David Arioch – Jornalismo Cultural

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Snapcase: “Eu nunca iria matar um animal e comê-lo. Então por que eu iria simplesmente comprá-lo?”

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Taberski: “Isso não faz diferença só porque alguém matou e realizou todo o processo”

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O Snapcase foi fundado em 1991 (Acervo: Modern Fix)

Uma das bandas mais importantes do cenário de hardcore punk do estado de Nova York, a banda Snapcase, fundada em Buffalo em 1991, surgiu por iniciativa de três amigos; um deles é o vocalista Daryl Taberski, que é vegano e único integrante da formação original que ainda continua no grupo. Embora o Snapcase não tenha o veganismo como temática primária em suas músicas, algumas de suas composições vão por esse caminho, mesmo que não de forma tão direta. Um exemplo é a música “Guilty By Ignorance”, do álbum “Progression Through Unlearning”, de 1997.

Na letra, Taberski fala sobre como somos culpados pela nossa própria ignorância quando temos condições de melhorar o mundo em que vivemos, mas optamos por dar dinheiro a empresas que matam sem demonstrar qualquer remorso, porque visam simplesmente os lucros. “E você não se importa de saber que sua vida rouba vidas. Então dê uma olhada em sua consciência vazia, porque ignorância não é inocência. Você se tornou, você se tornou o inimigo daqueles que são vítimas da ganância”, grita o vocalista em um trecho de “Guilty By Ignorance”.

Em “Box Seat”, do álbum “Designs for Automotion”, o Taberski fala sobre a cultura de consumo e como nos diluímos nesse meio, ignorando inclusive quem somos. “Não nos venda uma imagem perfeita. Nós vamos lutar para nos encontrarmos. Queremos o desafio impopular, queremos testar o nosso intelecto, teste nosso intelecto. Estamos programados, condicionados. Sem sentido, emoções sem sentido. Perdemos nosso desejo de pensar sozinhos, de pensar sozinhos, de pensar sozinhos…”, berra em “Typecast Modulator”, do disco “Designs for Automotion”, de 2000.

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Taberski: “Para mim, [ser vegano] é ir ao fundo das coisas” (Acervo: Art Voice)

Em entrevista a Mike Bushman, do Modern Fix, Daryl Taberski contou que se tornar vegano fez com que ele entendesse muitas coisas de forma diferenciada. “Não é uma coisa difícil de fazer. Eu nunca iria matar um animal e comê-lo. Para mim, [ser vegano] é ir ao fundo das coisas. Então por que eu iria simplesmente comprá-lo? Isso não faz diferença só porque alguém matou e realizou todo o processo”, argumentou.

Taberski declarou que hoje em dia as pessoas estão mais conscientes sobre o que é o veganismo, ao contrário de anos atrás quando um vegano era facilmente considerado uma “aberração”. ‘As pessoas perguntavam: ‘Vegano? O que é isso?’”, exemplificou. O músico também reconheceu que tem se tornado cada vez mais fácil encontrar comida sem ingredientes de origem animal. “Até mesmo os grandes supermercados de Buffalo, onde vivemos, dedicam uma sessão inteira à comida vegetariana e vegana”, disse em entrevista ao Enzk Punk and Hardcore Fanzine.

De 1994 a 2003, o Snapcase, que hoje tem Daryl Taberski como único membro fundador, lançou os álbuns “Lookinglasself”, “Progression Through Unlearning”, “Designs for Automotion”, “End Transmission” e “Bright Flashes”.

Saiba Mais

Originalmente, Daryl Taberski era baixista do Snapcase. O posto de vocalista era ocupado por Chris Galas.

Os discos “Designs for Automotion” e “Progression Through Unlearning” são apontados como as maiores contribuições da banda ao hardcore punk.

Referências

http://www.modernfix.com/interviews-2/feature-4/

http://www.angelfire.com/wi/enzk/snapcase.html

http://snapcase.com/

Ian Mackaye: “Nossa sociedade está centrada em torno do consumo de carne, e nossa sociedade é uma droga”

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“Por que não ser vegetariano? Posso dar pelo menos 10 razões para ser vegetariano”

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Ian MacKaye: “Me tornei vegetariano em 1984, e um punk rocker em 1979” (Foto: Dischord Records)

Ian Mackaye, um dos nomes mais importantes da história do hardcore, e que esteve à frente das bandas Minor Threat e Fugazi, tornou-se vegano em 1990, e desde então concedeu inúmeras entrevistas falando um pouco sobre suas motivações em não consumir nada de origem animal.

