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A banana e a longevidade

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bananaHá alguns anos, creio que em 2007, entrevistando uma senhora bem velhinha, com seus 112 anos, perguntei a ela qual era o segredo da longevidade. Ela disse: “Banana, é o único alimento que nunca deixo de comer.” Depois balançou as pernas e deu uma volta em torno da poltrona onde eu estava sentado e emendou: “Só consigo fazer isso porque como banana todo dia, fi.”

Written by David Arioch

março 17, 2017 at 1:41 am

Publicado em Autoral, Curiosidades

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O vegetariano que supostamente viveu 256 anos

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Li Ching-Yun se exercitava todos os dias e se alimentava em horários regulares

Li não consumia bebidas alcoólicas nem fumava (Foto: Reprodução)

O chinês Li Ching-Yuen, também conhecido como Li Ching-Yun, supostamente viveu até os 256 anos. Ao longo da vida, perdeu 23 esposas e, se comprovada a sua longevidade, supera de longe a francesa Jeanne Calment que morreu com 122 anos e 164 dias, chegando a ser considerada a mulher mais idosa do mundo.

Li-Ching era de Qi Jiang Xian, na província de Szechuan, e acredita-se que o chinês nasceu em 1677. Sobre a longevidade de Yun, descobriram que ele era um médico especialista em ervas medicinais, mestre de qigong e consultor tático. Dizia que o segredo para uma vida longa é manter o coração calmo, sentar como uma tartaruga, andar alegre como um pombo e dormir como um cão. A frase jamais foi esquecida por Wu Pei-Fu, um senhor da guerra chinês que teve grande influência no país entre 1916 e 1927.

Li despertou a paixão por colher ervas com apenas dez anos. À época, já tinha viajado para Kansu, Tibet, Annam, Sian e Manchúria. Pouco tempo depois, emigrou para Kai Hsien, onde conheceu mestres de renome do taoísmo que lhe ensinaram a alquimia interna, o chi kung e a arte secreta de como usar ervas para se manter saudável e alcançar a longevidade. Na fase adulta, após se tornar um mestre das ervas e das artes marciais, começou a comercializar as plantas que coletava. Com 71 anos, se juntou ao Exército Provincial do comandante Yeuh Jong Chyi, assumindo a função de professor de artes marciais e conselheiro tático.

Em 1933, ao retornar à sua terra natal, Li-Ching morreu de causas naturais, então o general Yang designou uma equipe para investigar o passado do homem. Yeun dizia ter nascido em 1734. Entretanto, uma equipe de pesquisadores da Universidade Minkuo alegou ter encontrado registros de que Li nasceu em 1677. Supostamente, as principais provas eram os documentos do Governo Imperial Chinês o parabenizando pelos aniversários de 150 e 200 anos. Segundo depoimentos de pessoas que conheceram Yuen, ele aparentava ter menos de 70 anos.

Dizem que Li não consumia bebida alcoólica nem fumava. Também era vegetariano estrito. Fazia refeições em horários regulares e tomava um suco à base da fruta goji, abundante em aminoácidos. Entre outros hábitos, o chinês dormia cedo e acordava cedo todos os dias. Não passava um dia sem praticar exercícios físicos e também meditava muito, chegando a ficar horas sem se mover, com os olhos fechados e as mãos no colo.

Cientistas explicaram mais tarde que a meditação reduzia o envelhecimento natural do cérebro de Yuen, impedindo o encolhimento cerebral. Trata-se de uma mudança mental que diminui os efeitos do estresse, depressão e ansiedade.

Saiba Mais

Não sei se Li Ching-Yuen realmente viveu tanto, mas o seu estilo de vida foi inspirador.

