David Arioch – Jornalismo Cultural

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Archive for the ‘Autoral’ Category

A banana e a longevidade

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bananaHá alguns anos, creio que em 2007, entrevistando uma senhora bem velhinha, com seus 112 anos, perguntei a ela qual era o segredo da longevidade. Ela disse: “Banana, é o único alimento que nunca deixo de comer.” Depois balançou as pernas e deu uma volta em torno da poltrona onde eu estava sentado e emendou: “Só consigo fazer isso porque como banana todo dia, fi.”

Written by David Arioch

março 17, 2017 at 1:41 am

Publicado em Autoral, Curiosidades

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Um bom pedido

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Ontem, quando eu estava saindo de casa, um garoto, morador da Vila Alta, na periferia de Paranavaí, gritou meu nome e veio correndo em minha direção. Ele estava fazendo um “bico”, ajudando outro rapaz em um frete.

Nos cumprimentamos, e ele me disse que ainda não foi para a escola desde que as aulas começaram porque não tem nem caderno, e perguntou se eu não poderia conseguir pra ele os materiais exigidos pela escola.

Respondi que sim, que posso dar um jeito, e pedi para ele deixar a lista na Oficina do Tio Lu que passo lá no sábado para buscar. Esse garoto não tem estrutura familiar, foi abandonado pelos pais, testemunhou o assassinato do avô em um bar no ano passado e ainda convive com um tio que é viciado em crack.

Apesar de tudo, tenta se afastar dessa realidade, pedindo apenas uma porção de materiais escolares. Tem gente que mesmo diante das piores adversidades ainda sonha ou luta pelo menos para sobreviver, desde que alguém dê alguma oportunidade ou acredite neles.

Written by David Arioch

março 3, 2017 at 11:48 pm

Publicado em Autoral

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Breve reflexão sobre a exploração

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Arte: Joker Syndicate

Mesmo analisando superficialmente a vida e o mundo, não é difícil perceber que quase tudo envolve algum tipo de exploração. E se comento sobre isso com as pessoas, muitos dirão que “a vida é assim e que devemos aceitar isso”. Não vejo como pode ser saudável ou justo aceitar tantas mazelas usando o pretexto de que são coisas que estão fora do nosso controle.

A impressão que esse tipo de raciocínio me transmite é que para “vivermos bem”, na concepção de muita gente, devemos ignorar as desgraças do mundo e nos limitarmos a nós mesmos. Ou seja, devemos ser individualistas, buscarmos o melhor somente para nós, e fecharmos os olhos para a realidade, cultivando uma ilusão que nada mais é do que um microcosmo da nossa própria ignorância.

Written by David Arioch

março 1, 2017 at 11:51 pm

Um resgate incidental

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17021465_1354973091260749_1752600405138776377_nSaí para correr, e na volta, perto do posto da polícia rodoviária federal, ouvi um gatinho miando, correndo atrás de mim. Parei, ele ficou me olhando e continuei, então ele veio atrás. Peguei ele e voltei correndo. E as pessoas olhando um barbudo musculoso correndo com um gatinho miando e cheirando à manga. Provavelmente foi jogado num descampado.

Written by David Arioch

março 1, 2017 at 11:39 pm

Publicado em Autoral

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Eraldo, um bom exemplo

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Por volta das 14h, na saída de Maringá, passei no Catuaí e decidi comer alguma coisa no restaurante Jin Jin Wok. Peguei um prato e percebi que havia poucas opções para quem é vegetariano ou vegano. Muitos dos alimentos deles que não têm carne, normalmente têm ovo ou algum derivado lácteo.

Então peguei os únicos alimentos vegetarianos disponíveis e fui até o outro lado ver o que eles tinham preparado de sushi. Olhando atentamente, notei que não havia nada para mim. Então perguntei ao sushiman se eles não tinham nenhum sushi sem ingredientes de origem animal.

