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Caninus, a história de uma banda vegana liderada por pit bulls

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Proposta era conscientizar sobre vegetarianismo, veganismo e adoção de cães abandonados

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Fundada em 2003, a banda nova-iorquina de grindcore Caninus, que chegou definitivamente ao fim no início de 2016, conquistou muita popularidade ao longo dos anos por ter duas cadelas da raça pit bull terrier como vocalistas – Basil e Budgie. Com uma proposta de promover o vegetarianismo, veganismo, a importância da adoção de cães abandonados e a conscientização em torno da desinformação sobre os pit bulls, a banda surgiu por iniciativa do guitarrista Justin Brannan e da guitarrista Rachel Rosen, da banda de Metalcore Most Precious Blood, que são ativistas dos direitos animais.

“As duas cadelas eram muito vocais, sempre brincávamos com elas, e elas possuíam rosnados excelentes. Crescemos ouvindo Cannibal Corpse, Napalm Death e Terrorizer [bandas de metal extremo], então achamos que seria engraçado fazer um som com elas rosnando sobre a música”, conta Brannan.

O que começou como uma brincadeira que entraria como bônus em um CD do Most Precious Blood, se tornou algo mais sério. Eles receberam propostas para gravar alguns discos, sem qualquer compromisso, e aceitaram. “O Caninus surgiu com uma mensagem bem direcionada – direitos animais, vegetarianismo, veganismo e adoção de animais. Nosso propósito maior era esse, até porque Budgie e Basil foram adotadas, eram cães resgatados por nós”, garante o guitarrista.

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A princípio, muita gente achou que o Caninus era uma sátira às bandas de grindcore e brutal death metal, porém Justin e Rachel fazem questão de deixar bem claro que isso não era verdade. “Todas as bandas de death metal têm caras que tentam soar como animais, e percebemos que poderíamos dar isso a eles da forma mais verdadeira possível. Somos fãs desses estilos. Não fazemos piadas disso. Foi tudo uma boa diversão. E os cães eram as estrelas. Somos os anônimos, seres humanos descartáveis”, esclareceu Brannan.

Até 2011, o grupo lançou o álbum “Now the Animals Have a Voice”, de 2004, um split com o projeto Hatebeak – que tem como vocalista um papagaio do congo chamado Waldo, e outro split com a banda também vegana Cattle Decapitation, os dois em 2005 e lançados pela War Torn Records. Entre as músicas mais conhecidas do Caninus estão “Brindle Brickheads (Unprecedent Ferocity)”, “No Dogs, No Masters”, “Fear of Dogs (Religious Myths)”, “Human Rawhide”, “Bite the Hand That Breeds You”, “Locking Jaws” e “Fuck The American Kennel Club”.

Esta última é uma crítica ao American Kennel Club, um dos maiores clubes de registro de genealogias de cães dos Estados Unidos, que realiza um trabalho que vai contra tudo aquilo que o Caninus defende, já que a banda entende que esse tipo de entidade só existe porque há pessoas criando animais de raças que são visadas comercialmente, assim estimulando a venda de cães como produtos e inviabilizando a adoção de animais abandonados.

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“As canções dizem respeito a questões que os pit bulls enfrentam hoje. É a raça mais mal compreendida e abusada lá fora”, acrescentou Brannan. Entre os bateristas que participaram do Caninus, um dos grandes colaboradores foi Colin Thundercurry. Em 2008, o baterista Richard Christy, que tocou com importantes bandas de metal como Death, Control Denied e Iced Earth participou de algumas músicas do Caninus.

Todo o processo de gravação da banda só foi colocado em prática com os cães bem à vontade, e livres para serem eles mesmos. Justamente para não condicioná-los, Justin Brannan e Rachel Rosen optaram por não fazer shows.

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Mesmo assim, o trabalho do Caninus foi longe, e teve um retorno tão positivo e inesperado para os músicos que até celebridades como as atrizes Susan Sarandon e Bernadette Peters declararam o seu amor pela banda e pela proposta de conscientização sobre os direitos animais.

Infelizmente, em 5 de janeiro de 2011, Basil faleceu aos dez anos, e sua morte se tornou notícia em diversos sites especializados em heavy metal. O Metal Sucks, um dos mais populares, publicou um texto em que declarou: “Sabemos como os animais podem tocar a vida das pessoas e sentimos sinceramente ao saber da passagem de Basil, R.I.P., nossas condolências a Justin e Rachel.”

