também vegana Cattle Decapitation, os dois em 2005 e lançados pela War Torn Records. Entre as músicas mais conhecidas do Caninus estão “Brindle Brickheads (Unprecedent Ferocity)”, “No Dogs, No Masters”, “Fear of Dogs (Religious Myths)”, “Human Rawhide”, “Bite the Hand That Breeds You”, “Locking Jaws” e “Fuck The American Kennel Club”.

Esta última é uma crítica ao American Kennel Club, um dos maiores clubes de registro de genealogias de cães dos Estados Unidos, que realiza um trabalho que vai contra tudo aquilo que o Caninus defende, já que a banda entende que esse tipo de entidade só existe porque há pessoas criando animais de raças que são visadas comercialmente, assim estimulando a venda de cães como produtos e inviabilizando a adoção de animais abandonados.

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“As canções dizem respeito a questões que os pit bulls enfrentam hoje. É a raça mais mal compreendida e abusada lá fora”, acrescentou Brannan. Entre os bateristas que participaram do Caninus, um dos grandes colaboradores foi Colin Thundercurry. Em 2008, o baterista Richard Christy, que tocou com importantes bandas de metal como Death, Control Denied e Iced Earth participou de algumas músicas do Caninus.

Todo o processo de gravação da banda só foi colocado em prática com os cães bem à vontade, e livres para serem eles mesmos. Justamente para não condicioná-los, Justin Brannan e Rachel Rosen optaram por não fazer shows.

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Mesmo assim, o trabalho do Caninus foi longe, e teve um retorno tão positivo e inesperado para os músicos que até celebridades como as atrizes Susan Sarandon e Bernadette Peters declararam o seu amor pela banda e pela proposta de conscientização sobre os direitos animais.

Infelizmente, em 5 de janeiro de 2011, Basil faleceu aos dez anos, e sua morte se tornou notícia em diversos sites especializados em heavy metal. O Metal Sucks, um dos mais populares, publicou um texto em que declarou: “Sabemos como os animais podem tocar a vida das pessoas e sentimos sinceramente ao saber da passagem de Basil, R.I.P., nossas condolências a Justin e Rachel.”

O Caninus ainda realizou alguns registros ocasionais, inclusive assumiu o compromisso de lançar um novo disco em 2016, mais uma vez sem finalidade comercial, porém, a vocalista Budgie faleceu em 3 de janeiro de 2016, aos 16 anos, assim marcando o fim definitivo da banda. Em homenagem à ela, Justin e Rachel publicaram um texto emocionado:

É com grande tristeza que devemos transmitir esta mensagem:

Budgie, a fundadora e único membro original do Caninus, faleceu. Ela tinha 16 anos. Originalmente chamada Shelby, depois de ter sido atirada de um Mustang e deixada para morrer com uma pesada corrente ao redor do seu pescoço, ela foi adotada por Belle [Rachel] and Sudz [Justin], do North Hempstead Animal Shelter, e renomeada Budgie. Ela ganhou uma nova vida no Brooklyn no verão de 2000.

Budgie era muito parecida com o Lemmy [Kilmister]. Desde o primeiro dia, ela viveu sua vida baseada em suas próprias regras. Era uma apaixonada e tinha o coração de um campeão. Eles dizem que os cães nos ensinam tudo que precisamos saber sobre a vida sem dizer uma palavra – esta era Budgie. Há alguns meses, Budgie gravou vocais para o lançamento do último trabalho do Caninus, que deve ver a luz do dia em breve.

Todos nós fomos sortudos por tê-la conosco pelo tempo que foi possível. Ela tocou muitas vidas, lambeu muitos rostos, empurrou muitas pessoas para fora da cama, roubou muitas fatias de pizza, comeu muitos burritos e, mais importante, inspirou muita gente a adotar animais de abrigos em vez de comprá-los em pet shops ou de vendedores online.

Saiba Mais

Antes do surgimento do Caninus, Justin Brannan e Rachel Rosen já realizavam trabalho voluntário no North Hempstead Animal Shelter, uma das entidades mais respeitadas no resgate de animais abandonados em Nova York.

No site do Caninus, eles divulgavam produtos livres de crueldade contra animais e também dicas para veganos e para quem tinha interesse em aderir ao veganismo, além de informações sobre doações e resgate de animais.

