David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

O pequeno dourado

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gold-fish-in-waterNunca gostei de pescaria, mas me recordo claramente de um episódio em que meu pai tinha recém-comprado uma vara de pescar. Eu era criança e estávamos na divisa entre o Paraná e o Mato Grosso do Sul, onde ele lançou o anzol de cima de uma balsa. Não sei se para a sorte dele ou azar do peixe, um pequeno dourado, talvez ainda inexperiente nas águas do Rio Paraná, fisgou a isca.

Meu pai o puxou no mesmo instante em que a vara tremulou. E a poucos metros de distância, vi o dourado sendo içado a contragosto – se contorcendo, preso ao anzol. Mesmo miúdo, se debatia com violência, não sei se por instinto ou paixão – ou os dois, num sobressalto para não ceder à morte. Notei o desespero nos olhos vibrantes daquele pequeno animal que cintilava como a última luz do poente.

Foi como testemunhar um ser humano se afogando, e me recordei de quando ainda muito ingênuo, quase fui engolido pelo mar. O desespero do dourado não parecia diferente do meu enquanto me afogava – durou mais do que segundos, talvez tenha sido uma eternidade. Mas quando meu pai percebeu a minha reação de espanto e a do meu irmão, ele o lançou de volta.

O peixe partiu veloz, recortando as águas do Rio Paraná. E o sol que até então iluminava somente o leito do rio, aqueceu nossas cabeças por um instante. Eu já não sentia ou reconhecia a chegada da morte, somente da vida que prevalecia e resplandecia.

Brian Fair sobre o consumo de carne: “É um mito tão grande que se tenha que matar para sobreviver”

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“Eu não quis mais fazer parte de algo que tirasse vidas para o meu próprio prazer”

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Quando estava na oitava série, o vocalista da banda de metal estadunidense Shadows Fall, Brian Fair, que faz jus ao sobrenome, ouviu Meat Is Murder (Carne é Assassinato), do The Smiths. A experiência foi o suficiente para que ele se sensibilizasse com a realidade dos animais reduzidos à comida. “Eu não quis mais fazer parte de algo que tirasse vidas para o meu próprio prazer”, justificou em um vídeo que ele gravou e foi publicado no YouTube.

Na adolescência, ele contou com o apoio de um tio que era vegetariano e estava envolvido com a produção de alimentos orgânicos. Mais tarde, também fez amizade com o vocalista vegano Ray Cappo, das bandas Youth of Today, Shelter e Better Than a Thousand, de quem recebeu boas dicas.

Muitas vezes os fãs perguntaram a Fair por que ele parou de comer carne. Educado e compreensivo, sempre fez questão de explicar que foi motivado por uma transformação interna, um sentimento de justiça – na sua perspectiva, um compromisso com mudanças sociais positivas, o que tem tudo a ver com o heavy metal e o hardcore, que nasceram da contracultura. “É um mito tão grande que se tenha que matar para sobreviver. Comer carne não se trata de sobrevivência porque podemos viver de outra maneira”, declara.

Brian Fair sugere que as pessoas procurem na internet por vídeos sobre os bastidores da indústria da exploração animal, e vejam o que existe por trás dos alimentos comprados com tanta comodidade. Ele argumenta que é fácil consumir alimentos de origem animal quando tudo é entregue embalado e dissociado de sua origem. “Hoje em dia, há muitos produtos livres de crueldade animal”, pondera e acrescenta que as pessoas não imaginam quantos pequenos coelhos e outros pequenos animais são torturados para a realização de testes e extração de pele.

Se pautando em transmitir uma mensagem positiva sobre vegetarianismo e do veganismo, Brian Fair afirma que as pessoas normalmente subestimam a si mesmas quando não experimentam uma alimentação livre da exploração animal. “Não têm ideia de como é fácil quebrar esse ciclo”, enfatiza.

