Snapcase: “Eu nunca iria matar um animal e comê-lo. Então por que eu iria simplesmente comprá-lo?”
Taberski: “Isso não faz diferença só porque alguém matou e realizou todo o processo”

O Snapcase foi fundado em 1991 (Acervo: Modern Fix)
Uma das bandas mais importantes do cenário de hardcore punk do estado de Nova York, a banda Snapcase, fundada em Buffalo em 1991, surgiu por iniciativa de três amigos; um deles é o vocalista Daryl Taberski, que é vegano e único integrante da formação original que ainda continua no grupo. Embora o Snapcase não tenha o veganismo como temática primária em suas músicas, algumas de suas composições vão por esse caminho, mesmo que não de forma tão direta. Um exemplo é a música “Guilty By Ignorance”, do álbum “Progression Through Unlearning”, de 1997.
Na letra, Taberski fala sobre como somos culpados pela nossa própria ignorância quando temos condições de melhorar o mundo em que vivemos, mas optamos por dar dinheiro a empresas que matam sem demonstrar qualquer remorso, porque visam simplesmente os lucros. “E você não se importa de saber que sua vida rouba vidas. Então dê uma olhada em sua consciência vazia, porque ignorância não é inocência. Você se tornou, você se tornou o inimigo daqueles que são vítimas da ganância”, grita o vocalista em um trecho de “Guilty By Ignorance”.
Em “Box Seat”, do álbum “Designs for Automotion”, o Taberski fala sobre a cultura de consumo e como nos diluímos nesse meio, ignorando inclusive quem somos. “Não nos venda uma imagem perfeita. Nós vamos lutar para nos encontrarmos. Queremos o desafio impopular, queremos testar o nosso intelecto, teste nosso intelecto. Estamos programados, condicionados. Sem sentido, emoções sem sentido. Perdemos nosso desejo de pensar sozinhos, de pensar sozinhos, de pensar sozinhos…”, berra em “Typecast Modulator”, do disco “Designs for Automotion”, de 2000.

Taberski: “Para mim, [ser vegano] é ir ao fundo das coisas” (Acervo: Art Voice)
Taberski declarou que hoje em dia as pessoas estão mais conscientes sobre o que é o veganismo, ao contrário de anos atrás quando um vegano era facilmente considerado uma “aberração”. ‘As pessoas perguntavam: ‘Vegano? O que é isso?’”, exemplificou. O músico também reconheceu que tem se tornado cada vez mais fácil encontrar comida sem ingredientes de origem animal. “Até mesmo os grandes supermercados de Buffalo, onde vivemos, dedicam uma sessão inteira à comida vegetariana e vegana”, disse em entrevista ao Enzk Punk and Hardcore Fanzine.
De 1994 a 2003, o Snapcase, que hoje tem Daryl Taberski como único membro fundador, lançou os álbuns “Lookinglasself”, “Progression Through Unlearning”, “Designs for Automotion”, “End Transmission” e “Bright Flashes”.
Saiba Mais
Originalmente, Daryl Taberski era baixista do Snapcase. O posto de vocalista era ocupado por Chris Galas.
Os discos “Designs for Automotion” e “Progression Through Unlearning” são apontados como as maiores contribuições da banda ao hardcore punk.
Referências
http://www.modernfix.com/interviews-2/feature-4/
http://www.angelfire.com/wi/enzk/snapcase.html
Mayim Bialik: “Toda vez que um animal é mantido cativo para dar origem a um produto, ele sofre”
“Meu profundo amor e respeito pelos animais começou a ter grande peso em minhas decisões”

Mayim Bialik em campanha da Cruelty Free Internacional, contra testes em animais (Foto: CFI)
A atriz e neurocientista estadunidense Mayim Bialik, que conquistou fama com seus singulares personagens em séries como “Blossom” e “The Big Bang Theory”, se tornou vegetariana aos 19 anos e mais tarde aderiu ao veganismo. Em entrevista ao Vegetarian Times, ela contou que começou a sentir aversão ao gosto de carne e simplesmente parou de comer.
“Então meu profundo amor e respeito pelos animais começou a ter grande peso em minhas decisões. Eu tinha uma sensação inata de querer ser vegana, mas eu precisava de mais informações. A mudança foi gradual, o que me permitiu pensar em cada passo”, explicou.
A transição aconteceu em 1994, e mesmo ainda consumindo ovos e laticínios, ela percebeu como as pessoas consideravam estranho alguém se alimentar dessa forma em um país como os Estados Unidos, onde a dieta padrão já elevava a carne a alimento essencial.
