David Arioch – Jornalismo Cultural

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Caninus, a história de uma banda vegana liderada por pit bulls

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Proposta era conscientizar sobre vegetarianismo, veganismo e adoção de cães abandonados

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Fundada em 2003, a banda nova-iorquina de grindcore Caninus, que chegou definitivamente ao fim no início de 2016, conquistou muita popularidade ao longo dos anos por ter duas cadelas da raça pit bull terrier como vocalistas – Basil e Budgie. Com uma proposta de promover o vegetarianismo, veganismo, a importância da adoção de cães abandonados e a conscientização em torno da desinformação sobre os pit bulls, a banda surgiu por iniciativa do guitarrista Justin Brannan e da guitarrista Rachel Rosen, da banda de Metalcore Most Precious Blood, que são ativistas dos direitos animais.

“As duas cadelas eram muito vocais, sempre brincávamos com elas, e elas possuíam rosnados excelentes. Crescemos ouvindo Cannibal Corpse, Napalm Death e Terrorizer [bandas de metal extremo], então achamos que seria engraçado fazer um som com elas rosnando sobre a música”, conta Brannan.

O que começou como uma brincadeira que entraria como bônus em um CD do Most Precious Blood, se tornou algo mais sério. Eles receberam propostas para gravar alguns discos, sem qualquer compromisso, e aceitaram. “O Caninus surgiu com uma mensagem bem direcionada – direitos animais, vegetarianismo, veganismo e adoção de animais. Nosso propósito maior era esse, até porque Budgie e Basil foram adotadas, eram cães resgatados por nós”, garante o guitarrista.

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A princípio, muita gente achou que o Caninus era uma sátira às bandas de grindcore e brutal death metal, porém Justin e Rachel fazem questão de deixar bem claro que isso não era verdade. “Todas as bandas de death metal têm caras que tentam soar como animais, e percebemos que poderíamos dar isso a eles da forma mais verdadeira possível. Somos fãs desses estilos. Não fazemos piadas disso. Foi tudo uma boa diversão. E os cães eram as estrelas. Somos os anônimos, seres humanos descartáveis”, esclareceu Brannan.

Até 2011, o grupo lançou o álbum “Now the Animals Have a Voice”, de 2004, um split com o projeto Hatebeak – que tem como vocalista um papagaio do congo chamado Waldo, e outro split com a banda também vegana Cattle Decapitation, os dois em 2005 e lançados pela War Torn Records. Entre as músicas mais conhecidas do Caninus estão “Brindle Brickheads (Unprecedent Ferocity)”, “No Dogs, No Masters”, “Fear of Dogs (Religious Myths)”, “Human Rawhide”, “Bite the Hand That Breeds You”, “Locking Jaws” e “Fuck The American Kennel Club”.

Esta última é uma crítica ao American Kennel Club, um dos maiores clubes de registro de genealogias de cães dos Estados Unidos, que realiza um trabalho que vai contra tudo aquilo que o Caninus defende, já que a banda entende que esse tipo de entidade só existe porque há pessoas criando animais de raças que são visadas comercialmente, assim estimulando a venda de cães como produtos e inviabilizando a adoção de animais abandonados.

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“As canções dizem respeito a questões que os pit bulls enfrentam hoje. É a raça mais mal compreendida e abusada lá fora”, acrescentou Brannan. Entre os bateristas que participaram do Caninus, um dos grandes colaboradores foi Colin Thundercurry. Em 2008, o baterista Richard Christy, que tocou com importantes bandas de metal como Death, Control Denied e Iced Earth participou de algumas músicas do Caninus.

Todo o processo de gravação da banda só foi colocado em prática com os cães bem à vontade, e livres para serem eles mesmos. Justamente para não condicioná-los, Justin Brannan e Rachel Rosen optaram por não fazer shows.

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Mesmo assim, o trabalho do Caninus foi longe, e teve um retorno tão positivo e inesperado para os músicos que até celebridades como as atrizes Susan Sarandon e Bernadette Peters declararam o seu amor pela banda e pela proposta de conscientização sobre os direitos animais.

