David Arioch – Jornalismo Cultural

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Proteínas e musculação

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Todos os dias, vejo pessoas se empanturrando de proteínas, algumas inclusive com baixas necessidades – e aqui faço questão de citar principalmente aquelas que pesam menos de 80 quilos. Mal sabem que isso na realidade não vai fazer nenhuma diferença no ganho de massa muscular ou se lá qual for o objetivo para se consumir tantas proteínas.

Vivemos em uma sociedade que exalta tanto as proteínas de origem animal que, pelo menos no meio da musculação, é mais fácil encontrar quem consome proteínas em excesso do que quem as consome em quantidade suficiente ou até mesmo inferior ao necessário. A indústria foi magistral em criar falsas necessidades simplesmente para gerar lucro. E falo disso com alguma propriedade porque anos atrás eu também acreditava que o caminho era consumir grande quantidade de proteínas.

Em academias, vemos inclusive mulheres leves, que fazem inúmeras refeições ao dia e, ainda assim, não abrem mão do shake de whey protein. Talvez seja um placebo que gere algum tipo de motivação, porque é ingenuidade crer que é preciso se empanturrar de proteínas para alcançar qualquer objetivo.

Conheça seu corpo, suas próprias necessidades e busque ajuda profissional se necessário, mas uma dica que dou levando em conta os meus mais de dez anos de musculação é: se distancie desse mito que faz as pessoas associarem musculação com quantidades estratosféricas de proteínas. A maior prova da força da indústria é a incapacidade da maioria em conversar sobre musculação sem citar proteínas na maior parte das frases sobre o assunto.

Written by David Arioch

março 13, 2017 at 7:16 pm

Um camarada me falou que jamais deixaria de comer carne…

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Um camarada me falou que jamais deixaria de comer carne porque seria muito difícil ganhar massa muscular. Além de dizer que isso não é verdade, já que o ganho de massa muscular depende de uma combinação de fatores, não especificamente do consumo de carne, acrescentei o seguinte:

“Digamos que hipoteticamente você esteja certo. Agora vamos avaliar isso sob uma perspectiva moral. Você quer dizer então que os animais merecem morrer simplesmente para você ganhar músculos? Sabemos que roubar é um meio mais fácil de ganhar dinheiro, mas nem por isso eu e você cometemos crimes, não é mesmo?

Chamo isso de baliza moral, porque acredito que matar um animal para reduzi-lo à comida não deixa de ser um tipo de roubo, já que para que você possa comer carne alguém antes roubou a vida de um animal. Afinal, um animal não simplesmente se ofereceu para tornar-se comida, logo houve empenho de força e violência, sendo assim, um roubo.”

 

Reflexões sobre o consumo de carne e a musculação

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R$ 15 a R$ 20, esse é o valor que atribuímos ao quilo do coração de um animal (Foto: Reprodução)

Nenhum animal precisa morrer para que qualquer pessoa tenha resultados com a musculação. Acredito verdadeiramente nisso. Hoje em dia, se eu consumisse carne, por exemplo, eu logo associaria a ideia de que qualquer resultado conquistado teria custado a vida de muitos seres vivos.

Nesse meio, sempre vejo pessoas falando que compram caixas de filé de frango, e comem inclusive sem querer, ou até mesmo passando mal, porque veem a carne daquele pobre animal como essencial fonte de proteína para o ganho de massa muscular.

Ou seja, come-se até pelo desprazer, preocupando-se basicamente com resultados estéticos. Se eu fizesse isso hoje, logo perguntaria a mim mesmo, quantos animais mortos estou comendo por mês? Enquanto eu viso parecer melhor, aos animais é relegado o pior.

Ontem, conversando com um amigo na academia, falávamos sobre corações de frango. Um quilo de coração de frango significa muitos corações. Vende-se uma grande quantidade desse órgão, responsável pelo percurso do sangue bombeado através de todo o organismo do animal, por preços que variam de R$ 15 a R$ 20.

Esse é o valor que atribuímos ao coração de um animal que muita gente gosta de comer com limão. Não sei quantos corações pesam um quilo, mas duvido muito que um coração custe mais de 20, 30 centavos. Não consigo pensar em como isso pode não ser triste.

