David Arioch – Jornalismo Cultural

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Caninus, a história de uma banda vegana liderada por pit bulls

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Proposta era conscientizar sobre vegetarianismo, veganismo e adoção de cães abandonados

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Fundada em 2003, a banda nova-iorquina de grindcore Caninus, que chegou definitivamente ao fim no início de 2016, conquistou muita popularidade ao longo dos anos por ter duas cadelas da raça pit bull terrier como vocalistas – Basil e Budgie. Com uma proposta de promover o vegetarianismo, veganismo, a importância da adoção de cães abandonados e a conscientização em torno da desinformação sobre os pit bulls, a banda surgiu por iniciativa do guitarrista Justin Brannan e da guitarrista Rachel Rosen, da banda de Metalcore Most Precious Blood, que são ativistas dos direitos animais.

“As duas cadelas eram muito vocais, sempre brincávamos com elas, e elas possuíam rosnados excelentes. Crescemos ouvindo Cannibal Corpse, Napalm Death e Terrorizer [bandas de metal extremo], então achamos que seria engraçado fazer um som com elas rosnando sobre a música”, conta Brannan.

O que começou como uma brincadeira que entraria como bônus em um CD do Most Precious Blood, se tornou algo mais sério. Eles receberam propostas para gravar alguns discos, sem qualquer compromisso, e aceitaram. “O Caninus surgiu com uma mensagem bem direcionada – direitos animais, vegetarianismo, veganismo e adoção de animais. Nosso propósito maior era esse, até porque Budgie e Basil foram adotadas, eram cães resgatados por nós”, garante o guitarrista.

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A princípio, muita gente achou que o Caninus era uma sátira às bandas de grindcore e brutal death metal, porém Justin e Rachel fazem questão de deixar bem claro que isso não era verdade. “Todas as bandas de death metal têm caras que tentam soar como animais, e percebemos que poderíamos dar isso a eles da forma mais verdadeira possível. Somos fãs desses estilos. Não fazemos piadas disso. Foi tudo uma boa diversão. E os cães eram as estrelas. Somos os anônimos, seres humanos descartáveis”, esclareceu Brannan.

Até 2011, o grupo lançou o álbum “Now the Animals Have a Voice”, de 2004, um split com o projeto Hatebeak – que tem como vocalista um papagaio do congo chamado Waldo, e outro split com a banda também vegana Cattle Decapitation, os dois em 2005 e lançados pela War Torn Records. Entre as músicas mais conhecidas do Caninus estão “Brindle Brickheads (Unprecedent Ferocity)”, “No Dogs, No Masters”, “Fear of Dogs (Religious Myths)”, “Human Rawhide”, “Bite the Hand That Breeds You”, “Locking Jaws” e “Fuck The American Kennel Club”.

Esta última é uma crítica ao American Kennel Club, um dos maiores clubes de registro de genealogias de cães dos Estados Unidos, que realiza um trabalho que vai contra tudo aquilo que o Caninus defende, já que a banda entende que esse tipo de entidade só existe porque há pessoas criando animais de raças que são visadas comercialmente, assim estimulando a venda de cães como produtos e inviabilizando a adoção de animais abandonados.

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“As canções dizem respeito a questões que os pit bulls enfrentam hoje. É a raça mais mal compreendida e abusada lá fora”, acrescentou Brannan. Entre os bateristas que participaram do Caninus, um dos grandes colaboradores foi Colin Thundercurry. Em 2008, o baterista Richard Christy, que tocou com importantes bandas de metal como Death, Control Denied e Iced Earth participou de algumas músicas do Caninus.

Todo o processo de gravação da banda só foi colocado em prática com os cães bem à vontade, e livres para serem eles mesmos. Justamente para não condicioná-los, Justin Brannan e Rachel Rosen optaram por não fazer shows.

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Mesmo assim, o trabalho do Caninus foi longe, e teve um retorno tão positivo e inesperado para os músicos que até celebridades como as atrizes Susan Sarandon e Bernadette Peters declararam o seu amor pela banda e pela proposta de conscientização sobre os direitos animais.