O Caninus ainda realizou alguns registros ocasionais, inclusive assumiu o compromisso de lançar um novo disco em 2016, mais uma vez sem finalidade comercial, porém, a vocalista Budgie faleceu em 3 de janeiro de 2016, aos 16 anos, assim marcando o fim definitivo da banda. Em homenagem à ela, Justin e Rachel publicaram um texto emocionado:

É com grande tristeza que devemos transmitir esta mensagem:

Budgie, a fundadora e único membro original do Caninus, faleceu. Ela tinha 16 anos. Originalmente chamada Shelby, depois de ter sido atirada de um Mustang e deixada para morrer com uma pesada corrente ao redor do seu pescoço, ela foi adotada por Belle [Rachel] and Sudz [Justin], do North Hempstead Animal Shelter, e renomeada Budgie. Ela ganhou uma nova vida no Brooklyn no verão de 2000.

Budgie era muito parecida com o Lemmy [Kilmister]. Desde o primeiro dia, ela viveu sua vida baseada em suas próprias regras. Era uma apaixonada e tinha o coração de um campeão. Eles dizem que os cães nos ensinam tudo que precisamos saber sobre a vida sem dizer uma palavra – esta era Budgie. Há alguns meses, Budgie gravou vocais para o lançamento do último trabalho do Caninus, que deve ver a luz do dia em breve.

Todos nós fomos sortudos por tê-la conosco pelo tempo que foi possível. Ela tocou muitas vidas, lambeu muitos rostos, empurrou muitas pessoas para fora da cama, roubou muitas fatias de pizza, comeu muitos burritos e, mais importante, inspirou muita gente a adotar animais de abrigos em vez de comprá-los em pet shops ou de vendedores online.

Saiba Mais

Antes do surgimento do Caninus, Justin Brannan e Rachel Rosen já realizavam trabalho voluntário no North Hempstead Animal Shelter, uma das entidades mais respeitadas no resgate de animais abandonados em Nova York.

No site do Caninus, eles divulgavam produtos livres de crueldade contra animais e também dicas para veganos e para quem tinha interesse em aderir ao veganismo, além de informações sobre doações e resgate de animais.

Referências

Caninus

http://www.verbicidemagazine.com/2013/08/08/caninus-grindcore-death-metal-band-dog-vocalist-singers-brindle-brickheads/

http://www.metalinsider.net/in-memoriam/r-i-p-budgie-pit-bull-and-caninus-vocalist

http://www.mtv.com/news/1525305/for-those-about-to-squawk-metal-bands-with-non-human-singers/

8 Foot Sativa, metal contra a exploração animal

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Banda neozelandesa que conquistou projeção internacional é formada apenas por músicos veganos

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8 Foot Sativa é uma banda de metal de Auckland, na Nova Zelândia, que foi fundada em 1998 e traz na formação somente músicos veganos. Também é considerada uma das bandas de metal mais bem-sucedidas internacionalmente da história do país.

Com uma postura vegana e favorável ao abolicionismo animal, o 8 Foot Sativa já excursionou com bandas como Motörhead, Fear Factory, Corrosion of Conformity, Soufly, Disturbed, Slipknot, Korn, System of a Down e Children of Bodom, o que tem ajudado a espalhar a sua mensagem contra a exploração animal.

Em 2007, eles lançaram o álbum “Poison of Ages”, baseado em nove músicas que apresentam o ponto de vista de um vegano sobre diversos temas, mas principalmente sobre a maneira como a humanidade vem destruindo o planeta ao longo dos tempos.

Formado por Justin “Jackhammer” Niessen (vocal), Nik Davies (guitarra), Gary Smith (guitarra), Htims “Rom” Mor (Baixo) e Corey Friedlander (bateria), o 8 Foot Sativa lançou em janeiro de 2009 um single intitulado “Sleepwalkers”. No clipe de divulgação da música homônima, que faz referência ao fato do ser humano agir como um sonâmbulo em relação à exploração animal, o espectador é convidado a seguir um bezerro que é levado de uma fazenda para um matadouro.

Depois, vemos uma família comprando a carne do bezerro em um mercado, o que é uma alusão ao fato de que financiamos esse tipo de morte quando consumimos carne. “Sleepwalkers” é um vídeo visceral que mostra também como são tratados porcos e galinhas, animais mantidos confinados em pequenos espaços. Para intimidar ainda mais o público, ao final a banda informa: “Milhares de animais foram prejudicados na produção deste vídeo.”