Referências

Caninus

http://www.verbicidemagazine.com/2013/08/08/caninus-grindcore-death-metal-band-dog-vocalist-singers-brindle-brickheads/

http://www.metalinsider.net/in-memoriam/r-i-p-budgie-pit-bull-and-caninus-vocalist

http://www.mtv.com/news/1525305/for-those-about-to-squawk-metal-bands-with-non-human-singers/

Snapcase: “Eu nunca iria matar um animal e comê-lo. Então por que eu iria simplesmente comprá-lo?”

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Taberski: “Isso não faz diferença só porque alguém matou e realizou todo o processo”

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O Snapcase foi fundado em 1991 (Acervo: Modern Fix)

Uma das bandas mais importantes do cenário de hardcore punk do estado de Nova York, a banda Snapcase, fundada em Buffalo em 1991, surgiu por iniciativa de três amigos; um deles é o vocalista Daryl Taberski, que é vegano e único integrante da formação original que ainda continua no grupo. Embora o Snapcase não tenha o veganismo como temática primária em suas músicas, algumas de suas composições vão por esse caminho, mesmo que não de forma tão direta. Um exemplo é a música “Guilty By Ignorance”, do álbum “Progression Through Unlearning”, de 1997.

Na letra, Taberski fala sobre como somos culpados pela nossa própria ignorância quando temos condições de melhorar o mundo em que vivemos, mas optamos por dar dinheiro a empresas que matam sem demonstrar qualquer remorso, porque visam simplesmente os lucros. “E você não se importa de saber que sua vida rouba vidas. Então dê uma olhada em sua consciência vazia, porque ignorância não é inocência. Você se tornou, você se tornou o inimigo daqueles que são vítimas da ganância”, grita o vocalista em um trecho de “Guilty By Ignorance”.

Em “Box Seat”, do álbum “Designs for Automotion”, o Taberski fala sobre a cultura de consumo e como nos diluímos nesse meio, ignorando inclusive quem somos. “Não nos venda uma imagem perfeita. Nós vamos lutar para nos encontrarmos. Queremos o desafio impopular, queremos testar o nosso intelecto, teste nosso intelecto. Estamos programados, condicionados. Sem sentido, emoções sem sentido. Perdemos nosso desejo de pensar sozinhos, de pensar sozinhos, de pensar sozinhos…”, berra em “Typecast Modulator”, do disco “Designs for Automotion”, de 2000.

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Taberski: “Para mim, [ser vegano] é ir ao fundo das coisas” (Acervo: Art Voice)

Em entrevista a Mike Bushman, do Modern Fix, Daryl Taberski contou que se tornar vegano fez com que ele entendesse muitas coisas de forma diferenciada. “Não é uma coisa difícil de fazer. Eu nunca iria matar um animal e comê-lo. Para mim, [ser vegano] é ir ao fundo das coisas. Então por que eu iria simplesmente comprá-lo? Isso não faz diferença só porque alguém matou e realizou todo o processo”, argumentou.

Taberski declarou que hoje em dia as pessoas estão mais conscientes sobre o que é o veganismo, ao contrário de anos atrás quando um vegano era facilmente considerado uma “aberração”. ‘As pessoas perguntavam: ‘Vegano? O que é isso?’”, exemplificou. O músico também reconheceu que tem se tornado cada vez mais fácil encontrar comida sem ingredientes de origem animal. “Até mesmo os grandes supermercados de Buffalo, onde vivemos, dedicam uma sessão inteira à comida vegetariana e vegana”, disse em entrevista ao Enzk Punk and Hardcore Fanzine.

De 1994 a 2003, o Snapcase, que hoje tem Daryl Taberski como único membro fundador, lançou os álbuns “Lookinglasself”, “Progression Through Unlearning”, “Designs for Automotion”, “End Transmission” e “Bright Flashes”.

Saiba Mais

Originalmente, Daryl Taberski era baixista do Snapcase. O posto de vocalista era ocupado por Chris Galas.

Os discos “Designs for Automotion” e “Progression Through Unlearning” são apontados como as maiores contribuições da banda ao hardcore punk.

Referências

http://www.modernfix.com/interviews-2/feature-4/

http://www.angelfire.com/wi/enzk/snapcase.html

http://snapcase.com/

8 Foot Sativa, metal contra a exploração animal

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Banda neozelandesa que conquistou projeção internacional é formada apenas por músicos veganos

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8 Foot Sativa é uma banda de metal de Auckland, na Nova Zelândia, que foi fundada em 1998 e traz na formação somente músicos veganos. Também é considerada uma das bandas de metal mais bem-sucedidas internacionalmente da história do país.