Infelizmente, em 5 de janeiro de 2011, Basil faleceu aos dez anos, e sua morte se tornou notícia em diversos sites especializados em heavy metal. O Metal Sucks, um dos mais populares, publicou um texto em que declarou: “Sabemos como os animais podem tocar a vida das pessoas e sentimos sinceramente ao saber da passagem de Basil, R.I.P., nossas condolências a Justin e Rachel.”

O Caninus ainda realizou alguns registros ocasionais, inclusive assumiu o compromisso de lançar um novo disco em 2016, mais uma vez sem finalidade comercial, porém, a vocalista Budgie faleceu em 3 de janeiro de 2016, aos 16 anos, assim marcando o fim definitivo da banda. Em homenagem à ela, Justin e Rachel publicaram um texto emocionado:

É com grande tristeza que devemos transmitir esta mensagem:

Budgie, a fundadora e único membro original do Caninus, faleceu. Ela tinha 16 anos. Originalmente chamada Shelby, depois de ter sido atirada de um Mustang e deixada para morrer com uma pesada corrente ao redor do seu pescoço, ela foi adotada por Belle [Rachel] and Sudz [Justin], do North Hempstead Animal Shelter, e renomeada Budgie. Ela ganhou uma nova vida no Brooklyn no verão de 2000.

Budgie era muito parecida com o Lemmy [Kilmister]. Desde o primeiro dia, ela viveu sua vida baseada em suas próprias regras. Era uma apaixonada e tinha o coração de um campeão. Eles dizem que os cães nos ensinam tudo que precisamos saber sobre a vida sem dizer uma palavra – esta era Budgie. Há alguns meses, Budgie gravou vocais para o lançamento do último trabalho do Caninus, que deve ver a luz do dia em breve.

Todos nós fomos sortudos por tê-la conosco pelo tempo que foi possível. Ela tocou muitas vidas, lambeu muitos rostos, empurrou muitas pessoas para fora da cama, roubou muitas fatias de pizza, comeu muitos burritos e, mais importante, inspirou muita gente a adotar animais de abrigos em vez de comprá-los em pet shops ou de vendedores online.

Saiba Mais

Antes do surgimento do Caninus, Justin Brannan e Rachel Rosen já realizavam trabalho voluntário no North Hempstead Animal Shelter, uma das entidades mais respeitadas no resgate de animais abandonados em Nova York.

No site do Caninus, eles divulgavam produtos livres de crueldade contra animais e também dicas para veganos e para quem tinha interesse em aderir ao veganismo, além de informações sobre doações e resgate de animais.

Referências

Caninus

http://www.verbicidemagazine.com/2013/08/08/caninus-grindcore-death-metal-band-dog-vocalist-singers-brindle-brickheads/

http://www.metalinsider.net/in-memoriam/r-i-p-budgie-pit-bull-and-caninus-vocalist

http://www.mtv.com/news/1525305/for-those-about-to-squawk-metal-bands-with-non-human-singers/

Snapcase: “Eu nunca iria matar um animal e comê-lo. Então por que eu iria simplesmente comprá-lo?”

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Taberski: “Isso não faz diferença só porque alguém matou e realizou todo o processo”

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O Snapcase foi fundado em 1991 (Acervo: Modern Fix)

Uma das bandas mais importantes do cenário de hardcore punk do estado de Nova York, a banda Snapcase, fundada em Buffalo em 1991, surgiu por iniciativa de três amigos; um deles é o vocalista Daryl Taberski, que é vegano e único integrante da formação original que ainda continua no grupo. Embora o Snapcase não tenha o veganismo como temática primária em suas músicas, algumas de suas composições vão por esse caminho, mesmo que não de forma tão direta. Um exemplo é a música “Guilty By Ignorance”, do álbum “Progression Through Unlearning”, de 1997.