Ele me mostrou um sushi com pepino, mas avisou que não estava tão fresco, e sugeriu que eu esperasse porque ele iria preparar algo. No mesmo instante, pediu a uma mulher que estava no caixa para não cobrar pelo sushi, justificando que não havia nada para mim entre as opções prontas.

Assim que pesei meu prato e paguei a conta, caminhei até o sushiman e ele pediu que eu posicionasse meu prato em sua direção. Me entregou oito unidades de sushi de três variedades e perguntou se eu queria mais. Agradeci, mas expliquei que era o suficiente.

Depois de comer, o agradeci mais uma vez pela gentileza. Então eu soube que seu nome é Eraldo. Está aí um exemplo de bom profissional e ser humano.

Written by David Arioch

fevereiro 18, 2017 at 9:02 pm

Uma declaração de amor

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Sim, sua suavidade incorporava a própria graça da existência

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É sempre difícil se declarar assim para alguém, mas não tenho vergonha de admitir o que sinto por você. Me apaixonei desde a primeira vez que a vi. Foi subitâneo, instantâneo. Ninguém esperava. Você ainda tinha cabelos bem curtos de azeviche. Era reservada e não conseguia velar a timidez. Mas eu pensava em você a maior parte do tempo. A primeira vez que dormimos juntos e a senti acariciando meu rosto e minha boca foi inacreditável, ilimitável. Claro, mesmo com um pouquinho de aspereza de sua parte.

Com o tempo, você se fez cada vez mais presente, e permitiu que nos tornássemos um. Quantas vezes depois de quase um ano amanheci a sentindo em minha boca, percorrendo meus lábios, massageando meu peito? Você fazia tudo no silêncio das sensações; sem falar nada, simplesmente se insinuando como se sua existência se pautasse somente na frugalidade do momento.

Realmente, mergulhamos na mais figadal das experiências insólitas. Você sempre gostou de brincar com minhas reações. Não nego que tive pesadelos em que amarguei o irreal desespero de sua partida. Sim, eu acordava com o rosto úmido, os olhos marejados, receoso em ter de aceitar a famigerada despedida, que por bem jamais aconteceu. Para me animar, você se achegava, se movia de maneira ímpar, extraordinária, como se acompanhasse a aragem serena que invadia a janela de meu quarto.

Você se lembra quando eu confundia sua leveza com o próprio vento nas noites mais frescas? Sim, sua suavidade incorporava a própria graça da existência. Você sempre me fez feliz, um sonhador nesses quase 14 meses em que estamos juntos. Saiba que às vezes ainda fico enciumado quando olham demais para você nas ruas, mas aprendi a aceitar que o seu brilho é independente, único, resplandecente; e que devo tão e somente orgulhar-me de ti.

Sei que sua ternura subsiste em mim depois de compartilhamos tantos momentos inimagináveis. E nada é capaz de abalar isso, nem as manhãs em que você amanhece arredia e indisposta, sem querer ver ninguém. Mas todo bom relacionamento funciona assim, na compreensão do silêncio, no olhar sem ciceronear, na partilha do que deve ser partilhado e no respeito do que deve ser ignorado. Muito obrigado por tudo, Minha Barba.

Written by David Arioch

fevereiro 17, 2017 at 11:13 pm

Publicado em Autoral, Crônicas/Chronicles

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O teste ergométrico

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Como faço todos os anos, fui até a clínica cardiológica fazer o teste ergométrico, e quando terminei ainda tinha pique para ir um pouco além. O técnico me disse que de centenas de pessoas que passam pela clínica anualmente, não mais do que dez conseguem chegar até o final do teste ergométrico. Recebi vários parabéns da equipe da clínica. E há outro ponto a se considerar, o fato de que sou vegano. Enquanto muitos usam a desculpa de que é impossível garantir força, resistência e massa muscular sem carne, laticínios e ovos, eu continuo rendendo muito bem nas atividades físicas; e simplesmente porque eu quero e me empenho para isso.

Written by David Arioch

janeiro 28, 2017 at 8:24 pm