Com uma postura vegana e favorável ao abolicionismo animal, o 8 Foot Sativa já excursionou com bandas como Motörhead, Fear Factory, Corrosion of Conformity, Soufly, Disturbed, Slipknot, Korn, System of a Down e Children of Bodom, o que tem ajudado a espalhar a sua mensagem contra a exploração animal.

Em 2007, eles lançaram o álbum “Poison of Ages”, baseado em nove músicas que apresentam o ponto de vista de um vegano sobre diversos temas, mas principalmente sobre a maneira como a humanidade vem destruindo o planeta ao longo dos tempos.

Formado por Justin “Jackhammer” Niessen (vocal), Nik Davies (guitarra), Gary Smith (guitarra), Htims “Rom” Mor (Baixo) e Corey Friedlander (bateria), o 8 Foot Sativa lançou em janeiro de 2009 um single intitulado “Sleepwalkers”. No clipe de divulgação da música homônima, que faz referência ao fato do ser humano agir como um sonâmbulo em relação à exploração animal, o espectador é convidado a seguir um bezerro que é levado de uma fazenda para um matadouro.

Depois, vemos uma família comprando a carne do bezerro em um mercado, o que é uma alusão ao fato de que financiamos esse tipo de morte quando consumimos carne. “Sleepwalkers” é um vídeo visceral que mostra também como são tratados porcos e galinhas, animais mantidos confinados em pequenos espaços. Para intimidar ainda mais o público, ao final a banda informa: “Milhares de animais foram prejudicados na produção deste vídeo.”

Em fevereiro 2013, a banda lançou a coletânea “Ten Years of Sativa”, que traz a música “Sleepwalkers”. Antes do surgimento do 8 Foot Sativa, os integrantes formaram uma banda no colegial e tocaram covers de Sepultura, Slayer, Pantera, Metallica, Judas Priest e Iron Maiden, algumas das suas principais influências. De 2002 a 2013, eles lançaram os álbuns “Hate Made Hate”, “Season for Assault”, “Breed the Pain”, “Poison of Ages” e “The Shadow Masters”.

Referências

http://www.8footsativa.co.nz/

https://www.facebook.com/8FOOTSATIVABAND/

http://www.muzic.net.nz/artists/512.html

http://www.metal-archives.com/bands/8_Foot_Sativa/14412

 

 

Ian Mackaye: “Nossa sociedade está centrada em torno do consumo de carne, e nossa sociedade é uma droga”

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“Por que não ser vegetariano? Posso dar pelo menos 10 razões para ser vegetariano”

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Ian MacKaye: “Me tornei vegetariano em 1984, e um punk rocker em 1979” (Foto: Dischord Records)

Ian Mackaye, um dos nomes mais importantes da história do hardcore, e que esteve à frente das bandas Minor Threat e Fugazi, tornou-se vegano em 1990, e desde então concedeu inúmeras entrevistas falando um pouco sobre suas motivações em não consumir nada de origem animal.

“Me tornei vegetariano em 1984, e um punk rocker em 1979. Mas acredito absolutamente que o meu interesse na contracultura, no underground, me levou eventualmente a aplicar o mesmo tipo de pensamento crítico em tudo que eu fazia. Quando as pessoas me perguntam sobre minha dieta, ‘Por que você não come carne?’ A resposta sempre é: “Por que não? Por que eu deveria?’ Posso pensar em centenas de razões pelas quais eu não comeria um pedaço de carne, assim como não comeria um pedaço de merda”, disse MacKaye em entrevista publicada na Satya Mag em agosto de 2006.

A resposta do músico tornou-se bastante usual, e até mesmo uma forma eficaz de mostrar as pessoas o quanto elas estão imersas na própria conveniência quando estranham alguém que diz ter optado pelo vegetarianismo ou veganismo. No documentário “Edge”, lançado em 2009, e que fala sobre a cultura straight edge, que tem MacKaye como um dos seus principais ícones, ele explica que não raramente as pessoas o perguntam: “Por que ser vegetariano?”

E a reação dele não poderia ser diferente: “Por que não ser vegetariano? Posso dar pelo menos 10 razões para ser vegetariano.” Não raramente, alguém rebate que não é possível obter certas vitaminas sendo vegetariano, o que costuma levá-lo aos risos, já que, segundo o músico a maioria das pessoas que fazem esse questionamento não dão a mínima para as vitaminas. “A razão pela qual a maior parte das pessoas não é vegetariana é porque é conveniente. Elas são criadas em uma sociedade que é tão fácil não ser vegetariano. É apenas isso. Mas eu posso pensar em muitas razões pela qual eu devo ser. É tão natural, é uma extensão natural do processo pelo qual a vida deve ser vivida”, argumentou.