Brian Fair também se oferece para ajudar na transição de quem se sente inseguro em tornar-se vegetariano ou vegano. “Podem mandar perguntas. Ajudarei vocês no que eu puder”, promete. O vocalista do Shadows Fall já participou de algumas campanhas da Peta, com a intenção de motivar principalmente jovens.

Saiba Mais

Um dos fundadores do Shadows Fall, Brian Fair gravou sete álbuns com a banda entre os anos de 1997 e 2012.

Ele se graduou em literatura pela Universidade de Boston.

Fanpage oficial do Shadows Fall no Facebook 

https://www.facebook.com/shadowsfall/

Referências

http://www.blabbermouth.net/news/shadows-fall-frontman-brian-fair-you-don-t-have-to-kill-in-order-to-live/#z8UVROK308tz6CRc.99

https://www.peta2.com/news/shadows-falls-brian-fair/

Written by David Arioch

março 16, 2017 at 5:52 pm

Médico e pesquisador refuta afirmação de que o ser humano não teria evoluído sem o consumo de carne

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“O problema da teoria da dieta paleo é que no passado não existiu especificamente uma dieta paleo”

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Shivam Joshi afirma que há mitos sobre o ser humano da era paleolítica

Quando se fala em consumo de carne, os defensores sempre alegam que o ser humano jamais teria evoluído se não fosse pela ingestão de carne. Alguns dizem inclusive que nossas capacidades neurológicas não seriam as mesmas sem esse hábito de nossos antepassados. Porém, há quem discorde e se empenhe em provar como essa linha de raciocínio é equivocada e capciosa.

Um exemplo é o médico estadunidense e pesquisador Shivam Joshi, doutor em nefrologia, que está escrevendo um livro sobre os efeitos do consumo de carne na saúde humana e sua associação com pressão alta, doenças cardíacas, câncer, diabetes e acidente vascular cerebral (AVC).

Na obra, ele aborda também importantes aspectos da evolução humana, entre os quais o possível equívoco de quem acredita que não teríamos evoluído sem o consumo de carne. “Durante a evolução, humanos e seus ancestrais comeram carne, e algumas pessoas têm usado esse precedente histórico como evidência para legitimar o consumo de carne. A ideia tem sido popularizada em muitas dietas baseadas em gorduras, incluindo a notável dieta paleo”, conta.

E defensores dessas dietas costumam alegar que como os nossos ancestrais paleolíticos tinham um estilo de vida natural, isso significa que deveríamos seguir seu exemplo, já que comer carne era uma prática usual no período paleolítico. “Desde que comemos carne, devemos comer carne, segundo eles”, declara Joshi.

Porém, há lacunas nesse tipo de teoria que tenta simplificar a realidade humana da época ao defender que estamos apenas fazendo algo lógico ao seguir os supostos passos de nossos ancestrais. Para o médico, o primeiro problema da teoria da dieta paleo é que no passado não existiu especificamente uma dieta paleo.

“Como nossos predecessores deixaram a África, eles provavelmente encontraram diferentes climas e terrenos, cada um oferecendo recursos diferentes para os homininos [subtribo de primatas que teve os humanos como únicos sobreviventes] durante a evolução”, enfatiza o médico.

Joshi se baseia no fato de que antropólogos descobriram que havia os mais diferentes tipos de dietas no período paleolítico, e a carne foi introduzida em parte dessas dietas, sem que fosse encarada como essencial ou mesmo um modelo a ser seguido.

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“Qualquer um sacrificaria sua saúde em longo prazo para sobreviver em um cenário desse tipo” (Arte: Reprodução)

“Alguns podem ter consumido carne, enquanto outros consumiram frutas, tubérculos. Os homininos mais evoluídos comiam o que estivesse disponível. Comer para sobreviver é diferente de jantar pensando em saúde em longo prazo. A diferença pode ser percebida quando arriscamos a saúde em longo prazo em benefício da saúde em curto prazo”, analisa.