“Minha mãe ficou irritada porque ela teve que se adaptar aos meus ‘estranhos hábitos’. Meu pai pensava que isso significava consumir apenas nozes, e eu não conhecia restaurantes vegetarianos. Naqueles dias, eu comia muita salada, batata-frita e macarrão”, relatou no artigo “Yes, there is a jewish connection to my veganism”, publicado no Kveller em 14 de outubro de 2015.
Por outro lado, ela reconheceu que sua mãe era uma mulher bastante progressista em seu tempo, e costumava preparar misturas crudívoras. Por isso, diferentemente de um lar comum ao padrão estadunidense, com cereais açucarados, ela se recorda que consumia rotineiramente alimentos naturais na infância. “Fui criada com muito disso, mas nunca apreciei, até que me tornei uma mãe”, disse ao Vegetarian Times.
Ela contou que com 19 anos não queria comer animais de modo algum, e chegou a se desesperar na busca por um meio de não fazer isso. Com o tempo, ganhou uma compreensão mais ampla de outros aspectos do veganismo. “Depois de cortar a maioria dos laticínios na faculdade, minha saúde melhorou significativamente. Não tive mais alergias sazonais. Não tive que tomar mais antibióticos nem tive mais crises por causa da sinusite”, admitiu em entrevista a Esther Sung, do Epicurious, em 30 de janeiro de 2017.
Quando o primeiro filho da atriz nasceu, ela ainda consumia alguns alimentos com ingredientes de origem animal. Porém, percebeu durante a amamentação que seu filho não tolerava o seu leite, o que significava que Mayim Bialik tinha algum tipo de intolerância. “Continuei evoluindo. Li ‘Comer Animais’, de Jonathan Safran Foer e, depois disso, cortei todos os ovos e laticínios, e resolvi o problema. Sou vegana por questões ambientais, nutricionais, de saúde e ética. É incrivelmente gratificante”, declarou a Esther.
Também foi com o livro de Foer que Mayim, que já participou de campanhas da Peta e da Cruelty Free International, começou a refletir com mais profundidade sobre a criação de animais para consumo humano e também sobre o impacto que isso causa ao meio ambiente. “Isso leva à destruição de terras e recursos sobre os quais estamos começando a ouvir cada vez mais. Tenho aprendido por meio de pesquisas sobre a forma como os animais são sistematicamente tratados e maltratados em fazendas, mesmo aquelas que dizem ser livres de crueldade, em que os animais são criados livremente. Não posso continuar participando disso”, ponderou no artigo “Yes, there is a jewish connection to my veganism”.

Em 2016, ela ficou chocada ao testemunhar uma reação anti-vegana em uma publicação sobre soldados israelenses terem conquistado o direito de pedir botas sem couro, boinas sem lã e refeições veganas: “Eu estava preparada para ouvir muitos comentários contra Israel, mas os comentários que vi eram simplesmente anti-veganos. Muitos diziam ‘este fanatismo liberal está fora de controle’ e ‘Por que estamos atendendo a um bando de aberrações liberais?’”
Para a atriz vegana, exemplos como esse mostram que muitas pessoas ainda não entendem e não se interessam em entender do que se trata o veganismo. Por isso, julgam como mais fácil criticar sem saber quais são as reais motivações.
“Eles não entendem por que veganos não usam lã ou subprodutos animais, mesmo que não envolva matá-los. Vou clarear isso. Toda vez que um animal é mantido cativo para dar origem a um produto, ele sofre. É um ambiente em que não há respeito pela vida dos animais ou dos trabalhadores. Você pode não se importar com a forma como as ovelhas são criadas para a extração de lá, mas é um direito meu me preocupar com isso”, desabafou no artigo “Why do some people hate vegans”, publicado no Grok Nation em novembro de 2015.
E sobre a existência de “fazendas de ovelhas felizes”, Mayim Bialik considera um engodo, ainda mais levando em conta que a maior parte da produção de lã não costuma ser proveniente de “fazendas felizes”. A atriz enfatiza que se vivesse em um lugar frio, provavelmente teria que ser bem criativa sobre como se manter aquecida.
“Mas as pessoas aprendem a lidar com isso. Estou muito assustada com a forma como as pessoas veem os veganos, como uma ameaça ao seu direito de consumir carne em qualquer quantidade, e chegam a tratar a existência e a perspectiva dos veganos como uma afronta aos seus direitos civis”, reclamou no artigo.