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Mackaye, importante nome da história do hardcore (Foto: Dischord Records)

Na metade dos anos 1980, depois do primeiro ano sem consumir carnes, como MacKaye tinha um desvio de septo, ele baniu todos os derivados de leite da sua alimentação, o que também facilitou mais tarde sua transição para o veganismo. Ademais, para quem não se importa com a crueldade contra os animais, o músico declarou que há outros pontos a se considerar, como por exemplo o fato de que os seres humanos não têm o hábito de consumir carne porque a consideram saudável. “Então por que continuar comendo essa porcaria? Comida vegana é deliciosa e saudável”, enfatizou em entrevista à Bianca, do Vegan Crunk, no Memphis Brooks Museum of Art, publicada em 16 de setembro de 2010.

A Jeff Jetton, do NYC Brightest Young Things, ele contou que há pessoas que agem de foram estranha quando o convidam para jantar e ficam sabendo que ele é vegano. “Não sinto falta de nada da minha antiga dieta [antes de tornar-se vegano]. É bom ter a sensação de que eu tenho total controle sobre a minha vida”, comentou em entrevista ao fanzine alemão Ox em agosto/setembro de 2010.

Para Ian MacKaye, que não gosta tanto de falar sobre veganismo em entrevistas porque não gosta de ser mal interpretado, tudo na vida é uma ação política. “Para mim, o que eu como ou o que não como, com certeza é algo político. Nossa sociedade está centrada em torno do consumo de carne, e nossa sociedade é uma droga”, lamentou à Satya Mag e ao Vegan Crunk.

Saiba Mais

Ian MacKaye nasceu em 16 de abril de 1962 em Washington, DC, nos Estados Unidos. Seus primeiros registros fonográficos foram lançados em 1981.

Além da banda de hardcore Minor Threat e da banda de pós-hardcore Fugazi, ele gravou com as bandas The Teen Idles, Skewbald/Grand Union, Egg Hunt, Embrace, Pailhead e The Evens.

Ele é co-fundador da conceituada gravadora independente Dischord Records, em Washington D.C..

Referências

https://brightestyoungthings.com/articles/ian-mackaye-interview

http://vegancrunk.blogspot.com.br/2010/09/high-on-ian-mackaye.html

http://www.ox-fanzine.de/web/itv/3799/interviews.212.html

http://www.satyamag.com/aug06/mackaye.html

Anchor: “Ter estupro e assassinato como premissa para ter comida sobre a mesa é absolutamente desnecessário”

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“Fazemos tudo que podemos em nossos shows para chamar a atenção para o veganismo”

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Fundada em Gotemburgo, na Suécia, em 2007, a banda de hardcore punk Anchor (Âncora), é formada somente por músicos suecos e noruegueses que seguem duas filosofias de vida – veganismo e straight edge. Ao longo dos anos, o grupo que já tocou na América do Sul com o Ratos de Porão, realizou ações em parceria com inúmeras organizações em defesa dos direitos animais, como a sueca Förbundet Djurens Rätt (Federação dos Direitos Animais).

“Fazemos tudo que podemos em nossos shows para chamar a atenção para o veganismo. Estou feliz por fazer parte desse movimento. Cada pequena coisa que podemos fazer para aumentar a conscientização significará algo para alguém em longo prazo. Há sempre jovens que não foram expostos a essas questões tanto quanto podemos imaginar. É fácil pensar que todo mundo tem entendimento dos direitos animais, mas infelizmente não é assim, mesmo em uma comunidade de pensamento progressivo como a nossa”, disse o vocalista Claes em entrevista publicada no The Grumpy Sailor em 16 de outubro de 2014.

Entre os anos de 2008 e 2015, o Anchor lançou os álbuns “The Quiet Dance”, “First Year”, “Recovery” e “Distance & Devotion”. Este último conta com uma música intitulada “Hope Diest Last”, que fala sobre o estado atual do planeta e a luta por um lugar mais compassivo para todos viverem. “As primeiras linhas começaram como uma canção sobre a minha pequena Ebba. Mas depois de reescrevê-la inúmeras vezes, acabou ficando um pouco diferente”, informou.