“Me tornei vegetariano em 1984, e um punk rocker em 1979. Mas acredito absolutamente que o meu interesse na contracultura, no underground, me levou eventualmente a aplicar o mesmo tipo de pensamento crítico em tudo que eu fazia. Quando as pessoas me perguntam sobre minha dieta, ‘Por que você não come carne?’ A resposta sempre é: “Por que não? Por que eu deveria?’ Posso pensar em centenas de razões pelas quais eu não comeria um pedaço de carne, assim como não comeria um pedaço de merda”, disse MacKaye em entrevista publicada na Satya Mag em agosto de 2006.

A resposta do músico tornou-se bastante usual, e até mesmo uma forma eficaz de mostrar as pessoas o quanto elas estão imersas na própria conveniência quando estranham alguém que diz ter optado pelo vegetarianismo ou veganismo. No documentário “Edge”, lançado em 2009, e que fala sobre a cultura straight edge, que tem MacKaye como um dos seus principais ícones, ele explica que não raramente as pessoas o perguntam: “Por que ser vegetariano?”

E a reação dele não poderia ser diferente: “Por que não ser vegetariano? Posso dar pelo menos 10 razões para ser vegetariano.” Não raramente, alguém rebate que não é possível obter certas vitaminas sendo vegetariano, o que costuma levá-lo aos risos, já que, segundo o músico a maioria das pessoas que fazem esse questionamento não dão a mínima para as vitaminas. “A razão pela qual a maior parte das pessoas não é vegetariana é porque é conveniente. Elas são criadas em uma sociedade que é tão fácil não ser vegetariano. É apenas isso. Mas eu posso pensar em muitas razões pela qual eu devo ser. É tão natural, é uma extensão natural do processo pelo qual a vida deve ser vivida”, argumentou.

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Mackaye, importante nome da história do hardcore (Foto: Dischord Records)

Na metade dos anos 1980, depois do primeiro ano sem consumir carnes, como MacKaye tinha um desvio de septo, ele baniu todos os derivados de leite da sua alimentação, o que também facilitou mais tarde sua transição para o veganismo. Ademais, para quem não se importa com a crueldade contra os animais, o músico declarou que há outros pontos a se considerar, como por exemplo o fato de que os seres humanos não têm o hábito de consumir carne porque a consideram saudável. “Então por que continuar comendo essa porcaria? Comida vegana é deliciosa e saudável”, enfatizou em entrevista à Bianca, do Vegan Crunk, no Memphis Brooks Museum of Art, publicada em 16 de setembro de 2010.

A Jeff Jetton, do NYC Brightest Young Things, ele contou que há pessoas que agem de foram estranha quando o convidam para jantar e ficam sabendo que ele é vegano. “Não sinto falta de nada da minha antiga dieta [antes de tornar-se vegano]. É bom ter a sensação de que eu tenho total controle sobre a minha vida”, comentou em entrevista ao fanzine alemão Ox em agosto/setembro de 2010.

Para Ian MacKaye, que não gosta tanto de falar sobre veganismo em entrevistas porque não gosta de ser mal interpretado, tudo na vida é uma ação política. “Para mim, o que eu como ou o que não como, com certeza é algo político. Nossa sociedade está centrada em torno do consumo de carne, e nossa sociedade é uma droga”, lamentou à Satya Mag e ao Vegan Crunk.

Saiba Mais

Ian MacKaye nasceu em 16 de abril de 1962 em Washington, DC, nos Estados Unidos. Seus primeiros registros fonográficos foram lançados em 1981.

Além da banda de hardcore Minor Threat e da banda de pós-hardcore Fugazi, ele gravou com as bandas The Teen Idles, Skewbald/Grand Union, Egg Hunt, Embrace, Pailhead e The Evens.

Ele é co-fundador da conceituada gravadora independente Dischord Records, em Washington D.C..

Referências

https://brightestyoungthings.com/articles/ian-mackaye-interview

http://vegancrunk.blogspot.com.br/2010/09/high-on-ian-mackaye.html

http://www.ox-fanzine.de/web/itv/3799/interviews.212.html

http://www.satyamag.com/aug06/mackaye.html

Anchor: “Ter estupro e assassinato como premissa para ter comida sobre a mesa é absolutamente desnecessário”

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“Fazemos tudo que podemos em nossos shows para chamar a atenção para o veganismo”

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Fundada em Gotemburgo, na Suécia, em 2007, a banda de hardcore punk Anchor (Âncora), é formada somente por músicos suecos e noruegueses que seguem duas filosofias de vida – veganismo e straight edge. Ao longo dos anos, o grupo que já tocou na América do Sul com o Ratos de Porão, realizou ações em parceria com inúmeras organizações em defesa dos direitos animais, como a sueca Förbundet Djurens Rätt (Federação dos Direitos Animais).