Em fevereiro 2013, a banda lançou a coletânea “Ten Years of Sativa”, que traz a música “Sleepwalkers”. Antes do surgimento do 8 Foot Sativa, os integrantes formaram uma banda no colegial e tocaram covers de Sepultura, Slayer, Pantera, Metallica, Judas Priest e Iron Maiden, algumas das suas principais influências. De 2002 a 2013, eles lançaram os álbuns “Hate Made Hate”, “Season for Assault”, “Breed the Pain”, “Poison of Ages” e “The Shadow Masters”.

Referências

http://www.8footsativa.co.nz/

https://www.facebook.com/8FOOTSATIVABAND/

http://www.muzic.net.nz/artists/512.html

http://www.metal-archives.com/bands/8_Foot_Sativa/14412

 

 

Brian Fair sobre o consumo de carne: “É um mito tão grande que se tenha que matar para sobreviver”

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“Eu não quis mais fazer parte de algo que tirasse vidas para o meu próprio prazer”

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Quando estava na oitava série, o vocalista da banda de metal estadunidense Shadows Fall, Brian Fair, que faz jus ao sobrenome, ouviu Meat Is Murder (Carne é Assassinato), do The Smiths. A experiência foi o suficiente para que ele se sensibilizasse com a realidade dos animais reduzidos à comida. “Eu não quis mais fazer parte de algo que tirasse vidas para o meu próprio prazer”, justificou em um vídeo que ele gravou e foi publicado no YouTube.

Na adolescência, ele contou com o apoio de um tio que era vegetariano e estava envolvido com a produção de alimentos orgânicos. Mais tarde, também fez amizade com o vocalista vegano Ray Cappo, das bandas Youth of Today, Shelter e Better Than a Thousand, de quem recebeu boas dicas.

Muitas vezes os fãs perguntaram a Fair por que ele parou de comer carne. Educado e compreensivo, sempre fez questão de explicar que foi motivado por uma transformação interna, um sentimento de justiça – na sua perspectiva, um compromisso com mudanças sociais positivas, o que tem tudo a ver com o heavy metal e o hardcore, que nasceram da contracultura. “É um mito tão grande que se tenha que matar para sobreviver. Comer carne não se trata de sobrevivência porque podemos viver de outra maneira”, declara.

Brian Fair sugere que as pessoas procurem na internet por vídeos sobre os bastidores da indústria da exploração animal, e vejam o que existe por trás dos alimentos comprados com tanta comodidade. Ele argumenta que é fácil consumir alimentos de origem animal quando tudo é entregue embalado e dissociado de sua origem. “Hoje em dia, há muitos produtos livres de crueldade animal”, pondera e acrescenta que as pessoas não imaginam quantos pequenos coelhos e outros pequenos animais são torturados para a realização de testes e extração de pele.

Se pautando em transmitir uma mensagem positiva sobre vegetarianismo e do veganismo, Brian Fair afirma que as pessoas normalmente subestimam a si mesmas quando não experimentam uma alimentação livre da exploração animal. “Não têm ideia de como é fácil quebrar esse ciclo”, enfatiza.

Brian Fair também se oferece para ajudar na transição de quem se sente inseguro em tornar-se vegetariano ou vegano. “Podem mandar perguntas. Ajudarei vocês no que eu puder”, promete. O vocalista do Shadows Fall já participou de algumas campanhas da Peta, com a intenção de motivar principalmente jovens.

Saiba Mais

Um dos fundadores do Shadows Fall, Brian Fair gravou sete álbuns com a banda entre os anos de 1997 e 2012.

Ele se graduou em literatura pela Universidade de Boston.

Fanpage oficial do Shadows Fall no Facebook 

https://www.facebook.com/shadowsfall/

Referências

http://www.blabbermouth.net/news/shadows-fall-frontman-brian-fair-you-don-t-have-to-kill-in-order-to-live/#z8UVROK308tz6CRc.99

https://www.peta2.com/news/shadows-falls-brian-fair/

Written by David Arioch

março 16, 2017 at 5:52 pm

Tom Warrior: “Amo os animais e me tornei incapaz de justificar qualquer consumo de carne”

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“A minha vida toda tenho tentado salvar animais em condições terríveis”

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Tom Warrior, fundador das lendárias bandas Hellhammer e Celtic Frost (Foto: Divulgação)

O músico suíço Thomas Gabriel Fischer, mais conhecido como Tom Warrior, fundador de duas das mais lendárias bandas de metal extremo da história – Celtic Frost e Hellhammer, concedeu uma entrevista ao portal alemão Voices From the Dark Side em setembro de 2012. Na ocasião, ele falou sobre vegetarianismo e direitos animais.