Ebba é uma cachorrinha que Claes adotou em Málaga, na Espanha, quando estavam em turnê. A adoção foi feita por meio da organização SOS Animais, que costuma resgatar animais que vivem nas ruas. “Ela tinha uma história diferente. Veio de um criador que estava abusando de seus cães. Ela mal estava viva quando os voluntários a tiraram dele”, confidenciou ao Grumpy Sailor.

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Claes se recordou também que durante a Anchor South American Tour, eles viram um monte de cães abandonados. Em uma noite, em uma cidade do Sul do Chile, ele sentou-se diante de uma estrada com uma cadelinha em seu colo e notou em seus olhos que ela não queria que ele fosse embora. Como Claes não podia levá-la, ele chorou. “Tirei algumas fotos para me lembrar dela. Acho que foi quando decidi mudar minha vida e tomar conta de um cão”, revelou.

Com Ebba em casa, Claes viu sua rotina se transformar. Seus  dias se tornaram mais divertidos e a cadelinha levou tanta positividade para sua vida que ele se surpreendeu. “Trabalho em meu escritório e passo o tempo com ela ao meu lado. Saímos na natureza o máximo que podemos. Me sinto abençoado, não de forma religiosa, por tê-la em minha vida”, enfatizou.

Influenciado por bandas como Good Riddance, Entombed, Separation, 108 e Robyn, o Anchor pratica um som inovador e ao mesmo tempo fiel à velha escola do hardcore punk, inclusive ideologicamente. Questionado pelo DIY Conspiracy em publicação de 18 de janeiro de 2008 sobre a sua opinião em relação a jovens veganos e straight edge que compram produtos da Nike e da Coca-Cola, ele disse que isso não o agrada de modo algum, já que as duas, assim como outras multinacionais, representam o capitalismo global que contribui tanto para a exploração de vidas humanas quanto não humanas.

“Eu quero vê-las destruídas mais do que qualquer coisa. Mas eu também sei que o hardcore não é onde a revolução dará seus primeiros passos. Para muitas pessoas, é apenas música, é sobre assumir uma aparência em vez de ideias. Acho isso muito triste. Contudo, a única coisa que eu como indivíduo posso fazer é ser um exemplo positivo e inspirador, eu acho”, declarou.

Ao DIY Conspiracy, Claes explicou que o veganismo e os direitos animais são muito importantes, tanto para ele quanto para o Anchor, no entanto, eles preferem voltar seus esforços para que sejam reconhecidos sempre como uma força positiva. “Pode ser que nosso trabalho não seja nada se comparado ao que outras pessoas fazem pela libertação animal, mas eu sinto que é importante que a cena hardcore seja um lugar onde os jovens conheçam o veganismo e se envolvam com isso”, assinalou.

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De acordo com Claes, os integrantes do Anchor reconhecem a vida dos animais como sendo somente deles, o que é um motivo mais do que justo para não consumirem produtos de origem animal. “Se é um produto pago ou não, não tem qualquer relevância para nós. Acho muito triste quando as pessoas viram as costas para elementos positivos em suas vidas, como o veganismo e o straight edge. Acho que há um milhão de razões para ser vegano, e é algo que não pode ser negado. Para aqueles que ainda não são veganos ou vegetarianos, por favor, façam um favor e eduquem-se. Você ficará chocado e horrorizado com o que está acontecendo”, recomendou.

Uma vez, enquanto conversava com seu irmão sobre veganismo, Claes ponderou o quão insana é a realidade de ter a morte como parte da realidade diária. “Ter estupro e assassinato como premissa para ter comida sobre a mesa é absolutamente desnecessário”, criticou.

Ele se referiu aos animais que têm suas vidas interrompidas precocemente em matadouros; e também àqueles que são explorados a vida toda, tendo sua intimidade invadida e sua sexualidade banalizada e violada exaustivamente, como ocorre com as vacas condicionadas a atenderem a demanda dos laticínios. Claes lembrou ao DIY Conspiracy que nos anos 1990 a Suécia teve um dos cenários de libertação animal mais ativos da Europa, o que abriu caminho para mudanças positivas.