Em 2016, ela também publicou um gráfico no Instagram, mostrando uma estatística comprovada por médicos de que a dieta vegana é muito benéfica para pessoas com asma: “Alguém até mesmo optou por não me seguir por causa disso. Há uma pesquisa que comprova como o diabetes pode ser revertido com uma dieta vegana e crudívora. O documentário ‘Forks Over Knives’ discute isso de forma bem ampla, assim como filmes como ‘Fat, Sick and Nearly Dead’ e Vegucated’”, complementou.
Para Mayim Bialik, os custos para o meio ambiente por causa da quantidade de carne, ovos e laticínios que consumimos são reais, e citou como exemplo o surgimento de doenças que estão associadas ao consumo de alimentos de origem animal. “Ter uma sensibilidade geral de criar um mundo livre do sofrimento humano está ligado à bondade em relação aos animais. Há aqueles que continuarão a afirmar que o veganismo é uma tendência elitista irritante, que é culpa de liberais fanáticos, mas optei por ter uma dieta baseada em vegetais para ajudar o nosso meio ambiente, nossa economia, nossa saúde, e nosso bem-estar em geral”, argumentou no artigo “Why do some people hate vegans?”.
Pelo fato de ser judia, ao longo dos anos, a atriz recebeu muitas perguntas sobre como ser vegetariana ou vegana. Ela revelou que normalmente as pessoas querem saber se existe uma conexão entre judaísmo e veganismo. “Na verdade, existe. Por milhares de anos, a importância de respeitar a vida animal e minimizar a dor e o sofrimento dos animais foi parte da tradição judaica. A Torá discute inúmeras maneiras de minimizar a crueldade contra os animais, e enfatiza seu tratamento, incluindo por exemplo, a exigência de que os animais sejam alimentados antes de nos sentarmos para comer. Também discute as relações que temos com os animais e designa os direitos animais como únicos e valiosos”, elucidou.
Por outro lado, há controvérsias, como a questão dos sacrifícios de animais. No entanto, Mayim defendeu que isso já é visto de outra forma no contexto do judaísmo. Além disso, é comum o incentivo à diminuição do consumo de carne. Prova dessa mudança é a existência de vegetarianos, veganos e organizações judaicas que são contrários à exploração animal, e veem o veganismo como um “ideal judaico”. “Uma dessas organizações é a Jewish Veg [anteriormente JVNA]. Desde 1975, eles têm sido uma grande fonte de apoio, receitas e informações sobre judeus veganos. Sou grata pela existência de organizações como a Jewish Veg”, frisou.

Livro de receitas lançado pela atriz em 2014 (Arte: Reprodução)
Por ser vegana, na páscoa judaica, a família da atriz consome sopas, saladas, chips de couve e couve-de-bruxelas, leite de amêndoas, quinoa e salada marroquina de legumes – uma de suas preferidas para a páscoa. “Atualmente estou mais focada em gorduras saudáveis. Crio muitos queijos de nozes. Os queijos de castanha-de-caju e macadâmia que faço são muito fáceis. Também faço spanakopita [uma torta salgada]. Abacate é o meu alimento favorito, e um dos melhores que você pode dar às crianças”, recomendou em entrevista ao Vegetarian Times. Refeições de fácil preparo e que podem ser congeladas, baseadas em ingredientes para burritos, feijões e arroz, fazem parte do cotidiano da família da atriz.
Questionada sobre como é criar filhos veganos, Mayim Bialik esclareceu que está sempre em busca de um ponto de equilíbrio entre dar informações adequadas à idade deles e deixá-los encontrarem o seu próprio nível de consciência em relação aos alimentos. “Não quero que se sintam superiores nem privados”, garantiu.
Em 2014, a atriz e neurocientista publicou o livro de receitas veganas “Mayim’s Vegan Table: More Than 100 Great-Tasting and Healthy Recipes from My Family to Yours”, lançado pela Capo Books. É uma obra com dicas saudáveis e com uma boa quantidade de receitas fáceis e apresentadas em tom casual.
Saiba Mais
Mayim Bialik nasceu em San Diego, na Califórnia, em 12 de dezembro de 1975.
Ela obteve um doutorado em neurociência pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), em 2007.