Na letra, Taberski fala sobre como somos culpados pela nossa própria ignorância quando temos condições de melhorar o mundo em que vivemos, mas optamos por dar dinheiro a empresas que matam sem demonstrar qualquer remorso, porque visam simplesmente os lucros. “E você não se importa de saber que sua vida rouba vidas. Então dê uma olhada em sua consciência vazia, porque ignorância não é inocência. Você se tornou, você se tornou o inimigo daqueles que são vítimas da ganância”, grita o vocalista em um trecho de “Guilty By Ignorance”.

Em “Box Seat”, do álbum “Designs for Automotion”, o Taberski fala sobre a cultura de consumo e como nos diluímos nesse meio, ignorando inclusive quem somos. “Não nos venda uma imagem perfeita. Nós vamos lutar para nos encontrarmos. Queremos o desafio impopular, queremos testar o nosso intelecto, teste nosso intelecto. Estamos programados, condicionados. Sem sentido, emoções sem sentido. Perdemos nosso desejo de pensar sozinhos, de pensar sozinhos, de pensar sozinhos…”, berra em “Typecast Modulator”, do disco “Designs for Automotion”, de 2000.

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Taberski: “Para mim, [ser vegano] é ir ao fundo das coisas” (Acervo: Art Voice)

Em entrevista a Mike Bushman, do Modern Fix, Daryl Taberski contou que se tornar vegano fez com que ele entendesse muitas coisas de forma diferenciada. “Não é uma coisa difícil de fazer. Eu nunca iria matar um animal e comê-lo. Para mim, [ser vegano] é ir ao fundo das coisas. Então por que eu iria simplesmente comprá-lo? Isso não faz diferença só porque alguém matou e realizou todo o processo”, argumentou.

Taberski declarou que hoje em dia as pessoas estão mais conscientes sobre o que é o veganismo, ao contrário de anos atrás quando um vegano era facilmente considerado uma “aberração”. ‘As pessoas perguntavam: ‘Vegano? O que é isso?’”, exemplificou. O músico também reconheceu que tem se tornado cada vez mais fácil encontrar comida sem ingredientes de origem animal. “Até mesmo os grandes supermercados de Buffalo, onde vivemos, dedicam uma sessão inteira à comida vegetariana e vegana”, disse em entrevista ao Enzk Punk and Hardcore Fanzine.

De 1994 a 2003, o Snapcase, que hoje tem Daryl Taberski como único membro fundador, lançou os álbuns “Lookinglasself”, “Progression Through Unlearning”, “Designs for Automotion”, “End Transmission” e “Bright Flashes”.

Saiba Mais

Originalmente, Daryl Taberski era baixista do Snapcase. O posto de vocalista era ocupado por Chris Galas.

Os discos “Designs for Automotion” e “Progression Through Unlearning” são apontados como as maiores contribuições da banda ao hardcore punk.

Referências

http://www.modernfix.com/interviews-2/feature-4/

http://www.angelfire.com/wi/enzk/snapcase.html

http://snapcase.com/

Estudantes abrem cafeteria vegana em universidade palestina

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Cafeteria usa a alimentação como forma de conscientização (Foto: Liga Animal Palestina)

Em outubro do ano passado, foi inaugurada na Universidade de Al Quds, em Jerusalém, na Palestina, a Sudfeh – a primeira cafeteria e restaurante universitário vegano do mundo árabe. Logo no primeiro mês, a Liga Animal Palestina (PAL), formada principalmente por estudantes, comercializou 1,6 mil refeições veganas.

Embora tivessem receio de que a aceitação não fosse muito boa, eles se surpreenderam com a receptividade positiva, inclusive por parte de quem não é vegano nem vegetariano. Claro, reflexo de um bom trabalho que envolve a oferta de alimentos frescos da cozinha palestina, que já possui muitos pratos sem ingredientes de origem animal, e outros que não são difíceis de “veganizar”.