“É da minha opinião que enquanto os seres humanos existirem neste planeta, haverá violência, crueldade, injustiça e ganância. Embora eu deseje o oposto, é claro. Mas a verdade é que temos agido como insaciáveis, parasitas egoísticos, desde que deixamos as cavernas”, lamentou.

Apesar disso, Tom Warrior disse que com o passar dos anos as pessoas estão se tornando mais conscientes sobre o estilo de vida saudável, e estão aderindo ao vegetarianismo por considerá-lo mais respeitoso em relação aos animais. “É mais fácil obter informações importantes do que antes. E também é um sinal positivo vermos tantas pessoas públicas engajadas, como músicos, seguindo esse estilo de vida [vegetarianismo]. No entanto, ainda há uma enorme montanha a superar”, afirmou em entrevista ao portal dinamarquês.

Com um estilo de vida simples, qualificado como espartano, Warrior, que está envolvido no cenário do heavy metal desde 1982, explicou que nunca sente necessidade de comprar alimentos caros. O que ele mais gosta de comer pode ser encontrado em muitos lugares. Sua única preferência é por mercados que comercializam comida saudável.

“Não é realmente um problema ser vegetariano hoje em dia, mesmo em turnê. Há tantos vegetarianos em tantas bandas. A maioria dos festivais bem organizados, oferecem pratos vegetarianos mesmo que as bandas não peçam. Dito isso, há sempre uma estranha e ignorante exceção. Porém, é algo que reflete mais sobre eles do que sobre nós”, declarou.

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“Se alguém decide ir por esse caminho [veganismo], eu apoio sua decisão” (Foto: Divulgação)

Se alguma pessoa conversa com o músico suíço e faz questão de falar que não aprova seu estilo de vida, ele simplesmente a ignora e segue sua vida, sem perder tempo com conflitos desnecessários. “Tornar-se vegano é uma decisão individual e privada de cada indivíduo. Se alguém decide ir por esse caminho, eu apoio sua decisão”, acrescentou.

Para Tom Warrior, o veganismo merece apoio porque é uma filosofia de vida que reprova o extermínio de animais. E para além do discurso, o suíço já participou de muitas ações de organizações em defesa dos animais. “Além do meu envolvimento em organizações, a minha vida toda tenho tentado salvar animais em condições terríveis. Os cães que eu tutelo, por exemplo, foram resgatados de situações abusivas”, assinalou em entrevista ao especial vegano “Welcome to Health”, do Voices From the Dark Side.

Tom qualificou tudo isso como natural, levando em conta que foi criado em uma casa cheia de animais, o que permitiu que mais tarde ele entendesse que os seres não humanos também têm direito à vida e devem ser respeitados: “Amo os animais e me tornei incapaz de justificar qualquer consumo de carne, comparando os fatos e a realidade da indústria que massacra os animais. Detesto o egoísmo e a ilimitada cobiça que os seres humanos ostentam neste planeta compartilhado por todos”

Embora viva como um straight edge, Tom Warrior nunca deu a si mesmo tal título. Simplesmente tenta levar uma vida que ele considera a mais justa possível para si mesmo. “Não bebo, não fumo, não uso drogas, não sou tatuado e nunca tive um carro; são decisões pessoais. O único remédio que tomo é para ajudar a regular os efeitos da minha diabetes”, frisou.

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“Não bebo, não fumo, não uso drogas, não sou tatuado e nunca tive um carro” (Foto: Divulgação)

O músico suíço acha ridículo quando fãs ou músicos de heavy metal associam o uso de couro com a virilidade. “Nunca senti o couro aumentando minha masculinidade. Estou tão feliz com roupas feitas de outros materiais”, ponderou. Muito influente no cenário do metal extremo, Tom Warrior é apontado como um dos pioneiros do vocal gutural. Em 2008, ele fundou a banda Triptykon, com quem lançou os álbuns “Eparistera Daimones” e “Melana Chasmata” em 2010 e 2014, além do EP “Shatter”, de 2010; e do single “Breathing”, de 2014.

