David Arioch – Jornalismo Cultural

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Archive for the ‘Curiosidades’ Category

A banana e a longevidade

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bananaHá alguns anos, creio que em 2007, entrevistando uma senhora bem velhinha, com seus 112 anos, perguntei a ela qual era o segredo da longevidade. Ela disse: “Banana, é o único alimento que nunca deixo de comer.” Depois balançou as pernas e deu uma volta em torno da poltrona onde eu estava sentado e emendou: “Só consigo fazer isso porque como banana todo dia, fi.”

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março 17, 2017 at 1:41 am

Publicado em Autoral, Curiosidades

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Russos, ucranianos e beterrabas

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beterraba-0Por que russos e ucranianos gostam tanto de beterraba e a incorporaram em tantas receitas? Por um fator culturalmente histórico – as beterrabas sobrevivem às geadas, e durante diversos períodos de crise ao longo de centenas de anos os salvaram da fome.

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março 14, 2017 at 11:35 am

Publicado em Curiosidades

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O riso das crianças

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Saí para correr há pouco, e depois de cinco quilômetros encontrei um Monza parado no meio da rua. Então ajudei um senhor a empurrá-lo por pouco mais de um quilômetro. Nesse ínterim, duas crianças, provavelmente suas filhas, brincavam que também empurravam o veículo enquanto me olhavam, se entreolhavam e gargalhavam com bonomia. Não sei se riam da minha barba ou de algum outro aspecto da minha aparência. Sem saber o motivo, ou mesmo me importar com isso, comecei a rir também, porque sei que esse tipo de espontaneidade é uma das joias da infância.

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fevereiro 26, 2017 at 10:27 pm

Jorge Luis Borges: “Comecei a perder a vista desde o momento em que comecei a enxergar”

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Borges: “Uma das primeiras cores que se perde é o negro” (Foto: Reprodução)

Em 1985, durante o programa Conexão Internacional, da TV Manchete, Roberto D’Ávila questionou o escritor argentino Jorge Luis Borges sobre a sua experiência com a cegueira. Então ele respondeu o seguinte:

“Uma das primeiras cores que se perde é o negro. Perde-se a escuridão e o vermelho também. Vivo no centro de uma indefinida neblina luminosa. Mas não estou nunca na escuridão. Neste momento esta neblina não sei se é azulada, acinzentada ou rosada, mas luminosa.

Tive que me acostumar com isto. Fecho os olhos e estou rodeado de luz, mas sem formas. Vejo luzes. Por exemplo, naquela direção, onde está a janela, há uma luz, vejo minha mão. Vejo movimento, mas não coisas. Não vejo rostos e letras. É incômodo mas, sendo gradual, não é trágico. A cegueira brusca deve ser terrível. Mas se pouco a pouco as coisas se distanciam, esmaecem.

No meu caso, comecei a perder a vista desde o momento em que comecei a enxergar. Tem sido um processo de toda minha vida. Mas a partir dos 55 anos, não pude mais ler. Passei a ditar. Se tivesse dinheiro, teria uma secretária, mas é muito caro. Não posso pagar.”

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janeiro 28, 2017 at 8:37 pm

A morte da bezerra, uma expressão equivocada

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“A Morte da Bezerra” é uma história triste que faz parte das tradições hebraicas (Arte: Wits End)

Tenho pesquisado sobre expressões equivocadas envolvendo animais, e que há muito tempo fazem parte do ideário popular. Creio que muita gente já ouviu alguém perguntar para uma pessoa distraída se ela está “pensando na morte da bezerra”. Desde a minha infância, sempre ouvi tal questionamento em tom de deboche, sátira.

Ou seja, fala-se nisso quando se quer brincar ou fazer piada com quem não está prestando atenção. Porém a história de origem hebraica que originou a expressão não tem nada de engraçada, embora o uso tenha se popularizado com esse viés.

Conta-se que o filho caçula do Rei Absalão era muito afeiçoado a uma pequena bezerra, e não queria que ela fosse sacrificada. Contrariando o desejo do filho, o rei a sacrificou e a ofereceu a Deus.

A partir daquele dia, o menino nunca mais deixou de pensar na morte da bezerra, amargando tristeza por toda a sua vida. Também há versões em que o garoto faleceu ao contrair uma doença agravada pelo seu profundo estado de infelicidade.

Written by David Arioch

janeiro 13, 2017 at 7:07 pm

Arcade Fire e Orfeu Negro

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O vídeo da música “Afterlife”, da banda canadense Arcade Fire, que exibe cenas do filme “Orfeu Negro”, do cineasta francês Marcel Camus, é uma boa combinação. Ouvi Arcade Fire pela primeira vez por causa desse clipe. Orfeu Negro é um filme baseado na peça de Vinicius de Moraes, que venceu o Festival de Cannes de 1959. Inspirada no realismo poético, a obra conta uma trágica história de amor. Excetuando os clichês, é uma obra bela e inesquecível.

E a música do Arcade Fire tem tudo a ver com o filme, com o dilema do pós-vida, quando Orfeu não aceita a perda do seu grande amor e recorre a uma sessão espírita para tentar reencontrar sua amada. E o mais intrigante é que Jerry Zucker fez algo parecido décadas depois em “Ghost – Do Outro Lado da Vida”, com Patrick Swayze e Demi Moore. “Quando o amor acaba, para onde ele vai?”, é um dos questionamentos da música do Arcade Fire e que parece reproduzir a indagação que aflige Orfeu no filme.

Written by David Arioch

janeiro 3, 2017 at 12:37 am

A poesia existencial de uma senhora de 84 anos

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Hoje, assisti um pequeno vídeo sobre uma senhora de 84 anos que nunca saiu do vilarejo onde nasceu. Ela transmite alegria, o que pode ser transitória ou não, satisfação e simplicidade, mas mais do que isso – equilíbrio, lucidez e harmonia.

Acredito que ela ama a vida porque encontrou a si mesma há muito tempo, e desde então não se deixou se perder. Achei bonito e poético, porque há tantas pessoas perdidas, que incessantemente buscam a si mesmas em lugares longínquos, num esforço sobressaltado para encontrar o que reside dentro delas.

Written by David Arioch

dezembro 29, 2016 at 11:51 pm