Infelizmente, em 5 de janeiro de 2011, Basil faleceu aos dez anos, e sua morte se tornou notícia em diversos sites especializados em heavy metal. O Metal Sucks, um dos mais populares, publicou um texto em que declarou: “Sabemos como os animais podem tocar a vida das pessoas e sentimos sinceramente ao saber da passagem de Basil, R.I.P., nossas condolências a Justin e Rachel.”

O Caninus ainda realizou alguns registros ocasionais, inclusive assumiu o compromisso de lançar um novo disco em 2016, mais uma vez sem finalidade comercial, porém, a vocalista Budgie faleceu em 3 de janeiro de 2016, aos 16 anos, assim marcando o fim definitivo da banda. Em homenagem à ela, Justin e Rachel publicaram um texto emocionado:

É com grande tristeza que devemos transmitir esta mensagem:

Budgie, a fundadora e único membro original do Caninus, faleceu. Ela tinha 16 anos. Originalmente chamada Shelby, depois de ter sido atirada de um Mustang e deixada para morrer com uma pesada corrente ao redor do seu pescoço, ela foi adotada por Belle [Rachel] and Sudz [Justin], do North Hempstead Animal Shelter, e renomeada Budgie. Ela ganhou uma nova vida no Brooklyn no verão de 2000.

Budgie era muito parecida com o Lemmy [Kilmister]. Desde o primeiro dia, ela viveu sua vida baseada em suas próprias regras. Era uma apaixonada e tinha o coração de um campeão. Eles dizem que os cães nos ensinam tudo que precisamos saber sobre a vida sem dizer uma palavra – esta era Budgie. Há alguns meses, Budgie gravou vocais para o lançamento do último trabalho do Caninus, que deve ver a luz do dia em breve.

Todos nós fomos sortudos por tê-la conosco pelo tempo que foi possível. Ela tocou muitas vidas, lambeu muitos rostos, empurrou muitas pessoas para fora da cama, roubou muitas fatias de pizza, comeu muitos burritos e, mais importante, inspirou muita gente a adotar animais de abrigos em vez de comprá-los em pet shops ou de vendedores online.

Saiba Mais

Antes do surgimento do Caninus, Justin Brannan e Rachel Rosen já realizavam trabalho voluntário no North Hempstead Animal Shelter, uma das entidades mais respeitadas no resgate de animais abandonados em Nova York.

No site do Caninus, eles divulgavam produtos livres de crueldade contra animais e também dicas para veganos e para quem tinha interesse em aderir ao veganismo, além de informações sobre doações e resgate de animais.

Referências

Caninus

http://www.verbicidemagazine.com/2013/08/08/caninus-grindcore-death-metal-band-dog-vocalist-singers-brindle-brickheads/

http://www.metalinsider.net/in-memoriam/r-i-p-budgie-pit-bull-and-caninus-vocalist

http://www.mtv.com/news/1525305/for-those-about-to-squawk-metal-bands-with-non-human-singers/

Cattle Decapitation: “No fim do dia, os animais não têm direitos”

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Travis Ryan: “Em vez de ajudá-los, criamos coisas como fazendas industriais”

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Travis Ryan: “Por sermos a espécie mais inteligente do planeta, tudo isso é ignorado” (Foto: Reprodução)

Fundada em San Diego, na Califórnia, em 1996, a banda de deathgrind Cattle Decapitation, uma das maiores do gênero, surgiu com a proposta de abordar questões como a exploração de animais, a destruição do meio ambiente e outros problemas gerados pela humanidade na sanha por dinheiro e poder.

Em 6 de julho de 2012, o vocalista Travis Ryan concedeu uma entrevista ao portal Metal Sucks defendendo que os animais deveriam ter cada um dos direitos garantidos aos seres humanos. “No fim do dia, os animais não têm direitos. É um tema tocante. Por sermos a espécie mais inteligente do planeta, tudo isso é ignorado. Em vez de ajudá-los, criamos coisas como fazendas industriais”, lamentou.

Entre os problemas apontados por Ryan também está o descontrole na tutela de animais. Ele acredita que seria importante emitir licenças para que as pessoas provem que têm condições de garantir qualidade de vida aos animais domésticos. “Deveria haver leis mais rigorosas a respeito disso. Tenho uma ligação forte com os direitos animais. Somos aquilo que tocamos desde os nossos primeiros registros no final dos anos 1990 [em referência ao EP “Human Jerky”, que traz 18 músicas]”, disse.

