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CEO de uma das maiores produtoras de carne do mundo acredita que a proteína vegetal é a proteína do futuro

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Tom Hayes

Hayes: “A proteína vegetal está se desenvolvendo, neste ponto, um pouco mais rápido do que a proteína animal” (Foto: Tyson Foods)

Tom Hayes, que em dezembro assumiu o cargo de CEO da Tyson Foods, uma das maiores produtoras de carne do mundo, disse em entrevista publicada pela Fox Business na semana passada que se dermos uma olhada nas estatísticas da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o consumo de proteína está crescendo em todo o mundo, e continua crescendo. Não está no ápice apenas nos Estados Unidos, mas em todos os lugares; pessoas querem proteínas, independente de origem, segundo Hayes.

“Elas têm apetite para isso. A proteína vegetal está se desenvolvendo, neste ponto, um pouco mais rápido do que a proteína animal, então acho que a migração vai continuar nessa direção”, declarou Tom Hayes, que acredita que a proteína vegetal é a proteína do futuro.

A maior prova disso é o fato de que a Tyson Foods se tornou uma das acionistas minoritárias da Beyond Meat, uma fábrica sediada em Los Angeles que produz alternativas vegetarianas e sustentáveis à carne.  Além disso, destinou 150 milhões de dólares a um fundo de capital de risco voltado para start-ups que criam substitutos de carne.

Sobre a participação da Tyson Foods, a Beyond Meat informou que o único objetivo em comum é atender aos consumidores que estão em busca de mudanças. Segundo a empresa, citando como referência a Organização Mundial de Saúde (OMS) e as pesquisas de Goodland e Anhang, as carnes vegetais proporcionam benefícios para a saúde e para o meio ambiente.

“Essas questões positivas me motivam, fortemente. Mas eu também acredito que os animais valorizam tanto suas vidas quanto nós, e aqui temos obrigações não cumpridas. Seria um erro de minha parte desconsiderar isso quando entrei nessa nova relação”, declarou o CEO da Beyond Meat, Ethan Brown.

Referências

http://www.foxbusiness.com/features/2017/03/07/tyson-foods-ceo-future-food-might-be-meatless.html

http://beyondmeat.com/whats-new/view/why-i-am-welcoming-tyson-foods-as-an-investor-to-beyond-meat

Written by David Arioch

março 13, 2017 at 1:58 pm

Carne de cordeirinho

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Foto: Back Yard Herds

Em muitos países, e inclusive no Brasil, pessoas pagam para comer baby lamb, que nada mais é do que a carne de um cordeirinho com seis meses de idade. Acho que não preciso dizer que é esse tipo de comércio que incentivamos quando comemos carne. Abre-se precedentes para os mais bizarros tipos de práticas consumistas.

Written by David Arioch

fevereiro 26, 2017 at 6:26 pm

Cortes de carne nada mais são do que fragmentos de cadáveres

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Pessoas sempre se incomodam quando alguém se refere à carne como cadáver. Não há nada de errado em se referir à carne dessa forma. Cortes de carne nada mais são do que fragmentos de cadáveres, como o escritor J.M. Coetzee, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, destaca em livros como “Desonra”, “Elizabeth Costello” e “A Vida dos Animais”.

É apenas uma questão de compreensão, constatação da realidade. Quem chama carne de cadáver pensa na origem da carne, ou seja, no animal que morreu para que ela fosse comercializada nos açougues. Quem se incomoda com essa palavra, oculta-se na ilusão, se nega a crer que o que está comendo custou a vida de um animal – o que é bastante óbvio. Afinal, não existe carne sem morte.

Written by David Arioch

fevereiro 15, 2017 at 11:17 pm

O boi e a família

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Obra “Mr Moo”, de Ruth Aslett

Rubens parou o carro na beira da estrada. Ele, a esposa e os três filhos desceram para admirar um boi que coçava a cabeça em uma porteira a poucos metros de distância. Se aproximaram e perceberam que o animal era bem manso.

Então as três crianças acariciaram sua cabeça e riram como nunca. Não imaginavam que um animal daquele tamanho pudesse ser tão dócil. Sem se incomodar, o boi apenas os observava com seus olhos cristalinos.