Entre os pratos oferecidos aos estudantes estão húmus, feijões, sopas, folhas de videira recheadas, falafel e maqluba – a paella palestina. Ou seja, alguns dos alimentos mais tradicionais da culinária árabe. Muitos dos estudantes que passaram pelo Sudfeh pelo menos uma vez estão retornando. E a boa qualidade da comida é atribuída ao chefe Anan e sua equipe.

Os fundadores da cafeteria idealizada pela PAL investiram o equivalente a pouco mais de R$ 38 mil, e o dinheiro foi arrecadado através de doações de 200 pessoas e organizações, incluindo a Vegan Society, da Inglaterra, via projeto de financiamento coletivo. O nome Sudfeh é uma referência ao bom acaso do surgimento do empreendimento, que faz referência à sorte, esperança e à satisfação de estar no local certo no momento certo.

Além de administrar a cafeteria que oferece opções para mais de 13 mil estudantes na Universidade Al Quds, a PAL é uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo conscientizar os estudantes da Universidade Al Qds sobre os benefícios da alimentação vegana para a saúde, além dos direitos animais.

Os lucros da cafeteria que surgiu graças ao empenho de um grupo de estudantes palestinos vão ser destinados a financiar projetos de proteção animal e bolsas de estudos para estudantes de baixa renda. Por enquanto, algumas prioridades são as castrações de cães de rua e um programa para melhorar a vida de cavalos e burros.

Quem não pode ir à Palestina, pode conhecer o sabor da cafeteria Sudfeh por meio de um livro de receitas que eles disponibilizaram para download:

https://pal.ps/wp-content/uploads/2016/09/Sudfeh-Cookbook-1st-Edition-ilovepdf-compressed-2.pdf

Referências

https://pal.ps/en/sudfeh/

https://www.vegansociety.com/whats-new/news/vegan-society-helps-fund-first-vegan-cafe-palestine

Considerações sobre o consumo de laticínios

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confinamento-gado-de-leiteConsidero um equívoco quando alguém me diz que o problema do sofrimento dos animais nos grandes laticínios poderia ser resolvido se as pessoas comprassem leite de pequenos produtores. Tudo bem, então você compra leite do pequeno produtor e eu também. Daí quando as pessoas perguntarem, explicamos que o ideal é nunca comprar de grandes produtores.

Em pouco tempo, teremos uma infinidade de pessoas indo pelo mesmo caminho, e assim esses pequenos produtores serão obrigados a tornarem-se grandes produtores ou a saírem do negócio, já que eles deverão suprir a demanda ou ceder espaço para quem faça isso. A verdade é que enquanto as pessoas continuarem consumindo leite, inclusive muito mais do que os próprios bezerros, a intensa exploração da vaca vai continuar. Afinal, usa-se leite em quase tudo, até mesmo na composição de adoçantes.

Não há uma solução mais sustentável do que abdicar desse consumo, muito menos como evitar que todas as vacas do mundo passem por algum tipo de sofrimento ou privação enquanto as pessoas consomem quantidades exorbitantes e mesmo nocivas de laticínios. Não existe nem mesmo área para que todas as vacas da indústria leiteira sejam criadas de forma “humanizada”. Afinal, essa é a realidade do sistema industrial predominante, que atua conforme a demanda. E se a demanda é grande, o ritmo de produção é acelerado, o que significa que mais do que nunca o lucro se torna prioritário.868141253

Além disso, os produtores de leite do Brasil descobriram há muito tempo que é possível lucrar até três ou quatro vezes mais criando o gado leiteiro sob regime de confinamento, seguindo o exemplo de países como os Estados Unidos. Logo não vejo por qual motivo eles iriam abdicar desse sistema se não for por força de uma grande desaceleração no consumo, já que o mercado age em conformidade com as reações dos consumidores.

Um fato a se considerar sobre a produção nacional de leite é que em 2015, de acordo com dados da Leite Brasil, somente as 15 maiores empresas do ramo de laticínios do Brasil foram responsáveis por quase 10 bilhões de litros de leite. Só a Nestlé respondeu por 1,8 bilhão de litros. Levando isso em conta, como alguém pode afirmar que não contribui com a exploração industrial das vacas simplesmente porque não bebe o leite comercializado por grandes produtores? Isso não diz nada.