Para ilustrar a ideia de que o ser humano não consumia carne por opção, e muito menos ponderava sobre os malefícios da carne em longo prazo, Joshi conta uma história hipotética em que alguém é mantido preso dentro de uma loja de doces, sem possibilidade de fuga. Nesse caso, a pessoa seria obrigada a aceitar suas reduzidas opções para sobreviver.

“Se a sua sobrevivência dependesse disso, e assumindo que não havia mais nada para comer, você comeria doces, apesar de todo o açúcar que pode aumentar o risco de diabetes. Qualquer um sacrificaria sua saúde em longo prazo para sobreviver em um cenário desse tipo”, pondera.

O ser humano foi obrigado a se adaptar à sua realidade, levando em conta mudanças nos padrões climáticos e biomas, especialmente quando deixou a África, observa Shivam Joshi. “Fontes de alimentos teriam mudado e forçado os homininos a comer o que encontravam pela frente. Em algumas situações, teria sido carne. Em outras, grãos ou tubérculos. Claro, nossos ancestrais não tinham ideia de quais efeitos essa alimentação teria em longo prazo”, frisa.

A única necessidade humana da época era a sobrevivência; fazer o que está ao seu alcance para evitar a fome – o que poderia se tornar um grande problema dependendo do surgimento de doenças, exploração indiscriminada de uma área e até mesmo mudança de clima.

“Encontrar alimentos não era fácil como agora. Se eles tivessem encontrado doces na savana, teriam consumido também. A falta de dependência de qualquer comida específica é provavelmente a razão pela qual não há adaptações específicas a nenhum desses alimentos, incluindo a carne”, pontua o pesquisador, lembrando que os seres humanos vêm de uma linhagem de 40 milhões de anos.

De acordo com Joshi, quando comparamos o nosso trato digestivo com o dos chimpanzés, encontramos similaridades que jamais teremos com animais naturalmente carnívoros, como tigres. A morfologia dental e intestinal dos seres humanos assemelha-se mais a dos primatas do que dos grandes felinos, o que é uma razão pela qual o médico crê que o consumo de carne pode não fazer bem aos seres humanos.

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“Os seres humanos têm herbívoros como ancestrais” (Foto: Arquivo Pessoal)

Uma questão preocupante hoje em dia, de acordo com Shivam Joshi, é que muitas dietas que preconizam o consumo de carne o colocam como uma tábua de salvação para pessoas que já sofrem de problemas de saúde ou buscam resultados estéticos. “Se um organismo faz algo fora do comum, podemos encontrar consequências perigosas desse comportamento, comenta.

Em suas pesquisas que farão parte do seu livro que ainda não tem um título definido, ele diz que vai apresentar provas de que 50 gramas de carne, que equivale à metade do tamanho de um baralho, é o suficiente para aumentar o risco de desenvolver câncer. Ele ressalta que se olharmos para a evolução humana como um todo, podemos perceber que nossa linhagem não apenas sobreviveu, mas prosperou com uma alimentação baseada principalmente em vegetais.

“A dieta vegetariana reduz o risco de diabetes, pressão alta, doenças cardíacas e obesidade – produzindo resultados que são o oposto do que vemos com a carne”, defende.

Referências

http://www.huffingtonpost.com/entry/evolved-to-eat-meat-maybe-not_us_58bc7e4be4b02eac8876d020

Written by David Arioch

março 15, 2017 at 3:47 pm

Joaquin Phoenix: “Quando somos tocados pelo sofrimento dos animais, aquele sentimento fala bem de nós”

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“Os animais passavam de uma criatura viva e vibrante, lutando pela vida, para uma morte violenta”

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Joaquin Phoenix é vegano desde os três anos (Foto: Getty Images/David Buchan)

O ator Joaquin Phoenix, indicado três vezes ao Oscar, e também muito conhecido como o narrador de um dos documentários mais controversos sobre a exploração animal – Earthlings (Terráqueos), tinha três anos quando se tornou vegano. Em entrevista publicada pela Cover Media em 28 de novembro de 2013, o ator contou que ele e sua família saíram para pescar quando ouviram um peixe se contorcendo e se chocando contra o barco.