Referências

http://select.nytimes.com/gst/abstract.html?res=FA0915FE3E5C16738DDDAF0894DD405B838FF1D3

http://www.fourwinds10.net/siterun_data/health/holistic_alternative_medicine/news.php?q=1372441085

O sacrifício do casamento

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Moradores de Paranavaí tinham de se casar em Mandaguari

Geraldo Bruno e Guilhermina Baptista foram a Mandaguari a pé para formalizar a relação (Foto: Akmitsu Yokoyama)

Geraldo Bruno e Guilhermina Baptista foram a Mandaguari a pé para formalizar a relação (Foto: Akmitsu Yokoyama)

Geraldo Bruno e Guilhermina Baptista viviam na zona rural de Paranavaí, no Noroeste do Paraná, e decidiram se casar em 1951, após dois anos de namoro. O maior obstáculo na época era que não havia cartório de registro civil, obrigando-os a ir até Mandaguari. Apesar da distância de cem quilômetros, o casal aceitou o desafio para formalizar a relação. Saíram de mãos dadas numa madrugada de outono, antes do galo cantar, com a intenção de chegar a Mandaguari no mesmo dia. “Fomos a pé e não deu tempo de achar o cartório aberto, então dormimos numa pensão, em quartos separados, e nos casamos no dia seguinte pela manhã”, relata a pioneira Guilhermina Baptista, acrescentando que hoje quando conta aos netos pensam que é invencionice.

Geraldo e Guilhermina levaram as roupas e os sapatos do casamento dentro de uma bolsa de estopa, pois sabiam que chegariam sujos em Mandaguari. “O caminho foi bem tortuoso, mas a vontade de casar era tanta que parecia que não existia mais nada além de nós dois na estrada”, comenta Guilhermina em tom de nostalgia, esboçando um largo sorriso. Geraldo Bruno, com um olhar disperso no tempo, lembrou que viajaram de galocha porque tinha chovido dias antes e o lamaçal pelo caminho podia deixá-los descalços se percorressem todo o trajeto com calçados comuns. “Atenção era tudo porque dependendo de onde a gente pisava a lama afundava”, frisa Bruno.

A viagem foi longa e os dois não conseguiram chegar limpos a Mandaguari, mas pelo menos viajaram com roupas escuras para evitar que a sujeira ficasse mais evidente. “Quando passava algum caminhão ou jipe por perto, a gente tinha que cortar pela mata. A paisagem fazia valer a pena. Era bonita demais e tinha muitos bichos pela floresta, fora o verde que forrava o chão pra gente pisar em cima, o que deu mais segurança”, diz Guilhermina.

Cerimônia religiosa foi realizada na Capela São Sebastião (Acervo: Fundação Cultural)

O casamento no cartório de Mandaguari foi testemunhado por desconhecidos, pois naquele tempo a viagem não compensava para quem iria apenas assinar o testemunho da oficialização. Além disso, poucos tinham automóvel. Por isso, alguns casais tinham de ir a Mandaguari a pé para se casar.

Em Paranavaí, os familiares já estavam preparando a cerimônia na igreja e também a festa de casamento. “Deixamos tudo acertado. Mesmo assim a viagem demorou mais do que a gente imaginou. Levamos dois dias pra ir a Mandaguari casar e depois voltar pra Paranavaí. Na volta, a gente ficou mais feliz porque tinha dado tudo certo”, afirma Geraldo Bruno. A viagem foi muito cansativa, mas, entre sorrisos e olhares, o casal declara que seria capaz de fazer tudo de novo se ainda fossem jovens. Guilhermina confidenciou que antes do matrimônio o relacionamento se limitou a abraços não muito íntimos e carícias na mão.

“Era tudo muito diferente de hoje, havia uma relação muito forte de respeito e cumplicidade. Era bem mais gostoso porque muitas moças só se envolviam quando sabiam quais eram as intenções do rapaz. A gente também tinha certas curiosidades, mas valia a espera”, enfatiza. Quando não eram casados, de acordo com Geraldo Bruno, só saíam de casa com a autorização dos pais de Guilhermina. “Só dava pra namorar nos finais de semana e ainda assim tinha um limite, por volta das 21h, no máximo, eu tinha que levá-la pra casa. Se passasse um minuto além da conta era punido. Ficava uma semana sem ver a Guilhermina”, explica. Geraldo e Guilhermina Bruno têm mais de 80 anos e estão juntos há mais de 60.

Curiosidade

Em 1951, Paranavaí ainda era Distrito de Mandaguari. O título de município só foi assegurado em dezembro de 1952.