“Fazemos tudo que podemos em nossos shows para chamar a atenção para o veganismo. Estou feliz por fazer parte desse movimento. Cada pequena coisa que podemos fazer para aumentar a conscientização significará algo para alguém em longo prazo. Há sempre jovens que não foram expostos a essas questões tanto quanto podemos imaginar. É fácil pensar que todo mundo tem entendimento dos direitos animais, mas infelizmente não é assim, mesmo em uma comunidade de pensamento progressivo como a nossa”, disse o vocalista Claes em entrevista publicada no The Grumpy Sailor em 16 de outubro de 2014.

Entre os anos de 2008 e 2015, o Anchor lançou os álbuns “The Quiet Dance”, “First Year”, “Recovery” e “Distance & Devotion”. Este último conta com uma música intitulada “Hope Diest Last”, que fala sobre o estado atual do planeta e a luta por um lugar mais compassivo para todos viverem. “As primeiras linhas começaram como uma canção sobre a minha pequena Ebba. Mas depois de reescrevê-la inúmeras vezes, acabou ficando um pouco diferente”, informou.

Ebba é uma cachorrinha que Claes adotou em Málaga, na Espanha, quando estavam em turnê. A adoção foi feita por meio da organização SOS Animais, que costuma resgatar animais que vivem nas ruas. “Ela tinha uma história diferente. Veio de um criador que estava abusando de seus cães. Ela mal estava viva quando os voluntários a tiraram dele”, confidenciou ao Grumpy Sailor.

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Claes se recordou também que durante a Anchor South American Tour, eles viram um monte de cães abandonados. Em uma noite, em uma cidade do Sul do Chile, ele sentou-se diante de uma estrada com uma cadelinha em seu colo e notou em seus olhos que ela não queria que ele fosse embora. Como Claes não podia levá-la, ele chorou. “Tirei algumas fotos para me lembrar dela. Acho que foi quando decidi mudar minha vida e tomar conta de um cão”, revelou.

Com Ebba em casa, Claes viu sua rotina se transformar. Seus  dias se tornaram mais divertidos e a cadelinha levou tanta positividade para sua vida que ele se surpreendeu. “Trabalho em meu escritório e passo o tempo com ela ao meu lado. Saímos na natureza o máximo que podemos. Me sinto abençoado, não de forma religiosa, por tê-la em minha vida”, enfatizou.

Influenciado por bandas como Good Riddance, Entombed, Separation, 108 e Robyn, o Anchor pratica um som inovador e ao mesmo tempo fiel à velha escola do hardcore punk, inclusive ideologicamente. Questionado pelo DIY Conspiracy em publicação de 18 de janeiro de 2008 sobre a sua opinião em relação a jovens veganos e straight edge que compram produtos da Nike e da Coca-Cola, ele disse que isso não o agrada de modo algum, já que as duas, assim como outras multinacionais, representam o capitalismo global que contribui tanto para a exploração de vidas humanas quanto não humanas.

“Eu quero vê-las destruídas mais do que qualquer coisa. Mas eu também sei que o hardcore não é onde a revolução dará seus primeiros passos. Para muitas pessoas, é apenas música, é sobre assumir uma aparência em vez de ideias. Acho isso muito triste. Contudo, a única coisa que eu como indivíduo posso fazer é ser um exemplo positivo e inspirador, eu acho”, declarou.

Ao DIY Conspiracy, Claes explicou que o veganismo e os direitos animais são muito importantes, tanto para ele quanto para o Anchor, no entanto, eles preferem voltar seus esforços para que sejam reconhecidos sempre como uma força positiva. “Pode ser que nosso trabalho não seja nada se comparado ao que outras pessoas fazem pela libertação animal, mas eu sinto que é importante que a cena hardcore seja um lugar onde os jovens conheçam o veganismo e se envolvam com isso”, assinalou.

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De acordo com Claes, os integrantes do Anchor reconhecem a vida dos animais como sendo somente deles, o que é um motivo mais do que justo para não consumirem produtos de origem animal. “Se é um produto pago ou não, não tem qualquer relevância para nós. Acho muito triste quando as pessoas viram as costas para elementos positivos em suas vidas, como o veganismo e o straight edge. Acho que há um milhão de razões para ser vegano, e é algo que não pode ser negado. Para aqueles que ainda não são veganos ou vegetarianos, por favor, façam um favor e eduquem-se. Você ficará chocado e horrorizado com o que está acontecendo”, recomendou.

Uma vez, enquanto conversava com seu irmão sobre veganismo, Claes ponderou o quão insana é a realidade de ter a morte como parte da realidade diária. “Ter estupro e assassinato como premissa para ter comida sobre a mesa é absolutamente desnecessário”, criticou.