Seria uma grande ilusão, a não ser que a pessoa seja vegetariana ou vegana, porque quem consome laticínios, ou não lê os rótulos dos produtos (que costumam conter derivados lácteos) e os compra, naturalmente contribui para a manutenção desse sistema. Mesmo que alguém afirme que as vacas sejam “bem tratadas”, que não sofrem violência, isso não muda o fato de que elas são submetidas à ordenha natural ou mecânica por anos, até que, com a queda da produção, são vendidas aos frigoríficos, abatidas e reduzidas a pedaços de carne expostos em um açougue.

Uma triste face da realidade da indústria leiteira

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Assisti hoje mais um dos centenas vídeos disponíveis no YouTube sobre a realidade da grande indústria leiteira. Animais que morrem pouco a pouco para que as pessoas possam consumir laticínios. As vacas produzem leite em quantidades absurdas, ou seja, não naturais, e não raramente levam uma vida de sofrimento e privações até o dia de sua morte. Ademais, o bezerro que nasce nesse meio é reduzido à carne de vitela porque é mais cômodo para a indústria.

Vale a pena beber leite e consumir derivados a esse preço? Não creio. Por isso não compro nem consumo nada que tenha leite. De repente, pode aparecer alguém dizendo que isso não é uma realidade que se deve generalizar. Acredito que seja a realidade sim porque a maior parte das pessoas compra leite industrializado, o que significa que estamos falando de grandes produtores. Para atender a demanda, é preciso exigir muito dos animais, reduzindo expectativa de vida e consequentemente gerando sofrimento. Até porque nenhum animal é feliz produzindo leite para seres humanos.

Em síntese, esse tipo de situação só existe porque há uma grande demanda de leite e derivados. Se um animal é levado a viver dessa forma, isso acontece porque tem quem compre o resultado da exploração desse animal. Se possível, pense nisso quando for comprar leite, iogurte, queijo, etc. É apenas uma sugestão.

Josh Middleton: “Acho que, como a maioria das pessoas, eu não tinha ideia do que acontece na indústria de laticínios”

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“Acho que, como a maioria das pessoas, eu não tinha ideia do que acontece na indústria de laticínios”

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Middleton se tornou vegano quando estava compondo para o álbum “Monolith” (Foto: Divulgação)

Um dos fundadores da banda britânica de metal Sylosis, o vocalista e guitarrista Josh Middleton decidiu se tornar vegano enquanto estava compondo para o álbum “Monolith”, lançado em 2012. A mudança de estilo de vida foi motivada por um vídeo em que alguns japoneses apareciam decapitando golfinhos vivos.

“Não compro carne de golfinho, ninguém que eu conheço compra, mas comecei a dar uma olhada em informações sobre direitos animais e bem-estar animal. Te leva a questões ambientais, como os oceanos e os habitats naturais sendo destruídos. E isso vai mais longe, porque envolve corporações e grandes companhias como McDonalds, que demandam enormes quantidades de terra e derrubam florestas tropicais para a criação de gado”, ponderou Middleton a Luís Alves da Against Magazine em entrevista publicada em 22 de janeiro de 2015.

O músico britânico admite que o veganismo fez com que se tornasse mais consciente em relação a tudo. Para ele, cada faceta de sua vida depende das decisões que você toma, e como isso pode afetar alguém. Também te conduz a refletir sobre o destino do seu dinheiro nesse sistema. O veganismo realmente abriu os olhos de Middleton para o impacto do padrão de vida do ser humano na hipermodernidade, e o levou a repensar sua própria vida. Influenciado por sua namorada, ele começou a se interessar por meditação, segundo entrevista a Nathan Harlow, do Pure Grain Audio, veiculada em 6 de janeiro de 2015.