“Isso era o que fazíamos para comê-los. Os animais passavam de uma criatura viva e vibrante, lutando pela vida, para uma morte violenta. Reconheci isso, assim como meus irmãos”, relatou em entrevista publicada pela Animal Liberation Front em 14 de novembro de 2006.

Naquele dia, Joaquin e seus irmãos disseram aos seus pais que nunca mais comeriam carne novamente, e foi o que fizeram. “Por que você não disse de onde veio a carne?”, questionou sua mãe à época. Sem saber o que dizer, ela começou a chorar. Com o passar do tempo, ele percebeu que muita gente achava que veganos eram pessoas que praticavam rituais bizarros e que tinham que seguir algumas regras e estilo de se vestir – como se fossem parte de uma seita.

Apesar da incompreensão das pessoas no passado, os direitos animais se tornaram parte de sua vida cotidiana, porque, segundo ele, quando você vive pelo exemplo, naturalmente se cria um certo nível de consciência. Prova disso é que até mesmo amigos com quem ele nunca discutiu sobre vegetarianismo acabaram por adotar uma dieta livre da exploração animal.

“Meu estilo de vida é parte de quem sou e, portanto, algo a se considerar em meu trabalho. Sempre discuto isso com os produtores, e eles são muito complacentes. Há tantas opções livres de crueldade. As pessoas seriam tolas de não aproveitar isso. Também é fácil trabalhar com computadores e animatronics em vez de animais, e isso faz a diferença também. A tecnologia nos permitiu recriar animais – como os tigres em ‘Gladiador’ [filme em que ele interpreta o vilão Cômodo]”, relatou à ALF.

Joaquin Phoenix se recordou que na metade da década de 1990 era estranho ser praticamente o único ator a contestar o uso de peles e a pedir alimentos veganos. “Hoje é diferente. Em todos os lugares onde vou, encontro bons pratos vegetarianos”, comemorou. Entre os seus alimentos preferidos estão tofu e tabule. Ele nunca se interessou em consumir imitações de carne. Também disse que durante muito tempo usou apenas tênis Converse All-Star Canvas porque era difícil encontrar calçados veganos. “Agora parece que a maioria dos sapatos são sintéticos”, comentou à Animal Liberation Front.

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Phoenix em campanha contra o uso de lã (Arte: Peta)

Em outra entrevista, publicada em 13 de novembro de 2014 na Playboy, Phoenix contou não é preciso mais pedir comida vegetariana nos sets de filmagem, porque isso já se tornou comum em praticamente todos os grandes estúdios. “Posso fazer um sanduíche, uma salada e macarrão, mas não sou um bom cozinheiro”, admitiu.

Em 2016, ele foi um dos grandes apoiadores da campanha Be Fair, Be Vegan (Seja Justo, Seja Vegano) e, explicou que a iniciativa teve como objetivo a conscientização sobre nossas atitudes especistas em relação aos animais, estimulando as pessoas a verem que nossas semelhanças com os animais não humanos são muito mais profundas do que julgamos. “Agora, mais do que nunca, o mundo precisa dessa mensagem”, enfatizou em declaração publicada em diversos veículos de comunicação dos Estados Unidos.

Entre as muitas campanhas que tiveram a participação voluntária do ator hollywoodiano, uma das mais recentes e que teve boa repercussão é “Joaquin Phoenix is drowning”, da organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta). No vídeo, ele aparece sob a água, e o espectador pode perceber o pânico e o terror em seus olhos –  o que representa a forma como os peixes se sentem antes de morrer. Além disso, a intenção é alertar sobre a morte de mais de um trilhão de peixes por ano, consequência da pesca indiscriminada, que além de gerar sofrimento aos animais, tem causado impactos ambientais.