Duas horas depois, já estavam em casa almoçando, servindo-se de bifes grelhados, sorrindo e se lembrando da doçura do boi que roçava a cabeça suavemente sobre uma porteira que trazia no cerne uma cruz de madeira. E, mais uma vez, como tantas outras, a beleza da vida foi celebrada com morte.

Written by David Arioch

fevereiro 15, 2017 at 11:12 pm

Dana Ellyn: “Por que amamos alguns animais e comemos outros?”

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“Quanto mais pesquisarem de onde vêm sua comida, mais se inclinarão a tornarem-se veganas”

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Dana Ellyn Em uma de suas exposições (Foto: Divulgação)

Muitas pessoas que gostam de animais normalmente ficam aborrecidas ou furiosas quando veem um animal doméstico sofrendo ou passando por algum tipo de privação. Por outro lado, não partilham do mesmo sentimento quando se trata de animais enviados aos matadouros. Foi justamente pensando nisso que um dia a artista vegana estadunidense Dana Ellyn decidiu pautar o seu trabalho em uma questão retórica: “Por que amamos alguns animais e comemos outros?”

Sim, não é difícil entender que se trata de um fator cultural, contudo, não deixa de ser uma forma de hipocrisia de nossa parte, principalmente se afirmamos que amamos animais, e ainda assim os comemos. “Os animais têm aparecido na minha arte há anos, mas foi só em 2013 que fiz deles o meu tema de trabalho. Colocar um adorável leitão ao lado de um pedaço de bacon [como ela fez na série ‘Olhe em Meus Olhos e Diga-me que Sou Delicioso’] pode causar desconforto em quem come carne, porque faz com que pensem sobre a origem da comida”, disse Dana em entrevista ao Compassion Over Killing (COK), uma entidade filantrópica de Washington, D.C., que atua em defesa dos direitos animais, em 22 de abril de 2014.

A artista reconhece que suas obras podem despertar os mais diferentes sentimentos, desde compaixão ao escárnio, até porque, além do veganismo, ela aborda também religião, política, divórcio e a opção em não ter filhos. “Quando comecei a me concentrar na criação de quadros com temática veg, pensei que estava me aventurando em um território menos controverso. Eu estava definitivamente errada”, admite.fridge

Ela achava que algumas de suas pinturas, como “Baby Back Ribs” e “Independente (from Meat) Day” transmitiam mensagens óbvias, resultados do reconhecimento de como a carne chega aos nossos pratos. “Acontece que a maioria das pessoas não gosta de pensar sobre isso. Mesmo criando muitas pinturas com temáticas veganas, eu equilibro elas com uma coleção de obras gentis, que apresentam doces animais que olham para o espectador com olhos inocentes e enviam mensagens como: ‘Tenho sentimentos, por favor, não me coma’”, declarou a pintora a COK.

A habilidade pictórica, a evidência das contradições e o humor peculiar de Dana Ellyn estão em suas obras de cores vívidas e intensas que apresentam um forte e desafiador conteúdo crítico das mais diferentes questões sociais. Portanto, pode-se definir o trabalho de Dana como uma combinação do expressionismo com o realismo social, principalmente se levarmos em conta que ela tem como grandes inspirações a expressividade emocional e a perspectiva sombria dos expressionistas alemães; além da crueza e da confrontação da realidade influenciada por artistas mais contemporâneos e outsiders.

Muitos dos trabalhos de Dana com temáticas veganas são reconstruções de flashes artísticos de sua infância, um olhar adulto e vegano sobre o condicionamento em consumir carne e outros alimentos de origem animal. “Olhando para trás, percebo que sou vegetariana em meu coração desde a infância. Carne sempre me incomodou. Qualquer sinal de líquido vermelho era um tormento. E frango no osso era um grande problema, porque ainda parecia um animal. E nem falo sobre tendões em uma asa de frango, ou roer a carne de uma sobressalente costela em um restaurante chinês”, relatou em entrevista a Jodi Truglio, da revista Global Looking Glass em 23 de agosto de 2013.see3.jpg

Dana Ellyn, que se tornou vegetariana em 2001 e vegana em 2013, cresceu em uma pequena cidade costeira em Connecticut nos anos 1980. A cultura predominante de consumo de alimentos naquela época era do tipo “coma o que vier em seu prato e não faça perguntas”. “Minha família via o consumo de carne como um estilo de vida, uma maneira de pertencimento. Em minha infância, eu me sentia desconfortável quando me serviam pratos com cadáveres”, contou em entrevista à blogueira Zahava Katz-Perlish, do I’m An Animal Too, em 30 de junho de 2016.