O vocalista desabafou que é sempre desconfortável se deparar com pessoas que não se esforçam em entender a proposta da banda. “O que posso fazer é reiterar o que sinto, o que realmente somos. E há pessoas que continuam entendendo errado o nosso trabalho. Em uma entrevista, seja em papel ou online, tudo começa com ‘Os guerreiros veganos do grind Cattle Decapitation’ rá rá rá [risadas]. E eu fico: ‘Será que tem alguém ouvindo o que estou dizendo?’ É hipócrita pensar sobre essas coisas e não querer falar sobre isso. A maneira como você é provocado, não faz sentido. Mas essa é a única forma de combater a ignorância”, argumentou.

Travis Ryan contou que uma de suas prioridades é falar sobre como os seres humanos têm prejudicado seres vivos não humanos. “Convido as pessoas e lerem nossas letras antes de considerarem o julgamento que os outros fazem de nós. Há mitos e rumores que se perpetuam. A mídia fala de nós como se fôssemos veganos extremistas, e não é nada disso, o que inclusive acabou prejudicando nossa relação com nossos fãs”, queixou-se ao The Moshville Times, do Reino Unido, em 22 de julho de 2015.

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Ryan: “Tenho uma ligação forte com os direitos animais” (Foto: Reprodução)

Em entrevista à revista Guitar World em maio de 2012, Ryan declarou que as pessoas têm uma tendência a ter uma visão visceral do que é uma banda vegetariana que defende os direitos animais. “Por ser um tema polêmica, há polarização por parte das pessoas e da mídia. Eles preferem exagerar as coisas”, enfatizou.

Sobre as experiências como vegetariano em turnê ao longo dos anos, Travis Ryan relatou que muitas vezes as pessoas oferecem alimentos que eles não têm como ter certeza se há ovos ou leite na composição:

“Não temos o luxo de ir a um Whole Foods às três da manhã depois de um show. À essa altura, vamos a algum Taco Bell ou outro lugar nojento. É triste porque você viaja queimando combustíveis fósseis, e seu veículo fica coberto de carcaças de insetos. Às vezes, até de pássaros e outros animais. É por isso que posso dizer que hoje sou vegetariano, mas não vegano. Vivo minha vida com tanta compaixão quanto posso em relação aos animais e ao meio ambiente. Mas quando estou em casa, é muito mais fácil.”

Em “Manufactured Extinct”, do álbum “The Anthropocene Extinction”, lançado pelo Cattle Decapitation em 2015, Travis Ryan, que tem um vocal gutural singular, canta sobre como o homem do período antropoceno tem esmagado a biodiversidade, alterado e acelerado as condições climáticas por razões egocêntricas:

“Máquinas para construir máquinas/Forjando o fim de todas as coisas vivas/Sacrificando toda a moralidade, os fins justificam os meios/Tecnologia define as eras/Nossa história humana queima suas próprias páginas.”

Em outro trecho da música, Ryan reclama que espécies inteiras são exterminadas em decorrência da inconsequência humana. “Milhões de hectares desfigurados/Não renováveis. Foda-se esta carne/Curadoria da aflição/A real natureza emergiu/Debaixo do sol e na planície/Uma tragédia foi articulada/Por mãos de culturas entrelaçadas em ganância e formas cruéis de vida”, berra em “Manufactured Extinct”.

Formação

Travis Ryan – Vocalista

Josh Elmore – Guitarrista

Derek Engemann – Baixista

Dave Mcgraw – Baterista

Saiba Mais

Cattle Decapitation significa decapitação do gado.

A banda lançou sete álbuns de estúdio entre os anos de 2000 e 2015.

Deathgrind é uma combinação de death metal e grindcore.