Written by David Arioch

janeiro 20, 2017 at 12:40 am

Veganismo e musculação, um pouco da minha história

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Me sinto muito melhor  hoje em dia

Comecei a abandonar a carne em 2014, mas ocasionalmente eu ainda comia alguma coisa nem que fosse uma vez por mês (como cito na minha crônica/conto “O Chamado dos Animais”), inclusive por anos eu tive um blog de culinária maromba com centenas de receitas. Era um blog praticamente ovolactovegetariano, e acabei abandonando também porque foi perdendo o sentido para mim, mesmo depois de tanto tempo dedicado. Eu não me via nem como vegetariano, apenas como alguém que não queria mais comer carne. Foi uma mudança interna mesmo, e que só comecei a entender depois.

Vivi dessa forma, tendo laticínios e ovos como minhas principais fontes de proteínas até o início de 2016, quando me tornei vegetariano e logo em seguida vegano. Foi diferente para mim, não nego, porque eu tinha uma alimentação com alta ingestão de proteínas, e quase todas as minhas receitas eram baseadas nesses ingredientes. E quem pratica musculação há muito tempo, sabe como somos bombardeados com essa ideia de que sem proteínas de origem animal, você já era.

Ainda assim, não me importei, porque não me tornei vegano pensando em mim, mas sim nos animais. Continuei treinando. Em 2016, segui minha rotina na academia, mas sem objetivo definido. Queria só levantar peso por prazer, então acabou por ser uma prática mais terapêutica e de manutenção de massa muscular. Não tive nenhuma grande perda nesse sentido porque me tornei vegano. Apenas achei melhor deixar as coisas acontecerem naturalmente. Não me preocupei muito com proteínas e com outras coisas que me apeteciam quando eu ainda consumia ovos e laticínios. Também não perdi força nem disposição. Só senti alguns pequenos desconfortos nas articulações, mas por motivos bem específicos.

Hoje, além de ter certeza que escolhi o melhor caminho, não recomendo a alimentação com ingredientes de origem animal. Sei que tenho capacidade de alcançar inclusive objetivos estéticos diferenciados com a alimentação vegana, mesmo depois de dez anos de musculação.

Em 2017, pretendo transformar meu corpo em um laboratório natural (já que não uso esteroides anabolizantes) para provar como o veganismo pode ser ainda mais transformador e alentador para quem, assim como eu, gosta de musculação. E, claro, para além dos aspectos morais e éticos do não consumo de ingredientes de origem animal. Ou seja, além de muitos novos textos, acredito que vem aí mais hipertrofia e mais qualidade muscular.

Written by David Arioch

janeiro 13, 2017 at 1:58 pm

O burrinho sentado

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Achei melhor começar pelo aparelho de gêmeos (Foto: Reprodução)

Aconteceu um fato inusitado na academia quando eu estava terminando o treino. Enquanto eu desmontava o leg press, notei um senhor me olhando. Acredito que ele mirava especificamente meu rosto. Talvez a minha barba. Simplesmente fingi que não percebi. Tirei uma grande quantidade de anilhas do leg press e decidi treinar panturrilhas.

Achei melhor começar pelo aparelho de gêmeos. Como a última pessoa a usá-lo foi justamente aquele senhor, atravessei até o outro lado da academia, onde ele fazia abdominais num canto, para perguntar se já tinha terminado de usar o tal aparelho, também chamado carinhosamente de “burrinho sentado”.

Depois de uma série de abdominais, o homem continuou deitado, com as mãos na testa e mirando o teto. Então me aproximei e perguntei: “O senhor terminou de usar o aparelho para panturrilha?” Acho que a minha presença era tudo que ele não esperava naquele momento. Levou um susto tão grande que seu corpo chegou a ficar suspenso no ar por um segundo, não sei ao certo. Só lembro da resposta e das balançadas de cabeça: “Terminei sim! Sim! Terminei sim!” Agradeci e caminhei em direção ao “burrinho sentado”.