No entanto, o que lhe proporcionou reconhecimento no cenário mundial do heavy metal foi o EP “Apocalyptic Raids”, lançado em 1984 com a banda Hellhammer, considerado um dos melhores registros da história do metal extremo. Mais tarde, o seu prestígio aumentou ainda mais quando ele lançou os álbuns “Morbid Tales”, de 1984; “To Mega Therion”, de 1985; e “Into the Pandemonium”, de 1987, com a sua banda Celtic Frost, também lendária.

“Milhões de animais estão sendo mortos todos os dias para satisfazer as necessidades daqueles que comem carne. Estamos nos chamando de ‘civilizados’ e, no entanto, ser civilizado implica humildade, modéstia, compreensão do contexto ambiental global e respeito pelas necessidades e direitos dos outros habitantes deste planeta, que estão aqui há mais tempo do que nós”, criticou.

Referência

http://www.voicesfromthedarkside.de/Specials/WELCOME-TO-HEALTH-A-VEGETARIAN-VEGAN-SPECIAL–7789.html

http://www.metal-archives.com/artists/Tom_G._Warrior/6497

Josh Middleton: “Acho que, como a maioria das pessoas, eu não tinha ideia do que acontece na indústria de laticínios”

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“Acho que, como a maioria das pessoas, eu não tinha ideia do que acontece na indústria de laticínios”

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Middleton se tornou vegano quando estava compondo para o álbum “Monolith” (Foto: Divulgação)

Um dos fundadores da banda britânica de metal Sylosis, o vocalista e guitarrista Josh Middleton decidiu se tornar vegano enquanto estava compondo para o álbum “Monolith”, lançado em 2012. A mudança de estilo de vida foi motivada por um vídeo em que alguns japoneses apareciam decapitando golfinhos vivos.

“Não compro carne de golfinho, ninguém que eu conheço compra, mas comecei a dar uma olhada em informações sobre direitos animais e bem-estar animal. Te leva a questões ambientais, como os oceanos e os habitats naturais sendo destruídos. E isso vai mais longe, porque envolve corporações e grandes companhias como McDonalds, que demandam enormes quantidades de terra e derrubam florestas tropicais para a criação de gado”, ponderou Middleton a Luís Alves da Against Magazine em entrevista publicada em 22 de janeiro de 2015.

O músico britânico admite que o veganismo fez com que se tornasse mais consciente em relação a tudo. Para ele, cada faceta de sua vida depende das decisões que você toma, e como isso pode afetar alguém. Também te conduz a refletir sobre o destino do seu dinheiro nesse sistema. O veganismo realmente abriu os olhos de Middleton para o impacto do padrão de vida do ser humano na hipermodernidade, e o levou a repensar sua própria vida. Influenciado por sua namorada, ele começou a se interessar por meditação, segundo entrevista a Nathan Harlow, do Pure Grain Audio, veiculada em 6 de janeiro de 2015.

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“O vídeo da indústria de peles em ‘Earthlings’ foi provavelmente a coisa mais horrível que já vi”

“Acho que, como a maioria das pessoas, eu não tinha ideia do que acontece na indústria de laticínios. Quando eu comia carne, eu sempre entendia as razões das pessoas em não comer, mas eu pensava que os veganos eram um pouco estranhos. Ainda assim, desisti de comer carne para me tornar vegano. Preciso dizer que o vídeo da indústria de peles em ‘Earthlings’ [Terráqueos – documentário sobe a realidade da exploração animal] foi provavelmente a coisa mais horrível que já vi”, confidenciou à organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) em 31 de janeiro de 2013.

Josh Middleton recomenda que as pessoas pesquisem sobre a realidade dos animais explorados pela indústria, e não acredite nos argumentos tendenciosos de quem lucra às custas desse tipo de exploração. “Se prepare para lidar com qualquer um que comece a agir como um especialista em nutrição, dizendo que você não está se alimentando direito. Se você remover coisas de sua dieta, certifique-se de incluir novos alimentos e preste um pouco mais atenção nas fontes de suas vitaminas e nutrientes durante o período de transição. Há um grande equívoco em afirmar que veganos são magros e desnutridos. Se você não prestar atenção ao que come, isso pode acontecer, mas não é difícil fazer boas escolhas”, garantiu à Peta.