Ele se referiu aos animais que têm suas vidas interrompidas precocemente em matadouros; e também àqueles que são explorados a vida toda, tendo sua intimidade invadida e sua sexualidade banalizada e violada exaustivamente, como ocorre com as vacas condicionadas a atenderem a demanda dos laticínios. Claes lembrou ao DIY Conspiracy que nos anos 1990 a Suécia teve um dos cenários de libertação animal mais ativos da Europa, o que abriu caminho para mudanças positivas.

Referências

https://thegrumpysailor.com/2014/10/16/anchor-interview/

http://diyconspiracy.net/anchor/

Written by David Arioch

março 5, 2017 at 11:08 pm

Earth Crisis: “Não posso pensar em nada mais importante do que salvar vidas, e esta é a principal razão pela qual me tornei vegano”

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Scott Crouse: “Há muitos produtos lá fora para quem quer evitar causar sofrimento aos animais”

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O Earth Crisis é conhecido por abordar os direitos animais em suas letras (Foto: Divulgação)

Fundada em Syracuse, Nova York, em 1989, a banda de metalcore/hardcore punk Earth Crisis é conhecida principalmente por abordar os direitos animais, dar suporte a grupos como Animal Liberation Front (ALF) e ajudar a promover o veganismo e o estilo de vida straight edge.

Em entrevista a Max Deneau, do Exclaim!, do Canadá, e publicada em 15 de abril de 2009, o guitarrista Scott Crouse contou que originalmente o vocalista Karl Buechner tocava baixo, e que desde o início todos os integrantes já eram veganos e seguiam um estilo de vida livre de álcool e outras drogas lícitas e ilícitas.

“Não posso pensar em nada mais importante do que salvar vidas, e esta é a principal razão pela qual me tornei vegano. Quero apoiar as empresas que estão oferecendo alternativas livres de crueldade. Não quero dar dinheiro para pessoas que são responsáveis por tanto sofrimento em lugares como matadouros, fazendas de peles e laboratórios de vivissecção”, disse o vocalista Karl Buechner em entrevista ao zine Value Of Strength #4 e publicada no Punk Interviews em 2006.

Para Buechner o veganismo, que ele aderiu aos 16 anos, reverencia as vidas inocentes e preconiza a construção de um sistema mais pacífico e justo. Uma das coisas que mais o deixa feliz é quando alguém lhe procura para tirar dúvidas sobre direitos animais. “Significa que estão interessados em saber mais sobre a libertação animal. Há muitos rumores a nosso respeito, na tentativa de fazer as pessoas não ouvirem o que estamos falando, mas vejo como uma reação positiva quando alguém nos procura ou faz uma entrevista com a gente”, comenta.

Por outro lado, o vocalista do Earth Crisis reclama que no cenário punk há muitas pessoas desinteressadas em saber o que acontece nos matadouros. “Eles não querem ouvir sobre isso porque é algo que desafia a forma como eles vivem. Bom, obviamente você pode ver como é o corpo humano. Nós não temos garras enormes. Nosso sistema digestivo é muito longo e o sistema digestivo dos carnívoros é curto. É por isso que a carne apodrece dentro do corpo humano, e é por isso que os seres humanos têm tantos problemas de saúde”, critica.

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Crouse: “Para que o mundo mude, a perspectiva tem que mudar” (Foto: Divulgação)

Por causa de suas temáticas em torno do abolicionismo animal e também por defender ações diretas em benefício dos animais, o Earth Crisis está há anos sob vigilância nos Estados Unidos. “Muitos dos nossos amigos também”, garante Karl Buechner.

Em entrevista a Andrew Bansal, do Metal Assault, publicada em 17 de março de 2014, o guitarrista Scott Crouse disse que o mundo mudou desde que ele se tornou vegetariano em 1990. “Há muitos produtos lá fora para quem quer evitar causar sofrimento aos animais e danos ao meio ambiente. Há muitos substitutos de carnes e laticínios, e há mais produtos não testados em animais do que nunca. Acho que é ótimo porque significa que hoje existe muito mais consciência”, avalia.

Porém, as espécies ameaçadas de extinção continuam desaparecendo, e isto porque, segundo Crouse, a humanidade sempre olhou primeiro para si mesma. Lá trás, alguém pensou que o ser humano deveria assumir o controle do mundo e fazer o que quisesse com as outras espécies. “Para que o mundo mude, a perspectiva tem que mudar. Temos que olhar para nós não como se estivéssemos acima das outras criaturas, mas como alguém que pode trabalhar em harmonia com elas. Ainda podemos ter nossas casas e nossos carros, só que podemos fazer isso com responsabilidade, sem destruir o habitat das outras criaturas. Acho que teremos problemas até começarmos a nutrir a vida, não tirá-la”, lamenta.