Referências

https://thegrumpysailor.com/2014/10/16/anchor-interview/

http://diyconspiracy.net/anchor/

Written by David Arioch

março 5, 2017 at 11:08 pm

John Feldmann: “Os laticínios são os piores. Cheguei a preferir que as pessoas comessem um bife do que bebessem um copo de leite”

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“Porque pelo menos a vaca logo estaria livre de sua vida miserável. Com o leite, a situação é outra”

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“Percebi que eu precisava mudar de vida [tornar-se vegetariano]” (Foto: Fuse TV)

Vocalista e guitarrista da banda de punk rock/ska Goldfinger, o vegano John Feldmann, que já vendeu mais de 34 milhões de discos, é conhecido por usar a música como forma de ativismo em defesa dos direitos animais. Um grande exemplo é a composição “Free Me”, ou seja, “Me Liberte”, que faz parte do álbum “Open Your Eyes”, de 2002. Na composição, ele mostra imagens registradas em matadouros e critica o tratamento dado aos animais explorados pela indústria alimentícia.

“Sou um cara muito ocupado e eu costumava comer muito fast-food. Percebi que eu precisava mudar de vida [tornar-se vegetariano]. Decidi fazer o que meu coração dizia. Hoje me sinto mais vivo espiritualmente e sei que estou fazendo a coisa certa. Para mim, se tornou difícil assistir as pessoas comendo carne”, disse em entrevista ao FamousVeggie.com.

Principal compositor da banda Goldfinger, fundada em Los Angeles em 1994, Feldmann defende que atualmente há muitas opções para veganos e vegetarianos, e a internet pode facilitar muito a pesquisa sobre o que comer ou onde comer. Entre as suas especialidades na cozinha estão tacos, torradas francesas e shakes veganos. “Mesmo tendo filhos, eu ainda tenho as mesmas crenças e tudo o mais”, garantiu a Alex Obert, do Journey of a Frontman, em entrevista publicada em 22 de agosto de 2014.

Desde que se tornou vegetariano aos 29 anos, Feldmann decidiu fazer dos direitos animais a sua principal bandeira. Ele é da opinião que, se alguém estiver disposto a ouvi-lo, ele é capaz de passar o dia todo falando sobre a importância dos direitos animais, justificando que a causa se tornou a coisa mais importante da sua vida.

“Mas eu não quero que um garoto pague para ver o nosso show e escute apenas as minhas opiniões. Sou um artista, não um político. É apenas uma questão de dizer: ‘É nisso que acredito. Talvez você possa conferir.’ Sinto que um ou dois minutos em um show de uma hora é tempo o suficiente”, afirmou em entrevista à revista Satya em maio de 2003.

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“Naquele tempo, eu não tinha ideia das atrocidades nos matadouros” (Foto: Divulgação)

Algumas pessoas podem dizer que a realidade retratada no clipe “Free Me”, da banda Goldfinger não retrata a realidade de todos os matadouros, e que são casos isolados. Porém, para quem pensa assim, Feldmann tem uma mensagem: “A verdade é que isso acontece em todos os lugares e a todo momento. No final dos meus shows, pelo menos 20 jovens me dizem que vão se tornar vegetarianos ou veganos por causa desse vídeo [Free Me], ou da música, ou da nossa banda. Isso é a coisa mais poderosa de todas que conquistei em minha carreira”, declarou.

Questionado sobre o que o motivou a tornar-se vegetariano e mais tarde vegano, ele contou que a sua transformação começou quando, por meio de informações do Instituto Earth Island, de São Francisco, ele soube dos abusos sofridos pelos golfinhos. “Eu disse: ‘Isso é errado, o que posso fazer?’ Então parei de comer atum de empresas que usavam redes [responsáveis pela morte de golfinhos]. A partir daí, comecei a prestar atenção nos circos, de onde vem o couro, coisas assim”, informou em entrevista à Satya.

A mudança maior veio com “Babe”, de Chris Noonan, lançado em 1995. O filme levou John Feldmann a fazer a conexão entre os animais e a origem da comida. “Parei de comer porcos assim que vi o filme. Então todas as outras coisas, como pedaços crocantes de frango que eu mordia, fiquei como: ‘Por que estou comendo isso? O que estou fazendo?’ É tão errado! Naquele tempo, eu não tinha ideia das atrocidades nos matadouros”, justificou.

O impacto foi ainda maior quando descobriu que porcos são espertos como os cães. Depois, ele continuou pesquisando e encontrou muitas filmagens de matadouros. “Aquilo foi horrível. Quanto mais eu buscava, mais eu encontrava. Para mim, os laticínios são os piores. Cheguei a preferir que as pessoas comessem um bife do que bebessem um copo de leite, porque pelo menos a vaca logo estaria livre de sua vida miserável. Com o leite, a situação é outra [o sofrimento é prolongado, já que elas são abatidas somente quando param de produzir leite]”, lamentou à Satya.