“Os animais exóticos são em sua maioria desconhecidos por nós, assim como o seu sofrimento antes de serem transformados em cintos e bolsas. Todos os anos, milhões de répteis são abatidos para que bolsas, cintos e calçados sejam feitos de suas peles. O bem-estar dos animais não é uma preocupação para aqueles que caçam e comercializam suas peles”, criticou na campanha “Skin Horrors”, da Peta, lançada em 2013. No curta, ele pede que as celebridades parem de usar peles de animais, principalmente de jacarés, lagartos e cobras.

Joaquin Phoenix estrelou outra campanha da Peta no final de 2016, depois de assistir filmagens que mostram a realidade das ovelhas nas fazendas de produção de lã. No vídeo, ele alerta sobre o fato de que não existe uma forma humana de extrair lã. “A única opção é não usar lã”, ponderou.

O curta foi estrategicamente lançado após a denúncia de que trabalhadores da indústria de lã australiana estavam dando socos e chutes em ovelhas, além de feri-las com cortadores elétricos. O que também é apontado como agravante dessa violência é o fato de que os trabalhadores desse ramo recebem por volume de corte, não por hora de serviço.

Na campanha intitulada “Walmart Cruelty”, Joaquin Phoenix aparece em um vídeo mostrando a origem da carne de porco comercializada pela rede Walmart. “Porcas grávidas são confinadas em caixas imundas de metal, são pouco maiores do que seus próprios corpos, e cada momento é como o inferno na Terra”, lamentou.

Em 2005, o diretor Shaun Monson conseguiu convencer Phoenix a narrar o documentário Earthlings porque, segundo ele, o ator era a pessoa ideal para a função. “Nós chegamos como senhores da terra, com estranhos poderes de terror e misericórdia. O ser humano devia amar os animais como o experiente ama o inocente, e como o forte ama o vulnerável. E quando somos tocados pelo sofrimento dos animais, aquele sentimento fala bem de nós, mesmo se o ignoramos. E aqueles que dispensam o amor pelas outras criaturas, como o puro sentimentalismo, ignoram uma parte importante e boa da humanidade. Mas nenhum humano vai perder nada ao ser gentil com um animal. E, na verdade, faz parte de nosso propósito dar-lhes uma vida feliz e longa”, narra Joaquin Phoenix no final de Earthlings.

Saiba Mais

Nascido em San Juan, Porto Rico, em 28 de outubro de 1974, Joaquin Phoenix é irmão dos atores River Phoenix (falecido em 1993), Rain Phoenix, Summer Phoenix e Liberty Phoenix.

Referências

https://sg.news.yahoo.com/joaquin-phoenix-recalls-vegan-choice-003000101.html

http://www.animalliberationfront.com/Saints/Interviews/JoaquinPhoenix.htm

http://www.playboy.com/articles/playboy-interview-joaquin-phoenix

http://www.alternet.org/food/be-fair-be-vegan-most-ambitious-animal-justice-campaign-ever-launched-new-york

http://www.peta.org.uk/blog/watch-joaquin-phoenix-reacts-petas-wool-expose/

http://features.peta.org/joaquin-phoenix-is-drowning/

Written by David Arioch

março 14, 2017 at 9:00 pm

Pesquisa aponta que alimentação vegetariana pode ser mais saudável para os cães

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Cães suscetíveis a problemas de pele e gastrointestinais apresentaram os resultados mais surpreendentes

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Se as pessoas podem se beneficiar com uma dieta vegetariana, por que não estender isso aos cães? Pensando nisso, a companhia canadense Dogg Canine Nutrition concluiu uma série de experiências com alimentação canina baseada em comida fresca e vegetariana. Para avaliar os benefícios da dieta, foram selecionados aleatoriamente 20 cães. Todos eles reagiram muito bem à nova alimentação servida ao longo de 12 semanas. Ou seja, não houve qualquer resistência.