A Dane Prokofiev, do News Noise Magazine, Scott Crouse relatou que o único aspecto negativo em ser vegano e straight edge é que consumir álcool e comer carne são duas coisas que as pessoas fazem socialmente. “Você se afasta da sociedade, o que em minha opinião não é tão ruim. Quero dizer, prefiro isso, mas é mais difícil para pessoas que gostam de estar com outras pessoas, porque elas percebem que já não se encaixam”, enfatiza. Muitas das músicas do Earth Crisis falam de direitos animais. Alguns exemplos são “New Ethic”, do álbum “Destroy The Machines”, de 1995, e “To The Death”, do álbum homônimo de 2009.

Nova Ética

Esta é a nova ética

Animais têm suas próprias vidas e devem ser respeitados

Rejeite o antropocêntrico

Falsidade que mantém a hierarquia opressiva da humanidade sobre os animais

É hora de libertá-los. A vida deles reduzidas à condição de máquinas em fábricas, fazendas e laboratórios

Laticínios, ovos, peles, camurça, lã, couro são o fim

Produtos de tortura, confinamento e assassinato

Eu abjuro seu uso em reverência a toda vida inocente

É um direito dos selvagens viverem em paz em seu ambiente natural

Sem a interferência, que já não deve ser negada, desta civilização

Para fazer uma civilização digna da palavra civilizado a crueldade deve terminar

Começando pelas suas próprias vidas

Rejeite a falsidade antropocêntrica que mantém a hierarquia opressiva da humanidade sobre os animais

É hora de libertá-los

O veganismo é a essência da compaixão e da convivência pacífica

Os animais não são nossos para abusar ou dominar

Eu abjuro seu uso em reverência…

Eu abjuro seu uso em reverência…

Eu abjuro seu uso em reverência a toda vida inocente

Formação Atual

Karl Buechner – vocal
Scott Crouse – guitarra
Ian “Bulldog” Edwards – baixo
Dennis Merrick – bateria
Erick Edwards – guitarra

Saiba Mais

Entre os anos de 1995 e 2014, o Earth Crisis lançou os álbuns “Destroy The Machines”, “Gomorrah’s Season Ends”, “Breed the Killers”, “Slither”, “Last of the Sane”, “To The Death”, “Neutralize the Threat” e “Salvation of Innocents”.

Referências

http://exclaim.ca/music/article/scott_crouse_of_earth_crisis

http://www.punkinterviews.com/2006/punk-rock-interviews/earth-crisis-2/

http://metalassault.com/Interviews/2014/03/17/in-depth-interview-with-earth-crisis-guitarist-scott-crouse/

http://newnoisemagazine.com/interview-earth-crisis-talk-comic-book-album/

Written by David Arioch

fevereiro 27, 2017 at 2:32 pm

John Joseph: “Se uma dieta baseada em vegetais funcionou para mim, ela funciona para qualquer um”

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Como o vocalista da lendária banda nova-iorquina Cro-Mags tornou-se um atleta vegano

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Mudança de atitude de John Joseph foi uma consequência da sua dieta vegetariana estrita (Foto: Vice)

Vocalista da lendária banda de crossover Cro-Mags, pioneira na fusão do hardcore punk com o thrash metal, e uma das mais importantes da história do cenário hardcore de Nova York, John Joseph publicou em 2014 o livro “Meat is for Pussies: A How-To Guide for Dudes Who Want to Get Fit, Kick Ass…”. Embora o título possa parecer bobo, cômico ou provocativo, o conteúdo merece muita atenção.

“É um olhar sobre a perspectiva de que o homem ‘precisa’ de carne para ser varonil e forte”, explica o também escritor e atleta vegano. Na primeira parte do livro, John Joseph apresenta fatos e faz críticas aos horrores envolvendo a exploração animal e os processos de produção de carne.

Depois de falar das fazendas industriais, ele guia o leitor a um capítulo em que discorre sobre um estilo de vida mais feliz, saudável e muito mais humano. Ou seja, um estilo de vida vegano. Na obra, ele dá dicas sobre culinária livre de crueldade contra animais. Em síntese, “Meat is for Pussies”, ignorem o título jocoso, é uma obra em que Joseph desafia positivamente os leitores a mudarem de vida.

“Muitos dos caras que perguntam de onde consigo minhas proteínas estão acima do peso, precisam de pílulas para ereção e levam uma hora no banheiro para se livrarem das carcaças podres que estão em seus cólons”, diz.

Uma das figuras mais famosas do cenário hardcore punk dos Estados Unidos, John Joseph tem usado a sua popularidade para atrair pessoas para o veganismo, divulgando principalmente os benefícios de uma alimentação vegetariana aliada a um bom condicionamento.

“Aprendi sobre a PMA [atitude mental positiva] quando a banda punk rastafári Bad Brains me deu um trabalho como roadie deles em 1981. A primeira parte do processo era abandonar carnes, ovos, laticínios, comida processada e drogas”, confidenciou em entrevista à Deni Kirkova, do tabloide britânico Metro em 21 de agosto de 2015.