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“O vídeo da indústria de peles em ‘Earthlings’ foi provavelmente a coisa mais horrível que já vi”

“Acho que, como a maioria das pessoas, eu não tinha ideia do que acontece na indústria de laticínios. Quando eu comia carne, eu sempre entendia as razões das pessoas em não comer, mas eu pensava que os veganos eram um pouco estranhos. Ainda assim, desisti de comer carne para me tornar vegano. Preciso dizer que o vídeo da indústria de peles em ‘Earthlings’ [Terráqueos – documentário sobe a realidade da exploração animal] foi provavelmente a coisa mais horrível que já vi”, confidenciou à organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) em 31 de janeiro de 2013.

Josh Middleton recomenda que as pessoas pesquisem sobre a realidade dos animais explorados pela indústria, e não acredite nos argumentos tendenciosos de quem lucra às custas desse tipo de exploração. “Se prepare para lidar com qualquer um que comece a agir como um especialista em nutrição, dizendo que você não está se alimentando direito. Se você remover coisas de sua dieta, certifique-se de incluir novos alimentos e preste um pouco mais atenção nas fontes de suas vitaminas e nutrientes durante o período de transição. Há um grande equívoco em afirmar que veganos são magros e desnutridos. Se você não prestar atenção ao que come, isso pode acontecer, mas não é difícil fazer boas escolhas”, garantiu à Peta.

Quando o Sylosis está em turnê, Middleton e os outros integrantes da banda evitam comer muito fast food. Excursionando com o Lamb of God, dos Estados Unidos, Josh Middleton relata que eles preparavam grandes saladas na maioria das noites de shows. “[O veganismo] Isso faz você pensar sobre o que coloca em seu corpo”, disse em entrevista ao Cryptic Rock publicada em 28 de julho de 2015.

Entre os alimentos preferidos do músico britânico está o seitan, a carne de glúten, embora ele não coma com frequência porque reconhece que não tem boas habilidades de preparo. “Sendo vegetariano, você começa a cozinhar para você mesmo e consome menos alimentos processados, o que é um bônus. Gosto de feijão, burritos e chili de grão-de-bico”, enfatizou.

Formação do Sylosis

Josh Middleton – Vocal e Guitarra
Carl Parnell – Baixo
Alex Bailey – Guitarra
Ali Richardson – Bateria

Saiba Mais

Entre os anos de 2008 e 2016, Josh Middleton lançou com o Sylosis os álbuns “Conclusion of an Age”, “Edge of the Earth”, “Monolith” e “Dormant Heart”.

A sonoridade do Sylosis, formado por Josh Middleton e Carl Parnell, é uma combinação de thrash metal e death metal melódico.

Referências

http://againstmagazine.com/sylosis-interview-w-josh-middleton-2/

http://crypticrock.com/interview-josh-middelton-of-sylosis/

http://puregrainaudio.com/interviews/interview-with-sylosis-vocalist-and-lead-guitarist-josh-middleton-discusses-new-album-dormant-heart

http://www.peta2.com/blog/band-spotlight-sylosis/

Written by David Arioch

fevereiro 27, 2017 at 11:57 pm

Raj Singh Tattal: “Quem come carne está desconectado dos animais”

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Pentacularartist, um artista britânico contra a naturalização da exploração animal

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“The Silence of the Lambs”

Aos 38 anos, o britânico Raj Singh Tattal foi diagnosticado com Síndrome de Asperger, o que o ajudou a entender porque ele se tornava tão obsessivo quando se dedicava a alguma atividade. Embora desenhasse desde criança, quando descobriu o transtorno do espectro autista fazia 11 anos que ele tinha deixado o lápis de lado. Vegano, Tattal retomou o seu trabalho como desenhista na mesma época e, entre suas prioridades, decidiu usar a arte para fazer as pessoas refletirem sobre a crueldade contra os animais.