Embora tenha sido lançado em 2002, até hoje o vídeo da música “Free Me”, ou “Me Liberte”, em que Feldmann reage contra a indústria da exploração animal ao dar voz aos animais, é considerado um dos hinos dos direitos animais, inclusive sendo usado até hoje por organizações e ativistas de todo o mundo.

Me Liberte

Eu não pedi pra você me tirar daqui
Eu não pedi para ser quebrado
Eu não pedi para acariciar meu cabelo
Você me trata como uma lembrança sem valor

Mas minha pele é grossa
E minha mente é forte
Fui criado como meu pai
Não fiz nada de errado

Então me liberte
Eu só quero sentir o que a vida deveria ser
Eu só quero espaço suficiente para me virar
E enfrentar a realidade
Então me liberte

Quando você vai se dar conta de que
Você está errado
Você não consegue nem pensar por si mesmo
Você não consegue se decidir
Por isso, minha mente é uma jaula
Eu odeio toda a maldita raça humana
Que diabos você quer de mim?
Mate-me se você não sabe
Ou me liberte

Eu só quero sentir o que a vida deveria ser
Eu só quero espaço suficiente para me virar
Porque vocês estão todos ferrados
Algum dia talvez você me trate como a si mesmo.

Saiba Mais

John Feldmann nasceu em 29 de junho de 1967 e decidiu começar a tocar guitarra aos 16 anos, quando ouviu “Mommy’s Little Monster”, da banda Social Distortion, fundada pelo vegetariano Mike Ness.

Com o Goldfinger, entre os anos de 1996 e 2008, John Feldmann lançou os álbuns “Goldfinger”, “Hang-Ups”, “Stomping Ground”, “Open Your Eyes”, “Disconnection Notice” e “Hello Destiny”.

 Referências

http://goldfingermusic.com

http://www.famousveggie.com/interviews/john_feldmann.aspx

https://journeyofafrontman.com/2014/08/22/on-the-line-with-john-feldmann-of-goldfinger/

http://www.satyamag.com/may03/feldman.html

Written by David Arioch

março 3, 2017 at 8:43 pm

Merzbow: A Terra não pertence apenas ao homem. É necessária uma simbiose com as outras espécies”

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Masami Akita: “Comecei a ler livros e a pesquisar na internet sobre direitos animais”

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Merzbow participando de protesto contra a exploração animal no Japão (Foto: Divulgação)

Em 2002, o compositor japonês Masami Akita, mais conhecido como Merzbow, uma das mais importantes referências em noise music, decidiu criar quatro pequenas galinhas ornamentais. A experiência o estimulou a ver os animais de outra forma, e a buscar informações que transformariam sua vida. “Comecei a ler livros e a pesquisar na internet sobre direitos animais, e isso desencadeou uma consciência do mal que a humanidade tem feito. Foi assim que me tornei vegano”, enfatizou em entrevista a Andre Pluskwa da revista Kochen Ohne Knochen em janeiro de 2011.

Em 2005, ele publicou um livro chamado Watashi no Saishokuseikatsu (Vida Sem Crueldade), em que discorre sobre a sua história com o veganismo, o seu relacionamento com os animais e o seu trabalho como músico, iniciado em 1979. “Também falo sobre a história da proibição do consumo de carne no Japão”, disse.

De acordo com Masami Akita, nos tempos antigos, e influenciados pelo budismo, sucessivos imperadores japoneses eram vegetarianos. Desde o século VII, os imperadores proibiam o consumo de carne, argumentando que isso ia contra os ensinamentos do budismo. “Não coma carne de animal”, diziam. Desde então, segundo Merzbow, a dieta japonesa tem sido baseada principalmente em arroz.

O consumo de carne era inclusive odiado pelos japoneses, até que os estadunidenses desembarcaram com a intenção de ‘abrir o país’ no século XIX. “Eles finalmente começaram a forçar as pessoas a adquirirem os hábitos de consumo de carne e, consequentemente, até mesmo o imperador aceitou isso e se tornou um comedor de carne. Comer carne se tornou cada vez mais comum com a ocidentalização do Japão”, criticou Akita.