Segundo Joseph, a sua mudança de atitude foi uma consequência da sua dieta vegetariana estrita, um catalizador em sua vida. “As cortinas caíram, por assim dizer. Absorvi o conhecimento como se eu fosse uma esponja. Fiquei sóbrio, comecei a praticar ioga, meditação, artes marciais, ciclismo, natação de águas abertas e corrida”, revelou.

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Joseph: “Se você me dissesse em 1980 que um dia eu seguiria uma dieta vegetariana, eu daria risada em sua cara”

O novo estilo de vida também garantiu mais energia para tocar com o Cro-Mags e um bom desempenho no Ironman Triathlon, competição de resistência que exige que os atletas completem quase quatro quilômetros de natação, 180 quilômetros de pedaladas e mais de 42 quilômetros de corrida. E tudo isso exige muito treinamento e uma boa dieta. Em 25 de setembro de 2015, a Vice publicou uma matéria baseada na rotina de John Joseph em sua preparação para o Ironman, e se surpreendeu com a força de um homem que só consome alimentos de origem vegetal.

“Se você me dissesse em 1980 que um dia eu seguiria uma dieta vegetariana, e mandaria ver no IronMan, eu provavelmente daria risada em sua cara. Meu passado em Nova York foi duro, realmente duro”, explicou a Deni Kirkova. Mesmo quando sua rotina ficou atribulada por causa das turnês com bandas como Motörhead, Bad Brains, Megadeth e GBH, Joseph continuou cumprindo seu papel como vegano, sem qualquer deslize. Com o Cro-Mags, ele gravou entre os anos de 1986 e 1993 os álbuns “Age of Quarrel”, considerado um dos discos mais influentes da história do hardcore punk, “Alpha Omega” e “Near Death Experience”.

O escritor e atleta vegano já recebeu milhares de e-mails, mensagens no Facebook, Instagram e Twitter de pessoas dizendo que leram seu livro e mudaram de vida por causa do conteúdo e do seu estilo de escrever. “Eles gostam porque dizem que foi escrito na linguagem deles”, justifica.

Quem não conhece a história de John Joseph, jamais imaginaria que ele foi um sem teto viciado em álcool e drogas. Em 1969, aos sete anos, ele foi obrigado a abandonar um lar violento. Viveu em vários orfanatos e em mais lares abusivos. Sem perspectiva de futuro, passou o ano de 1988 consumindo crack.

Na mesma época, levou um tiro, foi esfaqueado e chegou a ser preso. Hoje, com 54 anos, ele continua atuando como vocalista e tornou-se um atleta vegano com desempenho exemplar em cinco edições do Ironman. E ele atribui a sua história de superação ao seu estilo de vida vegano, que não admite a exploração de animais e considera prejudicial à saúde o consumo de alimentos de origem animal.

“As pessoas são bombardeadas por comerciais de fast food barato, e ingerem comidas que não só causam estragos ao seu sistema como ao planeta por causa do abate de animais”, lamentou em entrevista ao jornal The Examiner, da Austrália, e repercutida pelo Exclaim, do Canadá, em 7 de outubro de 2009.

Saiba Mais

John Joseph, que nasceu em Nova York em 3 de outubro de 1962, se tornou vegetariano há mais de 30 anos.

Referências

Vegan rockstar and athlete John Joseph on why ‘meat is for pussies’

https://munchies.vice.com/en/videos/fuel-the-vegan-ironman-diet-of-cro-mags-john-joseph

http://exclaim.ca/music/article/cro-mags_john_joseph_declares_meat_is_for_pussies_with_new_book_begins_work_on_reality_show

Um homem moldado pelo ferro

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Com 20 anos de treino, Betão Marcatto se tornou uma importante referência da musculação no Brasil

A evolução de Betão Marcatto com a musculação (Foto: Arquivo Pessoal)

Na internet, o paulista Betão Marcatto se tornou uma das mais proeminentes referências da musculação, e não por acaso. Com uma relação de amor e ódio ao treinamento iniciada há 20 anos, o marombeiro graduado em eletrotécnica, mecânica, engenharia de produção e educação física se destaca por dividir o conhecimento com milhares de seguidores por meio do “Blog do Betão” e de uma página no Facebook. Outro diferencial é que Betão é o fundador da Academia Betoflex, de Guarulhos, São Paulo, uma das “mecas” do treino com pesos no Brasil.