Para o artista, quem come carne está desconectado dos animais. “Me incomoda a maneira como os animais do campo são tratados e alimentados. Cordeiros são amados pelas crianças, mas também são mortos para o consumo humano. Há tantos adultos quanto crianças que não veem problemas nisso. E um filme que mostra essa estranha relação é ‘The Silence of the Lambs’ [O Silêncio dos Inocentes’ no Brasil]”, diz Raj Singh, também conhecido como Pentacularartist.

Ele se refere à cena em que Jodie Foster relembra a infância, quando estava em uma fazenda testemunhando a matança dos cordeirinhos que ela tanto amava. Aquela passagem cinematográfica teve tanto impacto sobre Tattal que ele criou uma obra homônima. “Foi um dos meus desenhos mais difíceis, não só a nível técnico, mas também emocional. Levei 95 horas e dez dias para criá-lo”, relata.1526934_758140244200290_1177308172_n

A intenção do artista foi transmitir a relação perturbadora entre seres humanos e animais. Quando crianças, eles amam brincar com os animais, mas quando crescem aceitam a exploração como se fosse uma parte natural da vida. “[Na obra] Os adultos que esfolam os cordeiros são supostamente as crianças que estão brincando com eles. A diferença é que elas cresceram. Cordeiros são animais amados por crianças e adultos porque são vistos como dóceis e belos. Mas isso não impede que eles tenham uma existência curta e horrível”, lamenta.

A obra feita em grafite e carvão foi a primeira da sua série sobre crueldade contra animais. Também é uma crítica ao fato de que muitos pais gostam de levar seus filhos para brincar com animais, mas não dizem a eles que aqueles belos e inocentes seres não humanos são reduzidos a pedaços de carne sobre um prato. “Espero que meu trabalho faça as pessoas pensarem sobre o que estão comendo”, enfatiza o desenhista.1512526_758137560867225_1344302203_n

Raj Singh Tattal se queixa que assim que os cordeiros chegam ao princípio da maturidade, já são preparados para a morte. “A carne de cordeiro de 12 a 20 meses é chamada de carne de um ano. A carne das ovelhas de seis a dez meses é vendida como baby lamb [carne de cordeiro bebê], e spring lamb [cordeiro primavera] são aqueles com três a cinco meses de idade. Fiquei chocado quando testemunhei corações de cordeiro vendidos em um supermercado local”, revela.

Raj Singh espera que as pessoas olhem para a sua arte e reflitam sobre o que elas estão promovendo quando estão comprando e comendo carne. Para ele, o sofrimento diário imposto a milhões de animais é um dos piores atos de maldade da humanidade. “Sou um artista londrino que trabalha com lápis de grafite e carvão, que se especializou em criar obras realistas em preto e branco. Embora eu ame todas as formas de arte, sigo pelo caminho da arte hiper-realista. E isso me inspirou a seguir os passos de artistas como Kelvin Okafor, Paul Cadden e outros. Estou em minha própria jornada para tornar realidade a minha meta de ser um artista hiper-realista”, assinala.

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“End of the Road”

Na obra “End of the Road”, o Pentacularartist transmite a mensagem de que o homem só é capaz de entender a dor de um animal ao se colocar no lugar dele. “Não vou dizer o que sinto, mas deixarei que os outros interpretem”, sugere o reservado e enigmático Tattal. Obras que outras pessoas precisariam de pelo menos um mês, o artista londrino é capaz de concluir em apenas quatro dias. A explicação é que ele é um sujeito que passa até 95% do tempo consigo mesmo.

“Realmente não gosto de mudanças. Fiquei até 12 anos sem sair de Londres. Tenho os mesmos pares de tênis, e já comi feijões cozidos todos os dias por 20 anos. Algumas dessas coisas soam muito triviais, mas com o tempo isso começa a irritar as pessoas ao seu redor. No passado, comecei a beber para tentar me encaixar entre as pessoas e fazer amigos. Mas hoje não bebo, só desenho, e nunca fui tão feliz”, garante.