Referências
http://www.vegetariantimes.com/article/one-on-one-with-mayim-bialik
http://www.kveller.com/mayim-bialik-yes-there-is-a-jewish-connection-to-my-veganism/
http://www.epicurious.com/holidays-events/a-vegan-passover-with-mayim-bialik-article
http://groknation.com/culture/why-do-some-people-hate-vegans/
Para o filósofo grego Teofrasto, a humanidade tem uma dívida de justiça para com os animais
Sucessor de Aristóteles dizia que matar os animais é uma forma de perpetuar danos injustificáveis

Sucessor de Aristóteles, o filósofo grego Teofrasto (372 a.C 287 a.C) defendia, segundo Porfírio em “De Abstinentia”, que a humanidade tem uma dívida de justiça para com os animais porque o futuro da existência como um todo depende do equilíbrio entre humanos e animais, além dos níveis de afinidade – o que naturalmente exige que os seres humanos se abstenham de sacrificá-los e de comê-los.
Para Teofrasto, explorar, torturar ou matar animais significa privá-los de suas vidas e, assim, perpetua-se um ciclo de danos injustificáveis. A crítica do filósofo grego serviu como referência ao filósofo dos direitos animais estadunidense Tom Regan para argumentar que a morte dos animais é moralmente errada porque é uma forma de privação da oportunidade de experimentar qualquer escolha futura, o que leva à conclusão de que a morte dos animais como consequência da exploração racionalmente humana é uma perda irrecuperável, ou seja, final.
Pesquisador da questão animalista na Grécia Antiga, o filósofo estadunidense Stephen Newmyer, professor da Universidade Duquesne, em Pittsburgh, na Pensilvânia, diz que um dos conceitos-chave desenvolvidos por Teofrasto, e que influenciaria os direitos animais, é o conceito de Oikeiotês, que combina ideias de pertencimento, parentesco e relacionamento. Embora tenha sido frequentemente considerado como sendo de origem estoica, alguns estudiosos a reconhecem como sendo de autoria de Teofrasto. E isto tendo como referência o trabalho de Porfírio em “De Abstinentia”, quando discorre sobre a filosofia de Teofrasto.
O discípulo de Aristóteles acreditava no parentesco humano com os animais, que necessitavam de um tratamento mais simpático e justo por parte dos seres humanos. “Esta mesma simpatia pelos animais como criaturas sofredoras inspirou Teofrasto a desenvolver o conceito de Oikeiotês, que está em evidência no tratamento que Porfírio dá aos animais em ‘De Abstinentia’”, declara Newmyer no livro “Animals, Rights and Reason in Plutarch and Modern Ethics”, publicado em 2005.
Em “De Pietate”, Teofrasto discute as precedentes especulações gregas em torno da racionalidade animal, caminhando para o que se pode chamar de questões de familiaridade na relação entre seres humanos e outros animais. Por isso, assim como “De Esu Carnium”, de Plutarco, “De Pietate” é considerada uma das duas defesas mais antigas do estilo de vida vegetariano – e referência em direitos animais. De acordo com Newmyer, “De Abstinentia”, de Porfírio, oferece uma defesa cuidadosa da ideia de que o homem primitivo só seria capaz de não matar um animal ao reconhecer nele algum tipo de parentesco.
Na ótica de Porfírio, os seres humanos não se assemelham aos outros animais somente no que diz respeito às paixões, pulsões e sentidos, mas também, em níveis distintos, nas faculdades de raciocínio. Portanto, o conceito Oikeiotês concedeu status moral aos animais e os colocou dentro da preocupação moral humana. “A relação que os animais têm com os seres humanos é, em sua opinião, de natureza jurídica, pois os seres humanos devem tratamento justo às criaturas que são relativamente semelhantes a ele em suas capacidades mentais”, reforçou Stephen Newmyer.
Também defendida por Pitágoras, a concepção de parentesco entre seres humanos e outros animais foi ofuscada por Aristóteles que, seguindo por outra via, encontrou maior aceitação em uma sociedade cada vez mais antropocêntrica. “Os agrupamentos irracionais ocorrem tão somente pelo instinto, pois, entre os animais, somente o homem possui a razão, tendo noções de bem e mal, justo e injusto”, simplificou Aristóteles. Afirmações como essa serviram como justificativa para que o ser humano continuasse subestimando a capacidade animal, colocando-os em um nível de inferioridade que influenciaria mais tarde a maneira como os seres humanos continuariam se relacionando com os animais.