Written by David Arioch

outubro 13, 2016 at 11:44 pm

Eu e as proteínas de origem animal

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Me recordo da última vez em que vi galinhas confinadas (Foto: MDrX)

Nunca fui um verdadeiro fã de carne. Carne nunca foi algo que me fez muita falta. Comia carne branca porque eu julgava como importante, até porque para onde eu olhasse havia alguma propaganda sobre as proteínas de origem animal. No meio da musculação, por exemplo, de cada cinco palavras ditas, uma costuma ser proteína. Dificilmente alguém toca no assunto sem dizer: “Proteína animal, proteína animal, proteína animal, alto valor biológico – filé de frango, claras de ovos…”

Com isso em mente, cheguei a consumir até três gramas de proteínas por quilo corporal em uma fase da minha vida. Pode ter certeza que é muita proteína, e uma quantidade que eu vejo hoje como absurda, desconfortável e desnecessária. Comia até sem querer porque tinha um objetivo a ser alcançado. E isso deveria ser bom? Não creio. Sempre fui saudável, exames perfeitos desde a adolescência, mas com o tempo deixei de absorver a ideia de uma dieta altamente rica em proteínas animais como uma coisa boa.

Sou um ser humano, não uma máquina. E tenho certeza que minhas necessidades são sempre mais modestas do que eu costumava imaginar ou acreditar. E acho que se meu organismo não quer um alimento, não devo ir além. Perdi as contas de quantas pessoas conheci que comiam tanto com a intenção de ganhar massa muscular que chegavam a sentir ânsia de vômito. Se exercitar e se alimentar bem deve ser sempre algo positivo, não impositivo, porque há sempre o risco da reeducação alimentar se tornar um novo tipo de disfunção.

Também cheguei a comprar caixas de filé de frango durante um período da minha vida. E comia sem prazer – porque qualificava isso como importante para a minha saúde, condição física e estética. Mesmo distante dessa realidade há muito tempo, ainda sou a mesma pessoa, sem qualquer prejuízo. E estou empenhado em provar que definitivamente não preciso de alimentos de origem animal.

Além disso, me recordo da última vez em que estive em uma granja e observei as galinhas confinadas, privadas de liberdade, almejando pelo menos um espaço maior de circulação. Elas não pareciam felizes, e foi então que tomei a decisão de não consumir mais ovos – último alimento de origem animal que comi. Muito tempo antes, comecei a refletir sobre a forma como sempre defendi a igualdade, o respeito e a tolerância entre os seres humanos.

E por que não estender isso aos animais? Já tinha abandonado a carne há um bom tempo, mas enquanto consumia ovos e laticínios não conseguia me ver como um ser humano em posição de falar de forma justa sobre a igualdade e a importância da vida.

Musculação, uma forma de terapia

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A musculação pra mim sempre foi uma forma de terapia

Recentemente fui ao ortopedista levar o resultado do meu exame de ressonância magnética. E o resultado, para a minha alegria, foi que posso continuar praticando musculação, já que minha hérnia de disco não piorou. Ou seja, não me impede de me exercitar. Perto de completar dez anos de musculação, foi como um presente. Muitas pessoas abandonam a musculação quando descobrem uma hérnia de disco.

Eu fiz o contrário, comecei a treinar justamente quando recebi o diagnóstico de um ortopedista que há mais de dez anos me disse que eu não poderia praticar musculação. Sim, contrariei suas recomendações porque eu não via sentido nisso, já que a musculação promove justamente o fortalecimento muscular. Sua sugestão me pareceu contraditória demais.

Apesar de saber que ainda hoje, e infelizmente, muitas pessoas qualificam a musculação como uma atividade meramente narcisista, superficial ou fútil, isso não condiz com a realidade. E eu sou a prova disso. Musculação, além dos benefícios que todo mundo conhece, foi a melhor forma de terapia que encontrei até hoje. Passo a maior parte do dia lendo e escrevendo, e isso gera um grande desgaste mental.

Então a musculação entrou na minha vida como uma atividade divertida e prazerosa que me ajuda a relaxar. Sem dúvida, ao longo dos anos tive os mais diferentes objetivos na academia, mas desde sempre o mais importante para mim é a sensação de bem-estar ao levantar pesos. Hoje, mais do que nunca, posso dizer que o resto é apenas consequência.

Written by David Arioch

julho 2, 2016 at 6:39 pm