Embora suas obras mostrem verdades sombrias e desconfortáveis, ele não se considera uma pessoa mórbida, mas sim alguém que extrai algo de bom e motivador a partir do que é triste. “Todos os meus trabalhos são em preto e branco, e baseados em grafite e carvão. ‘Beauty and the Beast’, é o terceiro desenho da minha série sobre crueldade contra animais. Levei 100 horas e 13 dias para terminar. Foi um dos mais demorados e difíceis que fiz até hoje”, pontua.

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“The Beauty and the Beast”

Uma crítica aos testes em animais realizados na indústria cosmética, a obra coloca uma mulher na mesma situação de coelhos usados como cobaias. Embora a prática tenha sido banida na Inglaterra em 1998, Raj Singh reclama que os testes ainda são usuais em outros países. “A União Europeia tem caminhado para a proibição de testes desde março de 2009. E desde 2012, é ilegal a venda de produtos cosméticos com ingredientes recentemente testados em animais. Embora seja encorajador que vários países fora da UE também estejam tentando adotar proibições semelhantes, isso é muito comum em países como China e Estados Unidos [assim como no Brasil]”, critica.

Entre os animais mais explorados em testes de produtos estão camundongos, coelhos, porquinhos-da-índia, macacos e gatos. Testes de irritabilidade na pele são os mais comuns. Geralmente os compostos químicos são esfregados sobre a pele raspada, ou então os técnicos pingam o produto nos olhos dos animais. Coelhos confinados em pequenas caixas são mantidos com as cabeças expostas, sem qualquer possibilidade de alívio para a dor. “Eles sofrem graves lesões, chegando à cegueira. São vítimas de estudos contínuos de alimentação forçada com duração de semanas ou meses para procurar sinais de doença ou riscos específicos para a saúde, como câncer e problemas congênitos.”

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Tattal em uma de suas exposições em Londres (Acervo: The Pentacularartist)

De acordo com Tattal, ao final dos testes até mesmo os animais que sobrevivem são mortos. Os métodos mais comuns são asfixia, destroncamento ou decapitação. Não há nenhum tipo de anestesia. “Nos Estados Unidos, uma grande porcentagem de animais usados em testes não entra nas estatísticas oficiais nem recebem proteção da Lei de Bem-Estar Animal”, reprova o Pentacularartist. Por outro lado, ele acredita que está crescendo o número de testes sem animais na indústria cosmética, até porque, hoje, mais do que nunca, é injustificável o uso de seres não humanos com essa finalidade.

“Eu costumava achar que eu era um fracassado”

Além de desenhar, Raj Singh Tattal participa de um grupo de apoio para pessoas com Síndrome de Asperger em Londres. “Eu costumava achar que eu era um fracassado. Há pessoas que fazem você se sentir como se fosse uma má pessoa porque você não faz certas coisas. Indo ao grupo de apoio, você vê pessoas na mesma situação que você, e percebe que são boas pessoas. É reconfortante falar com alguém. Eles podem dar conselhos e ajudá-lo”, defende.

Na adolescência, Tattal se apaixonou por ilustrações em quadrinhos. Aos 15 anos, criou o seu próprio super-herói que ganhou espaço em um jornal britânico de circulação nacional. Depois estudou arte e design, e, na faixa dos 20 anos, foi para a London South Bank University. Se graduou em design de produtos, mas por causa de problemas pessoais parou de desenhar por 11 anos.

“Fiquei longe da arte. Em novembro de 2012, a descoberta da Síndrome de Asperger despertou em mim um impulso incontrolável e voltei a desenhar. Peguei meus lápis e minhas canetas, comecei a desenhar e nunca mais pensei em parar novamente. Minha paixão e amor pela arte estão mais fortes do que nunca”, assegura.

Conheça um pouco mais o trabalho de Raj Singh Tattal

http://pentacularartist.wixsite.com/pentacularartist

https://www.facebook.com/Raj-Singh-Tattal-the-Pentacularartist-757948990886082/

https://www.instagram.com/pentacularartist/