108 anos de Rosalina Gusmão

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Centenária gosta de caminhar e se dedicar às atividades domésticas 

Antes de ser fotografada, a vaidosa Rosalina Gusmão faz questão de ajeitar o cabelo com as próprias mãos (Foto: David Arioch)

Antes de ser fotografada, a vaidosa Rosalina Gusmão fez questão de ajeitar o cabelo com as próprias mãos (Foto: David Arioch)

Aos 108 anos, mesmo depois de passar a maior parte da vida trabalhando no campo, onde enfrentou muitas dificuldades, a aposentada Rosalina Gusmão rejeita o merecido descanso. Moradora da Vila Alta, na periferia de Paranavaí, no Noroeste do Paraná, a idosa prefere ocupar o tempo com caminhadas e afazeres domésticos.

Sob o auxílio de uma parteira, Rosalina nasceu em um sítio nas imediações de Coluna, em Minas Gerais. Ainda na infância, começou a trabalhar na lavoura, migrando de uma cultura a outra. “Em Minas, ela se dedicava ao cultivo de milho, feijão e arroz”, relata o filho Raimundo Gusmão.

À época, as condições de trabalho eram muito precárias e nada na vida de Rosalina contribuía para qualquer mudança, nem mesmo o casamento. Obrigada a suportar um marido alcoólatra com quem entrava em conflito diariamente, a mineira trabalhou muito para garantir a subsistência dos filhos. “Sofríamos porque víamos a dor dela. A situação em casa era muito ruim, e os patrões pagavam muito mal. Minha mãe praticamente trabalhava pela comida”, lembra Raimundo lacrimejando.

Gusmão é um dos filhos que no início da adolescência começou a ajudar Rosalina na atividade campesina. “Já passamos muita fome. Tenho apenas lembranças ruins de quando morávamos no interior de Minas Gerais. A situação só melhorou um pouco quando viemos pra cá”, afirma.

A experiência negativa com o matrimônio fez com que Rosalina nunca mais se casasse, nem mesmo se envolvesse com outro homem, após o falecimento do segundo marido há mais de 50 anos. De acordo com Raimundo, a mineira só quer a companhia de familiares e amigos.

Enquanto o filho fala, Rosalina, mesmo calada, se emociona. Transmite um olhar cintilante e disperso em um passado remoto. “Ela fala bastante. Costuma se recordar da juventude e das dificuldades que enfrentou pra criar os filhos”, garante Raimundo observando a mãe sentada sobre uma pequena poltrona.

É difícil as pessoas acreditarem que Rosalina Gusmão tem mais de cem anos, inclusive é comum pedirem para ver a carteira de identidade. “Ela gosta de lavar roupas e de limpar a casa, mas sempre controlamos pra preservar a saúde dela. Se deixar, passa dos limites. Isso prova que a minha mãe ainda é forte e saudável”, reitera. A longevidade de Rosalina Gusmão, os familiares consideram consequência da vaidade. Desde muito jovem a mineira já se preocupava com a saúde e a aparência.

A aposentada gosta de fazer caminhadas e evita o máximo possível ir para a cama fora do horário de dormir. “Sou muito mais jovem, mas digo com toda certeza que minha mãe tem mais saúde que eu”, enfatiza Raimundo Gusmão sorrindo.

Rosalina se mudou para o Paraná no auge do café

Rosalina Gusmão veio para o Paraná com um dos filhos que vivia na região Noroeste no auge da cafeicultura. “Ele ficou dois anos aqui e gostou muito. Então depois buscou a gente em Minas Gerais. Quando chegamos, começamos a trabalhar na produção de café. Foi uma época boa, tanto que minha mãe ainda se lembra”, relata o filho Raimundo Gusmão.

No Paraná, Rosalina se dedicou às lavouras de café, tendo como apoio a companhia dos filhos. Contudo, nem todos vieram para o Sul do país. De acordo com Raimundo, a filha mais velha de Rosalina ainda vive no cerrado mineiro. “Ela preferiu continuar lá, mas está bem. Hoje, ela está com 84 anos”, informa.

Saiba mais

Rosalina Gusmão nasceu em 20 de janeiro de 1901

A aposentada tem 5 filhos, 25 netos, 15 bisnetos e 12 tataranetos

Curiosidade

Antes de ser fotografada, a vaidosa Rosalina Gusmão fez questão de ajeitar o cabelo com as próprias mãos

Written by David Arioch

março 15, 2009 at 7:15 pm