Ainda criança, já preferia comer grãos e vegetais. Ela afirmou que despertou quando percebeu que a carne que era encorajada a comer para “viver”, nada mais era do que uma escolha, já que é possível viver muito bem sem consumir partes de animais. “Sempre fui sensível sobre o sofrimento dos animais reduzidos à comida ou usados com outros propósitos destrutivos. Ao me tornar vegana, abriu-se um novo mundo de experiências culinárias que eu e meu marido [que também é vegano] exclamamos com um pouco de frustração, por que alguém precisa comer carne?”, confidenciou.2e119de49815ebb506d1bc4d9069f491

O que levou a artista a ter fortes sentimentos sobre os direitos animais e o veganismo foi o reconhecimento de que estava sendo conivente com o sofrimento de outros seres vivos. “Assistir vídeos no YouTube, de galinhas sendo pisoteadas é um bom começo para qualquer um. Quanto mais as pessoas pesquisarem de onde vêm sua comida, e se conscientizarem da violência nas indústrias de carnes e laticínios, mais elas se inclinarão a tornarem-se veganas. Gosto de me considerar uma consumidora informada, e um consumidor especialmente informado pesquisa sobre o que coloca em sua boca. Ser vegano faz todo o sentido”, ponderou.

Dana Ellyn gosta de atrair a atenção de consumidores de carne com suas pinturas que questionam a conduta especista humana. “Quem come frango, carne bovina ou de porco fica todo sentimental quando vê os coelhos e gatinhos sendo vendidos como comida em minhas pinturas. Em um nível intelectual, eles entendem que minha referência é sobre diferenças culturais, mas eles não são capazes de direcionar o espelho para si mesmos e admitir plenamente que o que eles comem não é diferente”, explicou ao portal Viva La Vegan! em 20 de junho de 2013.

A artista, que vive em Washington, D.C., se graduou em história da arte e belas artes em 1992 pela George Washington University. Desde 2002, ela se dedica à pintura em tempo integral. Além de participar de muitas exposições nos Estados Unidos, seu trabalho também já foi prestigiado na Europa e no Marrocos.outsmarted

“Foi essa mudança do vegetarianismo para o veganismo que me influenciou a começar a me concentrar principalmente nas questões dos direitos animais. Descobri que [muitas] pessoas que comem carne preferem negar as vantagens do veganismo. Eles gostam de zombar ou fazer piadas sobre a ideia de ser vegano. Agem como se eu fosse uma extremista por fazer uma escolha em ser vegana; como se eu fosse a estranha ou a errada [sendo que eles que financiam a morte dos animais ao consumirem carne]”, reclamou ao I’m An Animal Too.

Segundo Dana, é fácil para as pessoas negarem a realidade quando elas se mantêm alheias à origem da comida. “Eles compram a carne que é embalada em um invólucro plástico, e isso pouco se assemelha ao animal de onde veio. Tenho tido muitas conversas ao longo do ano sobre ser vegetariana. Quando falo sobre as horríveis condições dos animais na agroindústria, as pessoas balançam suas cabeças e sempre afirmam que sabem, mas não querem saber. Eles basicamente reconhecem que se eles admitirem a si mesmos como isso é horrível, eles teriam que parar de comer carne. Não entendo isso. Então por que não simplesmente parar de comer carne em vez de enfiar a cabeça na areia e fingir que não vê qual é o problema?”, lamentou ao Viva La Vegan!.87157922d9f48e1b7de24751b756d43f

Em “Meet Your Meats”, ou “Conheça Suas Carnes”, inspirada na negação da realidade, Dana Ellyn criou um cenário em que uma pessoa abre o refrigerador para retirar comida e, de repente, se vê obrigada a lidar, face a face, com os animais que está pensando em jantar. “Em várias ocasiões, colaborei com a [entidade filantrópica em defesa dos direitos animais] Compassion Over Killing, disponibilizando minha arte para venda em seus eventos de arrecadação de fundos. A COK também usou minha arte como capa do seu cartão de férias. Recentemente, colaborei com a britânica Lucy Tammam, premiada designer de moda de alta costura de Londres, que tem sido uma inovadora em termos éticos e sustentáveis”, revelou a Zahava Katz-Perlish.