Assim como muitas lendas do fisiculturismo, Betão Marcatto se sentia pequeno e muito magro na adolescência. “Um dia, meu pai trouxe uma fita de videocassete do filme ‘Comando para Matar’ com o Arnold Schwarzenegger, o que me impulsionou a procurar uma academia de musculação. Achei que se ficasse daquele tamanho seria mais respeitado na escola”, conta se referindo a um episódio em 1986, quando estava na sexta série do atual Ensino Fundamental.

Ao longo da trajetória com a musculação, Betão que tem 1,84m passou por uma fase em que se preocupava mais com volume do que qualidade muscular. “Só depois me dei conta que estava obeso, com 147 quilos. Foi a minha maior frustração. Então me empenhei e consegui reverter isso”, explica.

Marcatto: “O treino com pesos moldou meu caráter” (Foto: Arquivo Pessoal)

Apesar de ter vivido situações típicas entre marombeiros que estudam e trabalham, como dificuldade para conciliar horários, Marcatto jamais abandonou os treinos, nem quando era estagiário da Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec) e tinha apenas 30 minutos por dia para praticar musculação. Em vez de desistir, como faz a maioria, Betão encontrou uma academia no caminho para o trabalho.

Para entender a filosofia de vida do marombeiro é preciso ter em mente que a musculação vai muito além de atividade física que promove mudanças estéticas e de saúde. É uma prática com sentido metafísico que ensina a viver melhor, a ter disciplina e lidar com a frustração e a dor. “A musculação moldou meu caráter. Me deixou mais forte, menos emocional no sentido de sofrer por pouco. Você consegue transportar para fora da academia tudo aquilo que aprende treinando”, avalia.

Betão tem como inspiração fisiculturistas conceituados como o inglês Dorian Yates, o alemão Markus Rühl e o estadunidense Lee Priest que se tornaram expoentes da chamada Freak Era, em que os atletas começaram a se preocupar com enorme volume muscular, além de simetria e definição extrema. “Também me inspiro no [estadunidense] Derek Poundstone, grande atleta de strongman da atualidade”, acrescenta.

Os melhores resultados ao longo de duas décadas, Marcatto conquistou se autoavaliando, conhecendo o próprio corpo, lendo muito e tornando-se “cobaia” das próprias experiências que ele define como “insanidades”. “Tenho mais de 80 livros de musculação e aprendi a colocar em prática tudo que sei”, relata o marombeiro. Com muita bagagem profissional, reclama que as faculdades de educação física não preparam adequadamente o estudante para a profissão. A sugestão para o egresso evitar o fracasso é a procura de cursos específicos.

Betão fundou uma das “mecas” do treino hardcore no Brasil (Foto: Arquivo Pessoal)

A Metroflex brasileira

Nos Estados Unidos, a Metroflex Gym, autora do slogan “A Hardcore Training Facility”, é um dos mais almejados ginásios de treino com pesos do mundo, onde treinam figuras emblemáticas como Ronnie Coleman e Branch Warren, fisiculturistas de elite do Mr. Olympia, a maior e mais tradicional competição de bodybuilding.

Com a referência da Metroflex, Betão Marcatto fundou a Betoflex em 13 de fevereiro de 2006, uma data que até hoje é lembrada com alegria e emoção. Betão deixou o emprego em outra academia um dia antes, levando para o novo ginásio um grupo de marombeiros que já se identificavam com o rigor de seus ensinamentos. “Sempre quis uma academia com professor que treina e incentiva os alunos, o que é raro hoje em dia”, diz.

Quem pratica musculação sem nenhuma meta específica pode se assustar logo na recepção, onde há cartazes com a frase “Pare! Se você não tem objetivo, não entre!” Outra raridade é que a Betoflex tem uma rigorosa política de trabalho aplicada aos alunos. “Já adianto o que espero de cada um e explico como será o tempo em que eles estarão aqui. Alguns desistem na mesma hora”, garante.

Betoflex oferece estímulos por meio de desafios (Foto: Arquivo Pessoal)

O marombeiro se orgulha dos 90% de alunos matriculados, de um total de 250, que treinam com seriedade. É um dado atípico se comparado a maior parte das academias, onde a minoria se empenha.

Cultura old school

Betão Marcatto faz o possível para contribuir com o sucesso dos alunos, seja incentivando, corrigindo a execução incompleta dos exercícios, um fato comum, ou impondo desafios. “Há alunos que chegam com vários vícios e um exemplo é o meio supino. A pessoa deve estar disposta a ouvir que treina errado e precisa mudar. É um grande impacto pra eles, tanto que muitos só ficam um mês”, lamenta. Embora a Betoflex seja conhecida como um ambiente masculino, a academia conta com uma sala feminina frequentada por um bom número de alunas.

Adepto dos princípios de treino old school, Betão deixa sempre um caderno na recepção, o que serve de baliza para estatísticas de melhorias. Quem chega deve escrever o próprio nome e o horário. “Além de custar uma fortuna, a catraca eletrônica deixa tudo muito formal e automatizado, o que não condiz com a Betoflex. Tanto é que sei o nome de todos os alunos. É uma questão de respeito”, ressalta.

