David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Posts Tagged ‘Frango

Reflexões sobre o consumo de carne e a musculação

leave a comment »

frangggooo

R$ 15 a R$ 20, esse é o valor que atribuímos ao quilo do coração de um animal (Foto: Reprodução)

Nenhum animal precisa morrer para que qualquer pessoa tenha resultados com a musculação. Acredito verdadeiramente nisso. Hoje em dia, se eu consumisse carne, por exemplo, eu logo associaria a ideia de que qualquer resultado conquistado teria custado a vida de muitos seres vivos.

Nesse meio, sempre vejo pessoas falando que compram caixas de filé de frango, e comem inclusive sem querer, ou até mesmo passando mal, porque veem a carne daquele pobre animal como essencial fonte de proteína para o ganho de massa muscular.

Ou seja, come-se até pelo desprazer, preocupando-se basicamente com resultados estéticos. Se eu fizesse isso hoje, logo perguntaria a mim mesmo, quantos animais mortos estou comendo por mês? Enquanto eu viso parecer melhor, aos animais é relegado o pior.

Ontem, conversando com um amigo na academia, falávamos sobre corações de frango. Um quilo de coração de frango significa muitos corações. Vende-se uma grande quantidade desse órgão, responsável pelo percurso do sangue bombeado através de todo o organismo do animal, por preços que variam de R$ 15 a R$ 20.

Esse é o valor que atribuímos ao coração de um animal que muita gente gosta de comer com limão. Não sei quantos corações pesam um quilo, mas duvido muito que um coração custe mais de 20, 30 centavos. Não consigo pensar em como isso pode não ser triste.

Written by David Arioch

janeiro 20, 2017 at 12:40 am

A Perdigão e as controvérsias do Chester

leave a comment »

content_chester_vivo

Suposta foto de uma produção de Chester ainda muito jovens (Foto: Perdigão)

Leiam o que a Perdigão diz quando questionada sobre a origem do Chester, o frango geneticamente modificado: “Chester é um animal, mas não é uma espécie diferente de ave, como o peru ou o avestruz, por exemplo. É a mesma espécie que o frango convencional.”

Para se ter uma ideia, um frango convencional pesa em média de 1,8 a 2,5 quilos. O Chester pesa pelo menos quatro quilos. Sendo assim, como achar normal o tamanho do Chester? Imagine o esforço que essa ave tem de fazer para se locomover.

Segundo a Perdigão, não tem sentido a aplicação de hormônios sintéticos no Chester porque as aves são abatidas antes do tempo necessário para que as substâncias comecem a fazer efeito. Por outro lado, o animal chega a quatro quilos em 42 dias. Ou seja, o dobro de um frango convencional. Em contato com a Perdigão, quando alguém pede fotos reais do Chester ainda vivo, eles dizem o seguinte: “Não dispomos de imagens desta ave em granja e/ou linha de produção.”

Ou seja, no Brasil, a Perdigão cria misteriosamente uma ave reduzida à comida e que a maioria não sabe o que é, o que não raramente levanta suspeitas. Também me surpreende saber que o Chester, um frango geneticamente modificado, e que me parece que ninguém nunca viu nem na TV, a não ser depois de morto, é consumido no Brasil desde 1982. Até hoje, não há muitas informações sobre o sistema de produção dessa ave. E as poucas a que temos acesso são controversas.

Só para endossar o quão estranho tudo isso é, pergunte aos consumidores o que é exatamente um Chester, se eles já o viram em algum aviário e se são capazes de descrevê-lo. Na minha opinião, mais uma história sobre a qual as pessoas precisam receber muito mais informações do que aquelas disponibilizadas pela indústria.

Written by David Arioch

dezembro 25, 2016 at 6:37 pm

Publicado em Brasil, Críticas

Tagged with , , ,

Eu e as proteínas de origem animal

leave a comment »

SONY DSC

Me recordo da última vez em que vi galinhas confinadas (Foto: MDrX)

Nunca fui um verdadeiro fã de carne. Carne nunca foi algo que me fez muita falta. Comia carne branca porque eu julgava como importante, até porque para onde eu olhasse havia alguma propaganda sobre as proteínas de origem animal. No meio da musculação, por exemplo, de cada cinco palavras ditas, uma costuma ser proteína. Dificilmente alguém toca no assunto sem dizer: “Proteína animal, proteína animal, proteína animal, alto valor biológico – filé de frango, claras de ovos…”

Com isso em mente, cheguei a consumir até três gramas de proteínas por quilo corporal em uma fase da minha vida. Pode ter certeza que é muita proteína, e uma quantidade que eu vejo hoje como absurda, desconfortável e desnecessária. Comia até sem querer porque tinha um objetivo a ser alcançado. E isso deveria ser bom? Não creio. Sempre fui saudável, exames perfeitos desde a adolescência, mas com o tempo deixei de absorver a ideia de uma dieta altamente rica em proteínas animais como uma coisa boa.

Sou um ser humano, não uma máquina. E tenho certeza que minhas necessidades são sempre mais modestas do que eu costumava imaginar ou acreditar. E acho que se meu organismo não quer um alimento, não devo ir além. Perdi as contas de quantas pessoas conheci que comiam tanto com a intenção de ganhar massa muscular que chegavam a sentir ânsia de vômito. Se exercitar e se alimentar bem deve ser sempre algo positivo, não impositivo, porque há sempre o risco da reeducação alimentar se tornar um novo tipo de disfunção.

Também cheguei a comprar caixas de filé de frango durante um período da minha vida. E comia sem prazer – porque qualificava isso como importante para a minha saúde, condição física e estética. Mesmo distante dessa realidade há muito tempo, ainda sou a mesma pessoa, sem qualquer prejuízo. E estou empenhado em provar que definitivamente não preciso de alimentos de origem animal.

Além disso, me recordo da última vez em que estive em uma granja e observei as galinhas confinadas, privadas de liberdade, almejando pelo menos um espaço maior de circulação. Elas não pareciam felizes, e foi então que tomei a decisão de não consumir mais ovos – último alimento de origem animal que comi. Muito tempo antes, comecei a refletir sobre a forma como sempre defendi a igualdade, o respeito e a tolerância entre os seres humanos.

E por que não estender isso aos animais? Já tinha abandonado a carne há um bom tempo, mas enquanto consumia ovos e laticínios não conseguia me ver como um ser humano em posição de falar de forma justa sobre a igualdade e a importância da vida.