Quando o Sylosis está em turnê, Middleton e os outros integrantes da banda evitam comer muito fast food. Excursionando com o Lamb of God, dos Estados Unidos, Josh Middleton relata que eles preparavam grandes saladas na maioria das noites de shows. “[O veganismo] Isso faz você pensar sobre o que coloca em seu corpo”, disse em entrevista ao Cryptic Rock publicada em 28 de julho de 2015.

Entre os alimentos preferidos do músico britânico está o seitan, a carne de glúten, embora ele não coma com frequência porque reconhece que não tem boas habilidades de preparo. “Sendo vegetariano, você começa a cozinhar para você mesmo e consome menos alimentos processados, o que é um bônus. Gosto de feijão, burritos e chili de grão-de-bico”, enfatizou.

Formação do Sylosis

Josh Middleton – Vocal e Guitarra
Carl Parnell – Baixo
Alex Bailey – Guitarra
Ali Richardson – Bateria

Saiba Mais

Entre os anos de 2008 e 2016, Josh Middleton lançou com o Sylosis os álbuns “Conclusion of an Age”, “Edge of the Earth”, “Monolith” e “Dormant Heart”.

A sonoridade do Sylosis, formado por Josh Middleton e Carl Parnell, é uma combinação de thrash metal e death metal melódico.

Referências

http://againstmagazine.com/sylosis-interview-w-josh-middleton-2/

http://crypticrock.com/interview-josh-middelton-of-sylosis/

http://puregrainaudio.com/interviews/interview-with-sylosis-vocalist-and-lead-guitarist-josh-middleton-discusses-new-album-dormant-heart

http://www.peta2.com/blog/band-spotlight-sylosis/

Written by David Arioch

fevereiro 27, 2017 at 11:57 pm

Agathocles: “Por que matar animais quando há muitas alternativas de comida saudável ao seu redor?

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Jan Frederickx: “A indústria da carne foi construída em cima do abuso de animais, visando apenas dinheiro”

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Desde o início, uma banda formada por vegetarianos (Foto: Reprodução)

Uma das bandas mais tradicionais de grindcore, o Agathocles surgiu na Bélgica em 1985, com o objetivo de abordar questões políticas, sociais e direitos animais. Dois anos depois, os belgas começaram a tocar com os ingleses do Napalm Death e Extreme Noise Terror, grupos que também trazem vegetarianos e veganos em suas formações.

Após o lançamento da primeira demo em 1987, o grupo excursionou por toda a Europa. Em 1996, enquanto viajavam pela República Tcheca, os integrantes gravaram voluntariamente um vídeo em prol de um grupo tcheco de defesa dos direitos animais.

Em entrevista ao zine Devastation Underground Attack, o vocalista, guitarrista e principal compositor Jan Frederickx contou que há muitas razões para alguém se tornar vegetariano. “Uma importante razão é que você não precisa de carne para ser saudável. Então, por que matar animais para transformá-los em comida quando há muitas alternativas de comida saudável ao seu redor? Uma outra razão é que a produção de carne ajuda a manter os países ricos mais ricos e os países pobres mais pobres”, argumentou.

Jan também justificou que muitos dos vegetais que são consumidos hoje em dia são produzidos em países de Terceiro Mundo, principalmente em nações onde há muita gente faminta, sem acesso à comida. “E isso acontece simplesmente porque grande parte dessa comida é destinada ao gado que vai ser abatido e transformado em carne para os países mais capitalistas. Acredito que isso é o suficiente para que uma pessoa se torne vegetariana ou vegana”, enfatizou.

Em suas letras, o Agathocles que se define como mincecore, costuma abordar questões como direitos animais e humanos, ecologia, política, economia e problemas nos países de Terceiro Mundo. Em entrevista concedida ao zine tcheco Obscene Extreme em maio de 2014, Frederickx sugeriu que as pessoas assistam documentários e busquem informações na internet sobre direitos animais, vegetarianismo e veganismo.

“É importante dizer às pessoas que tomem ciência sobre o consumo de massa e o abate de animais. A forma como os animais são ‘criados’ e tratados é realmente doentia. Por exemplo, a maneira como fazem o foie gras. E nem mencionei o quanto é cruel a forma como os animais são mortos nos matadouros. A indústria da carne foi construída em cima do abuso de animais, visando apenas dinheiro”, desabafou.

