David Arioch – Jornalismo Cultural

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A banana e a longevidade

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bananaHá alguns anos, creio que em 2007, entrevistando uma senhora bem velhinha, com seus 112 anos, perguntei a ela qual era o segredo da longevidade. Ela disse: “Banana, é o único alimento que nunca deixo de comer.” Depois balançou as pernas e deu uma volta em torno da poltrona onde eu estava sentado e emendou: “Só consigo fazer isso porque como banana todo dia, fi.”

Written by David Arioch

março 17, 2017 at 1:41 am

Publicado em Autoral, Curiosidades

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“Fazia muito tempo que eu não encontrava nenhum grego ortodoxo”

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Andando pelo centro de Paranavaí, agachei para amarrar o cadarço do meu tênis, uma pessoa passou e jogou uma nota de R$ 2 e algumas moedas em minha direção. Vai entender. Mais tarde, quando saí da academia e atravessei a rua, uma senhorinha acompanhada da neta, me parou perto do Rotary. Pensei que ela estava perdida ou queria alguma informação, mas me enganei.

Ela pediu para segurar as minhas duas mãos. Reconhecendo seu olhar de ternura, consenti na hora. No mesmo instante, a senhorinha balançou minhas mãos e disse o seguinte: “Olhe esse moço, minha neta! Fazia muito tempo que eu não encontrava nenhum grego ortodoxo nesta cidade. Não estou nem acreditando! Adonai Echad, meu filho!”

20 de outubro de 2016.

Written by David Arioch

novembro 16, 2016 at 10:31 am

A mulher do apartamento ao lado

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Eu nem entrava, simplesmente ficava no corredor (Foto: Reprodução)

Há algum tempo, eu estava saindo com uma garota que morava em um apartamento bem pequeno. Então sempre que eu chegava quando ela estava no banho, a gente tinha o costume de conversar pela porta. Eu nem entrava, simplesmente ficava no corredor. Só que um dia uma senhora que morava no apartamento ao lado abriu a porta e apareceu só de toalha, me pedindo para falar baixo porque ela se sentia vulnerável com o som da minha voz. Me desculpei e ela replicou:

“Você não entende que eu estou pelada? Só com esta toalha por cima? Não quero ouvir a sua voz, ela me traz lembranças desconfortáveis. Simplesmente não quero ouvi-la! Você não entende?” Fiquei confuso, mas respondi que entendi sim. Ela retrucou que se eu entendia não deveria falar mais nada no corredor, já que ela se sentia incomodada. Alegou que eu estava interferindo em sua privacidade de sentir-se nua e livre. Ainda disse que minha voz afugentava seu corpo.

Fiquei assustado e preocupado. Comecei a bater com força na porta do apartamento e minha garota disse que logo sairia. A idosa continuou me observando de longe, com um olhar inquisidor, muito esquisito e desafiador. Insatisfeita, ela abriu um pouco mais a porta e arregalou os olhos. Mesmo titubeante, declarei:

“Olha, senhora, eu só estou aguardando a minha garota aqui. Por favor, não quero confusão. Talvez a senhora esteja muito sensível. Me perdoe se fiz algo de errado.” Sobressaltada, franziu a testa e gritou: “O quê? Como ousa, seu filho da puta!” Então ela soltou a toalha, abriu bem a porta, deu dois passos completamente pelada, parou e ficou me olhando fixamente.

Ruborizado, sem saber como reagir, mirei a parede à minha direita e mantive meus olhos em um ponto fixo. Antes de fechar a porta, aquela senhora fez uma careta e gritou: “Seu porco!” várias vezes. Segundos depois, minha garota saiu e caímos fora de lá o mais rápido possível.

Written by David Arioch

outubro 25, 2016 at 11:43 pm

Doente, idosa sonha em construir uma casinha e abandonar o barraco onde vive

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Sem fonte de renda, Dona Zu não tinha nem o que comer no dia em que a visitei

Além de não ter fonte de renda, Dona Zu sofre em decorrência de artrose, osteoporose e depressão (Foto: David Arioch)

Além de não ter fonte de renda, Dona Zu sofre em decorrência de artrose, osteoporose e depressão (Foto: David Arioch)

Cheguei em frente à residência de Maria Lúcia Gomes Gonçalves, mais conhecida como Dona Azu, bati palmas e ela demorou um pouco para me receber. O motivo é que, vítima de paralisia infantil, osteoporose e artrose, a idosa tem sérias dificuldades para andar. Após os cumprimentos, a simpática senhora me convidou para entrar e caminhamos até um barraquinho no fundo de um terreno repleto de vegetação.

Sem fonte de renda, Dona Zu não tinha nem o que comer no dia em que a visitei. Ainda assim, ela sorria e me abraçava, satisfeita com a minha visita e o meu interesse em conhecer sua história. Mancando, andava se apoiando na mobília para não cair. “Não tenho mais força nas pernas. Se ficar um tempinho em pé, já corro o risco de tombar e me machucar”, relatou e mostrou um pé torto.

A moradia de Dona Zu não pode ser considerada uma casa. São dois cômodos mal construídos, com um teto surpreendentemente baixo. É quase impossível duas pessoas caminharem lado a lado dentro do casebre sem forro, por onde a água entra sempre que chove. Lá, tudo foi feito na base do improviso. Inclusive uma das paredes se resume a pedaços irregulares de madeirite encontrados na rua.

Além da precariedade, o barraco é mal arejado; tem apenas uma janela. No local, a mobília está em péssimas condições, assim como todo o resto. “Não sou aposentada e não recebo nenhum benefício do governo. Tem dia que chego a passar fome. O que me ajuda é que de vez em quando ganho cesta básica de alguém. Estou doente e em uma situação muito difícil”, revela emocionada.