Referências

http://www.metalsucks.net/2012/07/06/cattle-decapitations-travis-ryan-the-metalsucks-interview/

http://www.moshville.co.uk/interview/2015/07/interview-travis-ryan-of-cattle-decapitation/

http://www.guitarworld.com/interview-cattle-decapitation-vocalist-travis-ryan-discusses-new-album-monolith-inhumanity

http://www.metalobsession.net/2013/05/26/cattle-decapitation-we-dont-like-headlining-an-interview-with-travis-ryan/

http://www.metalunderground.com/interviews/details.cfm?newsid=82043

Agathocles: “Por que matar animais quando há muitas alternativas de comida saudável ao seu redor?

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Jan Frederickx: “A indústria da carne foi construída em cima do abuso de animais, visando apenas dinheiro”

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Desde o início, uma banda formada por vegetarianos (Foto: Reprodução)

Uma das bandas mais tradicionais de grindcore, o Agathocles surgiu na Bélgica em 1985, com o objetivo de abordar questões políticas, sociais e direitos animais. Dois anos depois, os belgas começaram a tocar com os ingleses do Napalm Death e Extreme Noise Terror, grupos que também trazem vegetarianos e veganos em suas formações.

Após o lançamento da primeira demo em 1987, o grupo excursionou por toda a Europa. Em 1996, enquanto viajavam pela República Tcheca, os integrantes gravaram voluntariamente um vídeo em prol de um grupo tcheco de defesa dos direitos animais.

Em entrevista ao zine Devastation Underground Attack, o vocalista, guitarrista e principal compositor Jan Frederickx contou que há muitas razões para alguém se tornar vegetariano. “Uma importante razão é que você não precisa de carne para ser saudável. Então, por que matar animais para transformá-los em comida quando há muitas alternativas de comida saudável ao seu redor? Uma outra razão é que a produção de carne ajuda a manter os países ricos mais ricos e os países pobres mais pobres”, argumentou.

Jan também justificou que muitos dos vegetais que são consumidos hoje em dia são produzidos em países de Terceiro Mundo, principalmente em nações onde há muita gente faminta, sem acesso à comida. “E isso acontece simplesmente porque grande parte dessa comida é destinada ao gado que vai ser abatido e transformado em carne para os países mais capitalistas. Acredito que isso é o suficiente para que uma pessoa se torne vegetariana ou vegana”, enfatizou.

Em suas letras, o Agathocles que se define como mincecore, costuma abordar questões como direitos animais e humanos, ecologia, política, economia e problemas nos países de Terceiro Mundo. Em entrevista concedida ao zine tcheco Obscene Extreme em maio de 2014, Frederickx sugeriu que as pessoas assistam documentários e busquem informações na internet sobre direitos animais, vegetarianismo e veganismo.

“É importante dizer às pessoas que tomem ciência sobre o consumo de massa e o abate de animais. A forma como os animais são ‘criados’ e tratados é realmente doentia. Por exemplo, a maneira como fazem o foie gras. E nem mencionei o quanto é cruel a forma como os animais são mortos nos matadouros. A indústria da carne foi construída em cima do abuso de animais, visando apenas dinheiro”, desabafou.

Sobre direitos animais, um dos maiores clássicos do Agathocles é a música “Hormon Mob”, faixa número 20 do álbum “Razor Sharp Daggers”, lançado em 1995. Na letra, Jan diz:

Agora ele está morto – uma bala em sua cabeça

Pare a multidão do hormônio

Matar por lucro é o seu trabalho

Prato químico – é isso que você deseja?

Bife e carne – de uma raça mutante

Pelo lucro doentio – você recebe carne contaminada

Essa é a multidão – esse é o trabalho deles

Pare a multidão do hormônio

Matar por lucro é o seu trabalho

O Agathocles costuma realizar shows beneficentes para movimentos de direitos animais, como o grupo belga Gaia, Animal Liberation Front (ALF) e APMA. Também já gravou músicas em prol desses movimentos e participaram de muitos protestos em defesa dos animais. “Há uma boa quantidade de restaurantes vegetarianos aqui na Bélgica, e eles não são caros. Então acaba sendo uma forma de encorajar as pessoas a comerem pratos vegetarianos. Não é nada difícil ser vegetariano aqui, e há toneladas de opções baratas e saudáveis”, garantiu Frederickx.

Saiba Mais

Mincecore significa grindcore puro voltado para direitos animais, questões políticas e sociais.