Além da dieta atender todas as necessidades nutricionais dos animais, a equipe que realizou a pesquisa concluiu que os cães se tornaram mais saudáveis. A diferença foi percebida porque antes alguns deles já apresentavam problemas de saúde enquanto seguiam uma dieta onívora. Porém, por enquanto a companhia canadense prefere não fazer nenhum alarde sobre o assunto, resguardando o direito de apresentar todos os resultados ao final do programa.

No entanto, a primeira série de experiências já deixou claro que cães aparentam ter predisposição a se darem tão bem com a alimentação vegetariana quanto os seres humanos. “Estamos muito confiantes em nossa primeira formulação [que possui acompanhamento e certificação de um grupo de nutricionistas veterinários] devido aos primeiros resultados. Não há dúvida de que a dieta vegetariana é positiva para os cães”, declarou a fundadora da Dogg, Laura Simonson, ao Vegan News.

Cães que sofrem de hipersensibilidade, e que são mais suscetíveis a problemas de pele e gastrointestinais apresentaram os resultados mais surpreendentes, de acordo com o supervisor veterinário Gavin Myers. “Isso significa uma grande melhoria em muitos casos que vemos todos os dias. Portanto, ter uma ferramenta extra à nossa disposição para ajudar os animais é muito bem-vinda”, enfatizou Myers.c443ec_27029313fe344e1ea763cb2a45c0fc8a-mv2

Por outro lado, o resultado não surpreendeu todo mundo, isto porque cães também sofrem com doenças comuns aos seres humanos, e muitas são prevenidas e mesmo tratadas com a dieta vegetariana. Então a melhora no quadro de saúde dos caninos serve para reforçar o fato de que a dieta vegetariana também pode assegurar um futuro melhor para os cães, garantindo mais qualidade de vida e, quem sabe, maior expectativa de vida.

Depois que a Dogg Canine Nutrition concluir toda a pesquisa realizada com alimentação vegetariana para cães, eles vão publicar os resultados, a lista de ingredientes e todos os detalhes de preparação. Por enquanto, Laura Simonson sugere que quem quiser experimentar oferecer alimentação vegetariana aos caninos, pode obter informações no site balanceit.com, que oferece sugestões de refeições caseiras e vegetarianas para animais.

Você pode obter mais informações sobre o programa da Dogg Canine Nutrition no link abaixo:

http://www.joindogg.com/single-post/2016/08/29/Meet-Two-of-our-Feeding-Trial-Dogg-Stars

Referências

http://latestvegannews.com/new-research-suggests-dogs-can-thrive-plant-based-diet/

http://www.joindogg.com/

Written by David Arioch

março 14, 2017 at 5:36 pm

Guatemala proíbe testes em animais e aprova leis que criminalizam outros abusos

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Considerada uma conquista histórica, a lei promete melhorar a vida dos animais no país

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Teste em animais passa a ser considerado crueldade contra animais (Foto: Arzte Gegen Tieversuche)

Na semana passada, o Congresso da Guatemala aprovou um pacote de leis proibindo uma série de abusos contra animais. Por enquanto, uma das mais importantes foi a proibição da realização de testes em animais na indústria cosmética. Considerada uma conquista histórica, a lei promete melhorar a vida dos animais no país.

Além de evitar que animais sejam usados pela indústria cosmética, também passa a ser considerado crime qualquer abuso contra animais selvagens e animais de companhia, incluindo uso de animais em circos e lutas de cães. Sobre essa conquista, a CEO da Cruelty Free International, Michelle Thew, disse que conforme países como a Guatemala caminham em direção ao futuro há um ímpeto maior em torno de uma adesão global.

“A única maneira de garantir que nenhum animal sofra nessa indústria é por meio da proibição global, proibindo em todos os lugares. O próximo passo é que a ONU tome uma iniciativa decisiva e adote uma convenção internacional que ajude a acabar com esses testes antiquados e cruéis para sempre”, declarou. A Cruely Free International é uma organização que já ajudou mais de 30 países a proibirem testes em animas.