Sobre direitos animais, um dos maiores clássicos do Agathocles é a música “Hormon Mob”, faixa número 20 do álbum “Razor Sharp Daggers”, lançado em 1995. Na letra, Jan diz:

Agora ele está morto – uma bala em sua cabeça

Pare a multidão do hormônio

Matar por lucro é o seu trabalho

Prato químico – é isso que você deseja?

Bife e carne – de uma raça mutante

Pelo lucro doentio – você recebe carne contaminada

Essa é a multidão – esse é o trabalho deles

Pare a multidão do hormônio

Matar por lucro é o seu trabalho

O Agathocles costuma realizar shows beneficentes para movimentos de direitos animais, como o grupo belga Gaia, Animal Liberation Front (ALF) e APMA. Também já gravou músicas em prol desses movimentos e participaram de muitos protestos em defesa dos animais. “Há uma boa quantidade de restaurantes vegetarianos aqui na Bélgica, e eles não são caros. Então acaba sendo uma forma de encorajar as pessoas a comerem pratos vegetarianos. Não é nada difícil ser vegetariano aqui, e há toneladas de opções baratas e saudáveis”, garantiu Frederickx.

Saiba Mais

Mincecore significa grindcore puro voltado para direitos animais, questões políticas e sociais.

Referências

http://www.angelfire.com/mt/attack1/ag.html

http://www.obsceneextreme.cz/cs/a/71/fanzin,agathocles-interview

http://www.angelfire.com/nj/apf/agint.html

Chris Adler: “O problema com a coisa toda é educação e informação. A maioria das pessoas não pensa sobre a exploração de animais”

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Chris Adler em campanha para a Peta, organização em defesa dos direitos animais (Arquivo: Peta)

O baterista estadunidense Chris Adler, um dos fundadores da banda de metal Lamb of God, que compõe a chamada Nova Onda do Heavy Metal Americano, é considerado um dos melhores bateristas de metal da atualidade, de acordo com a Revolver Magazine. Em 2012, ele contou à Peta, organização que atua em defesa dos direitos animais, sua história com o vegetarianismo e como desde a infância ele sente uma real conexão com os animais.

Adler, que já fez parte da banda de thrash metal Megadeth por dois anos, com quem gravou o álbum “Dystopia”, lançado no início de 2016, abdicou do consumo de carne vermelha quando soube o que acontecia com bois e vacas nas fazendas industriais. O que o motivou a refletir sobre o assunto foi o livro “Diet For a New America”, do escritor John Robbins, lançado em 1987.

A mesma obra influenciou o humorista Weird Al Yankovic a tornar-se vegetariano. Após parar de comer carne vermelha, Chris Adler parou de consumir carne de frango quando viu um caminhão cheio de frangos indo em direção a um matadouro. “Era simplesmente nojento. Não comi mais nenhum pedaço de frango desde então. A verdade é que eu meio que sabia o que acontecia, mas não queria pensar a respeito”, disse à Peta.

Para Adler, que depois se tornou vegetariano, é importante incentivar as pessoas a pesquisarem sobre o que acontece nas fazendas industriais e nos matadouros. “O problema com a coisa toda é educação e informação. A maioria das pessoas não pensa sobre isso [a exploração de animais]. Ninguém nasce pronto para comer carne, é um hábito que você tem que desenvolver, e não é algo que você precisa desenvolver. A maior parte das pessoas veem apenas comida, não o que existe por trás disso”, lamentou.

Considerado um exemplo de versatilidade da chamada Nova Onda do Heavy Metal Americano, iniciada nos anos 1990, Chris Adler já tocou e gravou com as bandas Lamb of God, Megadeth, Testament, Burn The Priest, Blotted Science, Protest The Hero, Nitro e Jettison Charlie. “Meu casamento, meu relacionamento com minha família, minhas conquistas com a minha banda e minha escolha em ser vegetariano não são apenas coisas das quais tenho orgulho, elas me definem”, destacou à Peta.

Referências

http://www.peta2.com/heroes/lamb-of-gods-chris-adler/

http://www.gmanetwork.com/news/story/248413/lifestyle/lamb-of-god-drummer-chris-adler-speaks-up-for-animals

https://www.chrisadler.com/

Written by David Arioch

janeiro 15, 2017 at 3:27 pm