Ao Viva La Vegan!, Dana se queixou que muitas pessoas jamais dedicam qualquer tempo para sair e conhecer um porco como animal de estimação. Ela defende que essa experiência poderia fazer alguma diferença. “Elas seriam capazes de comer carne de porco novamente? Suponho que algumas sim, e outras não”, concluiu. Tal reflexão a motivou a criar uma obra em que o cão Fido aparece vestido de porco para ser servido durante o jantar, enquanto o suíno ocupa maliciosamente o lugar do cachorro. “A menina parece saber o que aconteceu porque ela está olhando em direção ao porco, suprimindo um sorriso. Mas a mãe, representada de propósito como uma dona de casa dos anos 1950 está obedientemente servindo o jantar. Tradicional e antiquada, ela não questiona nada – está apenas fazendo o que se espera dela”, assinalou.meat

Em outra pintura de Dana Ellyn, que evoca uma inversão de papéis, um leitão assado aparece com uma maçã na boca, enquanto um cão feliz tem uma bola de tênis entre os dentes. “Meu principal objetivo como artista é fazer as pessoas felizes. Orgulho-me em fazer minhas obras de arte acessíveis. Eu quero que todos que desejem possuir um dos meus quadros tenham condições de adquiri-los. Como uma artista vegana, espero que os veganos compreendam e apreciem a minha arte. Se os não veganos veem minhas pinturas e se sentem confusos e desafiados, ou mudados por minhas pinturas, então me sinto feliz”, garantiu ao blog I’m An Animal Too em 30 de junho de 2016.

Referências

http://imananimaltoo.com/2016/06/30/power-art-change/

http://cok.net/blog/2014/04/vegan-artist-dana-ellyn/

http://www.vivalavegan.net/list/7-updates/545-dana-ellyn-vegan-painter-art-a-inspiration.html

http://www.danaellyn.com/bio.html

Written by David Arioch

fevereiro 13, 2017 at 7:56 pm

Mata-se um ser vivo por um prazer efêmero

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Arte do livro “Cruel: Bearing Witness to Animal Exploitation”, da artista inglesa Sue Coe

Quando alguém come um animal, e diz que aquele ser morreu cumprindo o seu papel, eu pergunto: Será que a mãe, o pai, o filho ou a filha daquele animal partilha da mesma opinião? Se eles nascem com essa finalidade, por que então eles e os seus se emocionam, não reconhecem a morte precoce como natural e até mesmo ficam enlutados?

Os animais têm emoções, sentimentos, e aqueles que colocamos sobre a mesa nunca morrem sorridentes ou satisfeitos em tornarem-se comida. Ademais, demonstram dor e sofrimento de maneira bastante óbvia. É triste reconhecer que mata-se um ser vivo por um prazer efêmero, que não ultrapassa minutos.

Aquele que se regozija com a morte em benefício do próprio paladar ignora o fato de que a morte também o habita, já que somos aquilo que fazemos, comemos, pensamos e sentimos. Como podemos almejar a paz enquanto nos alimentamos de morte?

Written by David Arioch

fevereiro 11, 2017 at 5:13 pm

Nascem, crescem numa velocidade assustadora e morrem para tornarem-se comida

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Logo cedo, são privados do convívio familiar

Quando eu era criança, sempre me sentia estranho perto da fila do açougue. “É o lugar mais frio do mercado”, eu dizia para minha mãe. Às vezes, me sentia mal, mesmo sem entender. Hoje, evito passar perto do açougue porque não consigo deixar de imaginar o que cada uma daquelas partes expostas na vitrine ou em grilhões representa de verdade.

Vejo pessoas nas filas, seguindo suas vidas, conversando e brincando. É um contraste muito grande com o destino daqueles animais que têm vidas muito curtas, e logo cedo são privados do convívio familiar. Nascem, crescem numa velocidade assustadora e morrem para tornarem-se comida.

Vez ou outra, alguém me diz que fulano de tal matou um animal para ser consumido inteiramente em uma confraternização. Difícil não pensar que toda a vida de um animal foi resumida a algumas horas de comilança, e em um evento que celebra a amizade e o companheirismo. Onde está esse senso de companheirismo quando esse animal é privado de conviver com seus familiares? Somos animais conscientes que celebram a vida com a morte.

Written by David Arioch

fevereiro 8, 2017 at 10:36 am