A idosa, que também sofre de depressão, sonha em construir uma casinha de 27 metros quadrados, mas para isso Dona Zu precisa de 40 sacos de cimento, 10 metros de areia lavada, três mil lajotas, 58 metros de ferro, quatro metros de pedra, 20 folhas de fibrocimento de quatro milímetros (Eternit), sete vigas de 5×15 com 3,50, 15 caibros de 5×5 com 3,50, uma janela para o quarto com 1m x 1,50m, uma janela para o banheiro e outra para a sala e cozinha, de acordo com o pedreiro que se dispôs a construir tudo sem cobrar pela mão de obra.

Contato

Dona Zu mora na Rua Hayato Nakamura, Nº 466, no Jardim Vânia, atrás da Igreja São Paulo. Há quatro anos ela tenta se aposentar ou receber algum benefício, mas até hoje não conseguiu. Para ajudá-la, ligue para (44) 9735-9947 (Dona Zu) ou 9970-8150 (Pingo). Ou você também pode entrar em contato comigo – (44) 9909-2513 (David).

108 anos de Rosalina Gusmão

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Centenária gosta de caminhar e se dedicar às atividades domésticas 

Antes de ser fotografada, a vaidosa Rosalina Gusmão faz questão de ajeitar o cabelo com as próprias mãos (Foto: David Arioch)

Antes de ser fotografada, a vaidosa Rosalina Gusmão fez questão de ajeitar o cabelo com as próprias mãos (Foto: David Arioch)

Aos 108 anos, mesmo depois de passar a maior parte da vida trabalhando no campo, onde enfrentou muitas dificuldades, a aposentada Rosalina Gusmão rejeita o merecido descanso. Moradora da Vila Alta, na periferia de Paranavaí, no Noroeste do Paraná, a idosa prefere ocupar o tempo com caminhadas e afazeres domésticos.

Sob o auxílio de uma parteira, Rosalina nasceu em um sítio nas imediações de Coluna, em Minas Gerais. Ainda na infância, começou a trabalhar na lavoura, migrando de uma cultura a outra. “Em Minas, ela se dedicava ao cultivo de milho, feijão e arroz”, relata o filho Raimundo Gusmão.

À época, as condições de trabalho eram muito precárias e nada na vida de Rosalina contribuía para qualquer mudança, nem mesmo o casamento. Obrigada a suportar um marido alcoólatra com quem entrava em conflito diariamente, a mineira trabalhou muito para garantir a subsistência dos filhos. “Sofríamos porque víamos a dor dela. A situação em casa era muito ruim, e os patrões pagavam muito mal. Minha mãe praticamente trabalhava pela comida”, lembra Raimundo lacrimejando.

Gusmão é um dos filhos que no início da adolescência começou a ajudar Rosalina na atividade campesina. “Já passamos muita fome. Tenho apenas lembranças ruins de quando morávamos no interior de Minas Gerais. A situação só melhorou um pouco quando viemos pra cá”, afirma.

A experiência negativa com o matrimônio fez com que Rosalina nunca mais se casasse, nem mesmo se envolvesse com outro homem, após o falecimento do segundo marido há mais de 50 anos. De acordo com Raimundo, a mineira só quer a companhia de familiares e amigos.

Enquanto o filho fala, Rosalina, mesmo calada, se emociona. Transmite um olhar cintilante e disperso em um passado remoto. “Ela fala bastante. Costuma se recordar da juventude e das dificuldades que enfrentou pra criar os filhos”, garante Raimundo observando a mãe sentada sobre uma pequena poltrona.

É difícil as pessoas acreditarem que Rosalina Gusmão tem mais de cem anos, inclusive é comum pedirem para ver a carteira de identidade. “Ela gosta de lavar roupas e de limpar a casa, mas sempre controlamos pra preservar a saúde dela. Se deixar, passa dos limites. Isso prova que a minha mãe ainda é forte e saudável”, reitera. A longevidade de Rosalina Gusmão, os familiares consideram consequência da vaidade. Desde muito jovem a mineira já se preocupava com a saúde e a aparência.

A aposentada gosta de fazer caminhadas e evita o máximo possível ir para a cama fora do horário de dormir. “Sou muito mais jovem, mas digo com toda certeza que minha mãe tem mais saúde que eu”, enfatiza Raimundo Gusmão sorrindo.

Rosalina se mudou para o Paraná no auge do café

Rosalina Gusmão veio para o Paraná com um dos filhos que vivia na região Noroeste no auge da cafeicultura. “Ele ficou dois anos aqui e gostou muito. Então depois buscou a gente em Minas Gerais. Quando chegamos, começamos a trabalhar na produção de café. Foi uma época boa, tanto que minha mãe ainda se lembra”, relata o filho Raimundo Gusmão.

No Paraná, Rosalina se dedicou às lavouras de café, tendo como apoio a companhia dos filhos. Contudo, nem todos vieram para o Sul do país. De acordo com Raimundo, a filha mais velha de Rosalina ainda vive no cerrado mineiro. “Ela preferiu continuar lá, mas está bem. Hoje, ela está com 84 anos”, informa.

Saiba mais

Rosalina Gusmão nasceu em 20 de janeiro de 1901

A aposentada tem 5 filhos, 25 netos, 15 bisnetos e 12 tataranetos

Curiosidade

Antes de ser fotografada, a vaidosa Rosalina Gusmão fez questão de ajeitar o cabelo com as próprias mãos

Written by David Arioch

março 15, 2009 at 7:15 pm