No entendimento de Aristóteles, os animais “irracionais” não possuem capacidades mentais para assegurar que seus interesses sejam respeitados. Por outro lado, o seu discípulo Teofrasto, além de reconhecer a existência do intelecto animal, viu exatamente nessa suposta incapacidade animal apontada por Aristóteles uma razão moral para que os seres humanos não se colocassem acima dos animais nem se aproveitassem de sua vulnerabilidade. E esse aspecto da filosofia aristotélica teve continuidade com influentes pensadores como o italiano Tomás de Aquino.
Sendo assim, o interesse de Aristóteles pela questão animal difere substancialmente do interesse de seus discípulos, como Teofrasto, que reconheceu o direito à vida animal. O caso de Aristóteles contra a racionalidade animal possivelmente tinha apenas intenções parcialmente científicas, sem ponderar sobre as consequências morais de seus argumentos.
Porém, foi exatamente essa negação aristotélica que formou parte da base da atitude cristã ocidental em relação aos animais como criaturas que poderiam ser privadas de justiça e da própria existência, e mais – que poderiam ser usadas como o ser humano bem entendesse. Uma conclusão que também é partilhada por Newmyer.
Também foi esse caminho trilhado por Aristóteles, sem antever o futuro, que impediu que teorias filosóficas mais empáticas aos animais, como as de Pitágoras, Teofrasto, Plutarco e Porfírio fossem lançadas à luz, não à escuridão. Assim não é equivocado dizer que a consciência antropocêntrica que persiste ainda hoje é uma consciência de influência aristotélica.
Saiba Mais
Teofrasto, grego de Eresso, em Lesbos, foi o sucessor de Aristóteles na escola peripatética. Ele chegou a Atenas ainda muito jovem, e inicialmente estudou na escola de Platão. Após a morte de Platão, ele se ligou a Aristóteles, que levou os seus escritos a Teofrasto. Quando Aristóteles fugiu de Atenas, Teofrasto assumiu o Liceu.
Ele presidiu a escola peripatética por 35 anos, período em que a escola se desenvolveu bastante -tinha mais de dois mil estudantes. Ele é considerado o “Pai da Botânica”, por causa de seus trabalhos com as plantas.
Após sua morte, os atenienses o honraram com um funeral público. Seu sucessor foi Estratão de Lâmpsaco. Teofrasto faleceu aos 85 anos, de acordo com Diógenes. Uma de suas frases mais famosas é: “Morremos apenas quando estamos começando a viver.”
Curiosidade
O estoicismo foi uma escola de filosofia helenística que defendia uma visão unificada do mundo consistindo de uma lógica formal, uma física não dualista e uma ética naturalista.
Referências
Porphyry: On Abstinence from Killing Animals (Ancient Commentators on Aristotle). Bristol Classical Press; Reprint edition (2014).
Newmyer, Stephen. Animals, Rights and Reason in Plutarch and Modern Ethics – Páginas 20 a 25. Routledge; 1 edition (2005).
https://en.wikisource.org/wiki/1911_Encyclop%C3%A6dia_Britannica/Theophrastus
A banana e a longevidade
Há alguns anos, creio que em 2007, entrevistando uma senhora bem velhinha, com seus 112 anos, perguntei a ela qual era o segredo da longevidade. Ela disse: “Banana, é o único alimento que nunca deixo de comer.” Depois balançou as pernas e deu uma volta em torno da poltrona onde eu estava sentado e emendou: “Só consigo fazer isso porque como banana todo dia, fi.”
Aristóteles e sua contribuição à negação dos direitos animais

Em relação aos animais, Aristóteles se precipitou e contribuiu negativamente
O interesse de Aristóteles pela questão animal difere substancialmente do interesse de seus discípulos, como Teofrasto, que reconheceu o direito à vida animal.
O caso de Aristóteles contra a racionalidade animal tinha apenas intenções parcialmente científicas, sem ponderar sobre as consequências morais de seus argumentos.
E foi exatamente essa negação aristotélica que formou parte da base da atitude cristã ocidental em relação aos animais como criaturas que poderiam ser privadas de justiça e da própria existência, e mais – que poderiam ser usadas como o ser humano bem entendesse.
Também foi esse caminho trilhado por Aristóteles, sem antever o futuro, que impediu que teorias filosóficas mais empáticas aos animais, como as de Pitágoras, Teofrasto, Plutarco e Porfírio fossem lançadas à luz, não à escuridão.
Assim não é equivocado dizer que a nossa consciência antropocêntrica que persiste ainda hoje é uma consciência de influência aristotélica.