O novo conjunto de leis aprovado pelo Congresso da Guatemala contou com consultoria da Humane Society International (HSI), que tem experiência em legislação voltada à proteção de animais. “A lei enfraquece quem pratica crueldade contra os animais, estabelecendo multas e exigindo que o governo lide com os casos de abuso”, declarou a gerente global de campo da HSI, Cynthia Dent, no site da organização.

A nova legislação também prevê a esterilização e castração de animais, assim diminuindo principalmente a população de cães abandonados. O abandono de animais também passa a ser considerado crime, assim como a caça de animais selvagens.

“A lei cria uma plataforma oficial de governo para tratar do bem-estar animal”, informou o presidente da Humane Society, Wayne Pacelle.  A HSI, que continua prestando consultoria ao governo guatemalteco, já ajudou o estado do Pará a banir o teste em animais. No Brasil, a organização também trabalha com programas de eliminação de práticas de confinamento intensivo de animais de produção e com a campanha “Segunda Sem Carne”.

Ajuda

Participe da campanha da Cruelty Free International para banir mundialmente o teste em animais na indústria cosmética:

https://e-activist.com/page/6541/data/1?ea.tracking.id=web

Referências

https://www.crueltyfreeinternational.org/guatemalan-congress-approves-animal-testing-ban

http://blog.humanesociety.org/wayne/2017/02/guatemala-passes-omnibus-anti-cruelty-law-striking-blow-against-wide-range-of-practices.html?credit=blog_post_030317_idhome-page

Relatório denuncia Burger King como comprador de ração animal produzida em áreas desmatadas da Amazônia

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p0nF8Bj8Relatório divulgado recentemente pelo grupo ambiental Mighty Earth (ME), dos Estados Unidos, denuncia que a cadeia de fast food Burger King compra importante parcela da ração animal produzida em áreas desmatadas da floresta amazônica.

O objetivo da Mighty Earth ao denunciar o Burger King é garantir transparência na atuação das grandes corporações que estão envolvidas em ações que prejudiquem o meio ambiente. Por isso, eles usaram tecnologia de mapeamento por satélite, entrevistaram agricultores e visitaram 28 fazendas ao longo de três mil quilômetros de áreas que pertencem ao Brasil e à Bolívia.

Um dos grupos apontados pela ME como um dos grandes financiadores do desmatamento na Amazônia é a multinacional Cargill, sediada em Minnesota, nos Estados Unidos, e uma das principais fornecedoras do Burger King. “Burger King não é a única empresa cuja falha de políticas e práticas estão causando grandes problemas ambientais. Tanto a indústria de fast food quanto de vendedores de carne, como supermercados, obtêm suas matérias-primas de muitas fontes questionáveis”, alega a Mighty Earth, acrescentando que o ponto mais crítico da situação é que o Burger King se recusa a mudar suas práticas.

A destruição da floresta amazônica tem forçado a migração de populações locais, queima de áreas nativas e destruição de aproximadamente 200 milhões de hectares de florestas naturais e pastagens, o que equivale a 15 vezes o tamanho da Inglaterra, segundo informações obtidas por Anna Starostinetskaya, da Veg News.

“Hambúrgueres e batatas-fritas não valem a destruição das florestas tropicais”, informa o relatório. De acordo com Anna Starostinetskaya, embora a organização ambiental tenha feito um bem em denunciar o problema, não foi tão feliz na sugestão para resolvê-lo:

“Eles identificaram uma solução equivocada, que seria cultivar mais soja e gado em menos terra, uma prática que resulta em operações concentradas de alimentação animal nos moldes das fazendas industriais, o que, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação [FAO] ,já provou ser algo nocivo para o ambiente, bem-estar animal e saúde humana”.

Referências

http://vegnews.com/articles/page.do?pageId=9121&catId=1

http://www.mightyearth.org/mysterymeat/

Written by David Arioch

março 14, 2017 at 1:17 pm