No ginásio, também existe a preocupação com a trilha sonora, elaborada sob um esquema de progressão. Há mais de três mil músicas disponíveis. Pela manhã, os marombeiros “puxam ferro” curtindo hard rock, heavy rock ou rock clássico como Airbourne, Deep Purple e AC/DC. Betão treina um pouco mais tarde, quando prioriza bandas de thrash metal, groove metal e metal industrial como Sepultura, Pantera e Fear Factory.

Se o treino é pesado, a música também deve ser. “São gêneros que me inspiram. O resto do dia é recheado de Metallica, System of a Down e outros”, exemplifica. Outra curiosidade da Betoflex é que alguns aparelhos foram desenvolvidos dentro da própria academia.

O Blog do Betão

Betão Marcatto, que é chamado carinhosamente de “tio” ou “titio”, não tinha a mínima ideia da influência sobre milhares de marombeiros de Norte a Sul do Brasil. Ficou sabendo da repercussão do trabalho há pouco tempo, quando instalou um contador de visualizações no “Blog do Betão”. Mais tarde, encontrou muitos de seus artigos espalhados por dezenas de sites e blogs sobre musculação.

O marombeiro oferece assistência a todos os alunos (Foto: Arquivo Pessoal)

A ideia de criar uma página surgiu quando percebeu que muitas pessoas estavam com dúvidas sobre treinamento, mas não tinham a quem recorrer, seja por interesse em aprender um pouco mais ou não conhecer um profissional bem preparado. O blog se popularizou e todos os dias Betão recebe muitas perguntas que responde conforme a disponibilidade. “Às vezes, acontece de algumas mensagens sumirem em meio a tantas outras, parecendo que estou ignorando a pergunta, mas não estou [risos]. Além disso, gosto muito de escrever”, frisa.

Betão sabe que se não atualizar o blog diariamente a cobrança dos leitores aparece no mesmo dia. A justificativa é o conteúdo diferenciado que conta com metodologias de treinamento que foram criadas ou adaptadas por Marcatto. Um exemplo é a técnica 3D’s – Difícil, Dolorido e Doentio, destinada a praticantes intermediários e avançados de musculação. Em síntese, o “Blog do Betão” é recomendado para apaixonados por musculação, pessoas dispostas a treinar sob um novo patamar de intensidade.

Mister Freaky, personagem interpretado por Betão que ficou famoso na internet (Foto: Arquivo Pessoal)

Três perguntas para Betão Marcatto

Betão, o seu estilo de vida inspira muita gente, não apenas de Guarulhos [na Região Metropolitana de São Paulo], mas de todo o Brasil. Você acha que isso é um reflexo da insatisfação quanto a falta de uma política de seriedade na maior parte das academias do país?

Acho que quem treina sério percebe quando o objetivo de quem está por trás do estabelecimento é só dinheiro. O comportamento passivo da maioria dos donos de academia é o reflexo disso. Tenho academia porque amo musculação. Poderia estar trabalhando em outra área, mas isso não me traria felicidade. ‘Trabalhe no que você não gosta e só será feliz no dia do pagamento. Trabalhe com o que gosta e será feliz todos os dias’. Você tem que ganhar dinheiro, claro, mas isso tem que ser consequência de um trabalho bem feito. Por parte dos donos de academias, vejo muito “abandono” tanto de aparelhos quanto de alunos. São verdadeiros órfãos do ferro.

Como surgiu a ideia de criar a série Mister Freaky, com um fictício e controverso personagem que ganhou muita popularidade discutindo de forma bem humorada os clichês da musculação?

Publicidade feita com bom humor (Arte: Arquivo da Betoflex)

A ideia do Mister é satirizar dois públicos da musculação: o cara que se acha mau e forte e aquele que vai malhar e não treinar, o popular “franguinho”. Produzi diversos vídeos, mas os retirei da internet porque estavam vinculados a um projeto ao qual não pertenço mais. Fiz alguns remakes, mas a edição ainda não saiu. Estou estudando a possibilidade da volta do Mister Freaky.

Recursos ergogênicos são sempre úteis se usados corretamente, porém dentre os principiantes há uma exaltação dos suplementos em detrimento da alimentação. Como você avalia isso?

Alimentação é a chave. É por meio da alimentação que construímos nossos corpos, que chegamos ao objetivo. Se você negligenciar a alimentação, tudo estará perdido. Suplementos ajudam, mas não podem ser considerados essenciais. São importantes se você não tem tempo para preparar suas refeições.

Blog do Betão

http://blogdotitiobetao.blogspot.com.br