O músico já participou de ações e manifestações realizados pela organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) Sea Sheperd e pelo Animal Rights Center (ARC), um grupo de direitos animais atuante no Japão. Bastante engajado, Merzbow costuma incluir folhetos sobre direitos animais em seus lançamentos. Muito populares também são os adesivos da Peta colados em seus equipamentos.

Em entrevista a Lara Garnermann, do Jame World, publicada em 7 de novembro de 2010, Masami Akita declarou que a sua música se tornou um meio de transmitir um pouco da mensagem dos direitos animais e do veganismo. “Claro, música é arte abstrata, mas acho que ela reflete as ideias do criador. Quero promover não apenas o bem-estar dos animais, mas os direitos animais. Bem-estar animal visa reduzir o sofrimento, a matança e a eutanásia dos animais. Direitos animais não é a mesma coisa. É a perspectiva de que os animais devem estar livres de qualquer abuso e assassinato”, assinalou.

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Ele usa a música como forma de transmitir um pouco da mensagem dos direitos animais (Foto: Divulgação)

Lançado em 2007, o seu álbum “Peace for Animals” é inteiramente dedicado aos animais, e traz uma música de pouco mais de 33 minutos intitulada “No More Exploitation of Animals”, ou seja, “Sem Mais Exploração de Animais“. “A música tem o significado, não é só a mensagem”, explicou Akita em entrevista a Gary Steel, do Witchdoctor, publicada em 9 de novembro de 2013. Ele também publicou um livro intitulado “My Vegan Life”, que ainda não tem tradução em inglês.

Segundo o músico, não é tão fácil encontrar restaurantes veganos no Japão, com exceção de Tóquio. “Desde que eu cozinhe para mim, não há nenhum problema”, garantiu. Nascido em 19 de dezembro de 1956, Masami Akita estudou belas artes na Universidade Tamagawa, onde se interessou principalmente pelo dadaísmo, corrente literária que o influenciou a criar o nome Merzbow, uma referência à obra arquitetônica baseada em sucata Merzbau (Casa Merz), do artista plástico alemão Kurt Schwitters.

Embora sua música seja definida como japanoise, o compositor japonês, que começou a fazer os primeiros shows em 1981, se tornou uma importante influência para músicos de todas as partes do mundo e dos mais diferentes gêneros musicais, mas principalmente do cenário underground. “Comecei gravando em fita, registrando ruídos da vida cotidiana”, revelou a Lara Garnermann, do Jame World. Ele também promove campanhas antitabagismo em locais onde participa e realiza concertos ao ar livre.

Entre os animais sob tutela de Masami Akita estão garnisé, pombo-da-cauda-de-leque, galinhas sedosas e patos. São animais que, em sua maioria, foram levados até ele por meio de ativistas e clínicas veterinárias. “São parte da minha família. Quando estou em turnê, minha família cuida delas”, informou a Andre Pluskwa da revista vegana kochen ohne knochen em janeiro de 2011.

Embora o vegetarianismo sob os aspectos de cultura alimentar e saúde seja bem divulgado no Japão, Merzbow lamenta que não há relação com os direitos animais, mas sim com um conceito reimportado da macrobiótica, originalmente popularizado fora do Japão por George Ohsawa e Michio Kushi.

Para Masami Akita, infelizmente o Japão não pode ser considerado um exemplo na relação entre seres humanos e animais. Porém, depois de tantas denúncias ao longo dos anos, inclusive reforçadas por documentários como ‘The Cove’, de Louie Psihoyos, que aborda a crueldade da caça aos golfinhos no Japão, o governo japonês tem sido apontado como negligente, e tem sido obrigado a tomar atitudes em relação a essa prática. “Eles [o governo] não discutem o problema da caça do ponto de vista dos direitos animais. Em outras palavras, a questão baleeira tem sido encarada como uma questão de nacionalismo”, queixou-se Masami Akita.

O músico crê que há muito trabalho a ser feito para que os animais sejam vistos como seres com direito à vida e que merecem ser respeitados. No que depender dele, o Merzbow vai continuar sendo um veículo em defesa dos direitos animais. “A Terra não pertence apenas ao homem. É necessária uma simbiose com outras espécies”, afirmou.

Referências

http://merzbow.proboards.com/thread/15/new-interview-merzbow

http://www.jame-world.com/au/articles-69174-interview-with-akita-masami-of-merzbow.html

http://witchdoctor.co.nz/index.php/2013/11/merzbow-japanese-noise-guru/

Written by David Arioch

fevereiro 28, 2017 at 10:23 pm