Referências

http://www.angelfire.com/mt/attack1/ag.html

http://www.obsceneextreme.cz/cs/a/71/fanzin,agathocles-interview

http://www.angelfire.com/nj/apf/agint.html

Mark Greenway: “Me tornei vegetariano e nunca mais olhei para trás”

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Barney é o vocalista da banda de metal extremo Napalm Death, pioneira do subgênero grindcore

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Greenway: “Vi um vídeo na escola sobre um matadouro. Daquele dia em diante, nunca mais consegui comer carne” (Foto: Mathieu Drouet)

Vegetariano desde os 14 anos, o inglês Mark “Barney” Greenway é o vocalista da banda de metal extremo Napalm Death, pioneira do subgênero grindcore. Ainda muito jovem, Greenway já era um ativista em favor dos direitos animais, inclusive discursando contra o consumo de couro e contra a fabricação de produtos que usam animais como cobaias.

“Vi um vídeo na escola sobre um matadouro. Daquele dia em diante, não consegui mais comer carne. Me tornei vegetariano e nunca mais olhei para trás. Eu tinha 100% de certeza de que eu seria vegetariano a minha vida toda. Mesmo depois de muitos anos, vejo que a realidade ainda não mudou”, informa.

Greenway, que mais tarde se tornou vegano, cita o fato de que vacas ainda são abatidas com captive bolt pistols, tiros de pistolas que penetram parafusos em suas cabeças. Imagens como essa o chocaram e o motivaram a abandonar o consumo de carne. “Faz muitos e muitos anos que não uso nenhum tipo de produto testado em animais. Sou um membro da Peta desde os meus primeiros dias [como vegetariano], e eu recebo muitas informações deles, e isso sempre foi muito útil para mim”, diz.

Em 1997, o Napalm Death lançou o EP “In Tongues We Speak” em parceria com a banda de metalcore estadunidense Coalesce. Das quatro composições, “Food Chains” se destaca por falar sobre os direitos animais a partir da perspectiva de que aquilo que as pessoas chamam de “comida”, era antes de tudo um animal que foi subjugado, preso contra a sua própria vontade. Em uma das passagens, Barney berra: “Tão sem conhecimento em seu anonimato/Porque quando você está marcado para a morte/Os ouvidos se apagam aos gritos.”

Quando escreve sobre os direitos animais, Barney gosta de criar jogos de palavras, recurso que ele considera mais eficaz para atingir o ouvinte. “Minha intenção é fazer com que o ser humano se coloque no lugar do animal. Talvez quando uma vaca acordar pela manhã, ele veja um parafuso em sua cabeça. Uma galinha de aviário passa a vida toda em uma gaiola. É uma vida miserável”, lamenta.

Greenway admite que adoraria se todas as pessoas do mundo se tornassem vegetarianas, porém acrescenta que não seria um prospecto realista, pelo menos da noite para o dia. Ainda assim, Barney crê que não há outro caminho que não seja a abolição das fazendas industriais. “As fazendas industriais são brutais. Os animais que nascem lá não têm a sua qualidade de vida diminuída. Na realidade, eles não têm qualquer tipo de qualidade de vida”, reclama.

Mesmo crente de que o mundo seria melhor se todos fossem vegetarianos, o vocalista inglês deixa claro que não se exalta diante de quem não é vegetariano. Por outro lado, acredita que as pessoas devem ser educadas em todos os níveis. “Eles precisam saber de onde vem sua comida”, justifica. Barney perdeu as contas de quantos fãs do Napalm Death se tornaram vegetarianos depois de ouvir suas músicas. “O que é absolutamente fantástico. É por isso que a música é uma ferramenta tão poderosa”, avalia.

Saiba Mais

Mark “Barney” Greenway nasceu em Great Barr, Birmingham, na Inglaterra, em 13 de julho de 1969.  É conhecido por apoiar muitas causas em defesa dos direitos animais.

Referências

http://www.peta2.com/heroes/napalm-death/

http://www.blabbermouth.net/news/napalm-death-frontman-talks-new-album-animal-rights-and-illegal-music-downloading/

Written by David Arioch

janeiro 5, 2017 at 6:08 pm